sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vira pó.

Ao cria vínculo com outro alguém resulta-se no próprio somatório. E quando isso não ocorre? Quando o sinal negativo se sobrepõe ao amor ao próximo?

Das mil e uma características atribuídas a mim, a mais distinta sempre foi o desapego. Desfazer laços, pôr o ponto final em diversas relações humanas; por mais que seja doloroso, o faço. Se me diminuem, eu diminuo.

Talvez a solidão seja mais digna que o acompanhamento. No acompanhamento me engano, tropeço, crio expectativas.. depender de mim mesmo, é mais seguro e até prático.

Encaro o fim como um processo natural. O fim do sorvete, o fim da aula, o fim de algumas amizades, o fim do namoro, o fim da vida. O fim é a única certeza que rege a todos.

E as despedidas? Machucam, são duras, são frias, remoídas por muito tempo. Porém, com muita espera, há a dissolução da mágoa e depois que vira pó, corre com o vento e é esquecida, por sua vez.

Seguindo Rimando..

Em tudo o que faço, exagero
Sou em excesso
Ou vazio ou completo
Participando do anti-ético

No contra-tempo, uma dança
Quase dá um samba
Criado para bambear as pernas
Ao cruzar com as dela

Em mim, o sem sentido
O oposto, o escondido
Sempre usando o artifício
de mistério nunca entendido

No dela, uma rosa branca
Cabelos longos de cigana
Calmaria, serenidade
E toda uma sabedoria que invade

No da gente, não tem rima
Não tem nada que se complete
Não há combinação de existência paralela
Não faz sentido, não tem métrica.
Assim sigo; isso é o caminhar sozinho.
Mas pelo menos eu vou rimando.

domingo, 14 de agosto de 2011

Opinião Colegial..

Sustentabilidade é o lema da sociedade contemporânea. O senso comum recriou uma política baseada numa conduta cidadã que favorece a preservação do meio ambiente. Ser ecologicamente correto está na moda.

O mais adequado, seria estabelecer o equilíbrio entre o homem e a natureza devido a sua própria interdependência de trabalho.

As ações humanas teriam finalidade mais rentável a partir de uma reeducação social. A idéia é trazer para o dia-a-dia da família, unidade fundamental na formação cidadão, as práticas básicas de respeito com a natureza; como por exemplo a coleta seletiva em cada residência, a rotatividade de placas de carros nas ruas, o uso de fonte de energia limpa, entre outras atitudes que já são comentadas e até mesmo ultrapassadas, porém não saem do conceito.

Somos parte desse todo. Por que não adotar uma postura consciente para melhorar nossa própria qualidade de vida, mantendo assim uma boa relação com o meio ambiente?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Se a carapuça servir, sirva-se.

Descartando os descartáveis do meu campo de visão, a sensação de liberdade se multiplica como num processo celular. Crio um espaçamento no qual posso me locomover sem dificuldade alguma. Ir e vir já não se torna tão massante assim e não há nada que poderia me prender na mesma estaca por muito tempo.

Seja para o bem ou para o mal, uso da habilidade dos homens do século XXI com destreza. Me livro fácil de coisas que considero sujas demais para levar comigo. Minha alma é branca, limpa de sentimentos pequenos, livre da mesquinhez do restante das pessoas.

Não importa com quanta estupidez vou esbarrar na vida, eu sigo alheio ao tentar preservar o pouco de dignidade que cabe a mim.

Gente que fala a mesma língua que a gente, mas mente
Gente que é repleta, mas vazia por inteiro
Gente que é como a gente, mas falta caráter.

sábado, 6 de agosto de 2011

Goethe.

Dei de ombros e concordei. "Mas, meu caro", prossegui, "mesmo aí há algumas exceções. É verdade que o roubo é um crime; mas e o homem que, para livrar a si e aos seus de morrer de fome, vai e comete um roubo; merece compaixão ou castigo? Quem lançará a primeira pedra ao marido ultrajado que, com justa cólera, abate uma mulher infiel e seu vil sedutor? E a essa moça que num momento de delírio se abandona às alegrias arrebatadoras do amor? Até mesmo as nossas leis, essas senhoras pedantes com sangue de lagarto, se deixam comover e contêm suas sanções."


"Isso é bem outra coisa", replicou Alberto, "porque um homem que se deixa arrastar por uma paixão violenta perde a faculdade de refletir e deve ser considerado como um ébrio, como um demente.""Oh, aí estais vós, os razoáveis!", exclamei, terminando num sorriso. "Paixão! Embriaguez! Demência! E permaneceis tão impassíveis, tão indiferentes, vós, os homens morais! Censurais o bêbado, detestais o insensato, passais ao largo como o padre e agradeceis a Deus como o fariseu por não vos ter feito semelhantes nem a um nem a outro. Mais de uma vez me embebedei, minhas paixões nunca estiveram longe da demência, e não me arrependi de nenhuma das coisas que fiz, pois graças a elas pude compreender, por experiência própria, como todos os homens extraordinários que levaram a cabo alguma coisa grande, alguma coisa reputada impossível, desde sempre foram declarados ébrios e dementes... Mas também na vida cotidiana resulta algo intolerável ouvir todo mundo gritar, sempre que alguém pratica um ato um tantinho mais livre, honrado, inesperado: 'Aquele homem está bêbado, está louco!' Tende vergonha na cara, vós, os pacatos! Tende vergonha na cara, vós, os discretos!""Essas são mais algumas das tuas extravagâncias", disse Alberto. "Exageras tudo e, por certo, cometes pelo menos o erro de aceitar o suicídio, que é do que estamos falando agora, como se fosse uma grande ação, quando não é nada mais do que simplesmente fraqueza. Pois, para ser sincero, é mais fácil morrer do que suportar com firmeza uma vida de tormentos."Estava a ponto de terminar com a conversa, pois nada me faz perder tanto as estribeiras como ver alguém me espicaçando com lugares-comuns dos mais insignificantes quando estou falando do fundo de meu coração. Mas contive-me, já ouvira aquilo tantas vezes e tantas vezes me irritara, que repliquei com certa vivacidade: "Chamais a isto de fraqueza? Peço-te que não te deixes enganar pelas aparências. Um povo que geme sob o jugo insuportável de um tirano, ousareis tachá-lo de fraco quando enfim se levanta e rompe os grilhões? Um homem que, no susto de ver as labaredas consumindo sua casa, distende os músculos e levanta com facilidade que a sangue-frio mal poderia mexer; um outro que, encolerizado por um ultraje, ataca seis homens e os subjuga, seríeis capaz de chamá-lo de fraco? E, meu caro, se o esforço é força, por que a energia extrema seria o contrário?

(...)

"A natureza humana", prossegui, depois de breve pausa, "tem seus limites; pode suportar até certo ponto a alegria, a mágoa, a dor, mas passando deste ponto ela sucumbe. A questão não é, pois, saber se um homem é fraco ou forte, mas se pode suportar o peso dos seus sofrimentos, quer morais, quer físicos. E eu acho tão espantoso que se chame de covarde ou de desgraçado àquele que se priva da vida, como acharia impertinente tachar de covarde ao que sucumbe a uma febre maligna''

''Paradoxo! Aí há um paradoxo!'' Exclamou Alberto.

Os sofrimentos do jovem Werther - Goethe