quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Carta de até logo..

Não sei ao certo o motivo da obsessão pelo fracasso infindo que me sustenta. Não tenho causa e evito as consequências sobre o que me sucedeu nos últimos meses, porém, ainda assim, sou vítima dessa nostalgia.

Outro dia, numa conversa informal com um amigo, percebi que eu não lembro de mais ninguém antes de você. É verdade: não tenho referência da própria vida antes de te conhecer. Uma história, um rosto, um nome qualquer, tudo e nada são um só e se mantêm sem representatividade depois que sai da zona de superficialidade humana e descobri um alguém real.

Sei que nunca seria tão feliz se o desenrolar dos fatos mudasse de curso. Tenho a certeza de que jamais desejaria outro rumo para a mais linda história de amor que eu poderia ter vivido.

Agradeço todos os dias à todas as noites as quais eu me permiti, sem nenhuma vergonha, ser somente eu, contigo.

Agradeço também à você, que me acolheu na sua história, que me abraçou em braços largos e lações apertados (e confesso; os quais são impossíveis de desatar).

Agradeço à intermediadora desse encontro tão Santo, quem abençoou, mas quem criou provações dolorosas para mim, pobre amante. E só aqui faço uma recriminação: deveria ter sido antes, muito antes de eu ser uma mulher, e ele, um homem. É como me peguei dizendo: eu gostaria, de fato e veracidade, de estar presente na história dele desde os primórdios.

Queria com todas as forças que disponho no meu ser, ter visto o seu nascimento e acompanhado seu trajeto, como um narrador observador que interfere na progressão textual só para dar um beijo na boca.

Eu queria ter sido a irmã, a prima distante, a vizinha, a melhor amiga, para ter o direito de estar por perto para sempre.

Eu nunca amarei uma pessoa a esse ponto; ao ponto do além homem, além sexo oposto, além pai dos meus filhos, além marido. Eu nunca amaria você além do ser humano que você é.

Hoje, agradeço até às lágrimas que derramei (e ainda derramo de saudade, como ao escrever essa carta), pois agora sei que toda a dor é necessária. Eu te falei isso uma outra vez, justificando minhas mágoas e você nem sequer notou que me referia a.. nós, com certeza e como sempre.

Eu devo ter falado uma coisa ou outra de ser sincera demais, entregue demais à todos aqueles que amo puramente. Falei também de nunca me arrepender por extrapolar amor assim, pois só fomos o que somos a partir do momento em que potencializamos o melhor de nossa essência.

Eu não sei se para você faz sentido o que ando dizendo por aí e por aqui, mas o fato é que para mim, tudo foi real. Fomos reais e iguais por um bom tempo, entretanto, se a vida tende à saudade para tornar ela própria uma poesia, me permito transcender a realidade que me basta.  Apesar de te guardar para sempre no peito, não sei se manterei a blindagem à corpos estranhos.

Agora, eu quero e vou te contar uma outra história. E dessa vez você terá que adivinhar do que estou falando.

E hoje eu te digo adeus, mas é só até amanhã, quando eu lembrar que é a ti que eu devo a origem da minha sensibilidade. E amanhã, com um pouco de dificuldade, você ainda será além de um grande amor passado, meu melhor presente do acaso.

Um comentário:

Vics disse...

Que coisa linda ! Parabéns , escreve divinamente . bjj