domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre vestibular, escolas públicas e privadas

Como em muitos outros aspectos de âmbito nacional, o exame vestibular, qual  o estudante é submetido a fim de cursar o ensino superior, é uma farsa. 

As universidades públicas no Brasil são as mais concorridas, seja pela oportunidade do ensino gratuito ou pela reputação de um ensino de qualidade de que gozam estas instituições em relação às privadas.

Porém, em questão de nivelamento, alunos de escolas particulares têm o maior êxito frente à alunos de escolas públicas, que enfrentam diversos problemas devido a defasagem do ensino e a falta de investimentos do governo seja em infra-estrutura, material didático ou apoio no desenvolvimento do estudante.

Quem pagaria caríssimo mensalmente para não passar passar no vestibular? É obrigação da escola privada exigir o melhor de seus alunos (ou consumidores, como queria chamar) para a satisfação geral no fim. A escola-empresa ganha respaldo com o número de aprovações (e assim, mais alunos-consumidores), o aluno, espaço e os papais, a sensação que o investimento foi válido.

Nas escolas públicas, o jogo está ao avesso. Não há lá grande preocupação da instituição em manter número de aprovação, os alunos ao notar essa postura, acomodam-se e o acompanhamento dos pais se torna cada vez mais escasso. Resultado: caos na rede pública de ensino. Sem contar com desvios de verba dos governantes nas ''merendas-fantasmas'', nas obras infinitas de ampliação ou construção de mais e mais escolas falidas, nos livros inúteis etc.

O novo modelo de prova adotado (ENEM) não acaba com a concorrência nas universidades (públicas) porque o número de vagas continua limitado aos que forem melhores na prova. Mesmo que a famosa ‘decoreba’ realmente desapareça (pois o Enem tem como finalidade essa quebra de realidade), quem tiver disponibilidade para passar horas estudando e dinheiro para pagar os melhores professores continuará em vantagem. A atual exclusão dos estudantes de menor renda continuará.

O fato é que o ENEM ainda assim prejudica a classe popular. Digamos que um estudante pobre do Acre seja aprovado para a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele terá condições para estudar lá? Terá onde morar? Terá o que comer? Na prática, só quem tem dinheiro poderá participar dessa mobilidade. Além disso, e se acontecer uma ‘invasão’ de estudantes do rio de janeiro na Universidade Federal do Acre? Isso é facilitar o acesso? E pra onde vão os estudantes locais?

Em comparativo com demais métodos de seleção, temos:

Nos Estados Unidos
No ensino superior norte-americano não existe a palavra vestibular. O aluno escolhe as universidades nas quais gostaria de se graduar e envia para elas seu histórico escolar dos três anos de Ensino Médio. Isso faz com que a pressão nos estudos seja muito maior durante a high-school, e não apenas um ano ou alguns meses antes do ingresso em uma faculdade – como ocorre com os brasileiros. Essas diferenças significativas em relação ao padrão brasileiro tornam os currículos dos alunos colegiais cada vez mais competitivos e até a boa conduta e ausência de suspensões ou advertências durante os últimos anos na escola contam pontos – o que leva os estudantes a encarar esse período crucial com maior seriedade.

Na Europa
Bastante diferente do Brasil e dos Estados Unidos, a comunidade européia tem quase todas suas universidades sob o controle do Estado. Por serem públicas e essencialmente gratuitas, aceitam novos universitários de forma peculiar: todos os alunos procedentes de sistemas educativos da UE e que possuem o diploma do ensino médio europeu, podem entrar em universidades de diversos países do continente, sem a necessidade de realizar prova de acesso. Outra particularidade européia é que não é dada grande importância ao renome da universidade, pois todas estão niveladas em termos de qualidade de ensino e tradição.

No Japão
Já no Japão, assim como no Brasil e EUA, a “fama” da universidade pode fazer toda a diferença na vida profissional. Por esse motivo, é comum entre os estudantes japoneses a expressão "shito goraku", que significa: "Os que dormem apenas quatro horas por dia vão passar. Os que dormem cinco horas serão reprovados". Na terra do Sol nascente, as universidades surgiram em conjunto com o governo com a missão de formar líderes na sociedade, como empresários de sucesso e políticos. Algumas das instituições que mantêm essa proposta são a Universidade Imperial de Tóquio e Universidade Imperial de Quioto – que estão entre as mais disputadas no país.

Dentre todas as nações citadas, apenas no Japão e no Brasil existe a insistência nos vestibulares, ou seja, há candidatos que realizam a prova diversas vezes, até serem aceitos. A avaliação nipônica é bastante parecida com a nacional: na primeira fase aborda matérias diversas e quem passa para a segunda responde questões específicas, relacionadas com o conteúdo da carreira que pretende seguir.

As controvérsias do ensino brasileiro rendem muito pano para manga. A cada acerto, 10 erros são somados. Direito ao ensino superior gratuito é direito de ricos e pobres, ainda mais se analisarmos as falhas na educação pública como também a valorização da educação no país.

E vale lembrar: Educação é a base da prosperidade de qualquer nação, porém não é de interesse do governo a educação chegar ao povo. Quem pensa não é fantoche de político.


Aqui há uma matéria publicada em 12/09 com dados do enem 2010 e o ranking das escolas públicas e particulares e seu devido desempenho de notas (embasando melhor esse post do blog ;D)

http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/09/enem-2010-tem-somente-13-escolas-publicas-entre-cem-melhores.html

Um comentário:

Caio disse...

De qualquer modo!Uma Universidade, será privilégio de poucos. Nos EUA por exemplo, a grande maioria de escolas são públicas, mas entre os métodos de avaliação para o ingresso, está o histórico familiar, que queira ou não, é um processo excludente!

Ai Menina, saudades. Porquê não bota mais foto nos teus posts?