terça-feira, 31 de maio de 2011

you always think, always speak cryptically..

Quando escapa por minhas mãos me faço de louca de saudade para te encontrar no chão, na sarjeta a qual te encontrei outro dia. O que não tem final feliz é caminho de felicidade, afinal. O que se pode perder ao viver sem pretensões? Acho que nada. De limites, bastam os braços e pernas.

És um pedaço do que eu tenho para contar, mas também é a única parte que me contém agora. ''Entre o querer e o não querer, quantas possibilidades existem?'' Repito meu verso bem baixinho para gravar na alma. Eles delimitam o espaço que posso orbitar longe de sua estrela/satélite/planeta/pontinho reluzente no céu que cega os olhos.

Componho uma melodia todo dia que ainda não me leva à uma outra dimensão onde seu corpo tenha massa nula ao meu.

Não esqueço a música nem seu corpo. Como faz?

sábado, 21 de maio de 2011

when the sun goes down.

Agora os fins de semana são longos demais para mim. Mal cabe no meu destino passar tanto tempo em uma espera. Não gosto dessa sensação de vazio, de ausência de luz dentro de mim.

Quando as horas passam e eu não saio do lugar, quando não tiro o pé do chão um minuto se quer, me pego pensando no que resume-se minha vida. As pequenas coisas em que me ocupo não são o suficiente para preencher a alma. Fico sem saber para onde ir, apática ao ponto de esquecer meu próprio corpo em alguns lugares.

Mal completo frases, nem sei como explicar como vim parar aqui nesse pedaço de terra, do lado de cá do mar. Quem dirá como explicar a magnanimidade de outras criaturas mais complexas que eu mesma que se colocam na minha frente e me olham nos olhos, me encaram, me intimidam de propósito só parar sentir o sabor da minha insegurança.

Para que tanta insistência nos meus olhos? Um feitiço, talvez? Depois de você, perco os sentidos. Depois de você, os dias não passam. Depois de você, o vazio ganha forma. Depois de você o mundo fica numa pausa. Depois de você, eu não sei por onde recomeçar.

Já não fazia sentido algum resistir à própria existência. Depois de você.. mal espero pela segunda-feira.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Juliana Mente.

Juliana acredita na imensidão de sua força e que controla qualquer sentimento ou sensação dentro de si. Sabe que é mentira, falso testemunho, mas tenta convencer no papel de "fortaleza real". Ela não aceita as próprias fraquezas, que na verdade, não passam da sua face mais bela.

Quando morde a língua, fica tão humana, perdida numa cara de tola abobalhada, rosada, tão viva e ingênua! Juliana e seus detalhes mais delicados... É quando erra que a menina usa licença poética e diz que não erra; que tudo faz parte do seu espetáculo, incluindo as quedas.

Juliana diz por aí que nunca se apaixonara por ninguém. Que no máximo, ficara encantada pela cor dos olhos de alguns rapazes na rua. Mentira de novo. Essa menina vive de pregar peças! Queima a língua ao esquecer que cada palavra vazada de seus lábios vermelhos passeia pelas dimensões e ecoa na eternidade. Ninguém há de esquecer o que Juliana diz. Nada há de escapar aos ouvidos da humanidade.

Outro dia ela entrou em contradição:
'' - Eu não sei gostar pouco. Gosto por demais, amando ao avesso!''

Está vendo? Diz que não se apaixona e alega que ama! Essa guria é a melhor farsa já construída. Nem sabe o que é amor e fala como se compreendesse tudo! Quantas mentiras serão ditas por esse poço de fantasias? Ela realmente acha que a verdade, a realidade completa provem de sua imaginação? Ela acredita em si demais demais. Juliana cria a desordem numa sobreposição de sensações abiloladas! É o único detalhe puro que sabe-se sobre Ju. Do resto, nada se tem certeza. Ou é mentira ou é invenção de sua cabeça.

Ela me passa a perna, sorri e depois mostra a língua. Juliana recria demais demais demais. Ainda não se sabe o que seu coração de criança já sentiu. Mais sei que sentiu.

Agora tenho um urgência maior que a própria vida: Espero entender essa confusão em forma de gente antes que ela me prenda no mundo dela!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em Tebas rola isso e mais um pouco.

E quando a Esfinge se olha no espelho, o que acontece? Ela lança o enigma na própria imagem ou fica estupefata pela figura dos lindos olhos marcados?
Melhor: Se a Esfinge encontra mais do mesmo ao se ver com todas as cores possíveis, corre sem rumo ou estagna no tempo?
Ainda mais: e se a Esfinge se descobre o próprio Enigma? A Esfinge cria o enigma, cospe o enigma, se transforma numa codificação quase genética e vira O Enigma.
Eu tenho a habilidade de passar horas a fio descrevendo minha curiosidade sobre tal encanto. Dois pesos tão únicos serem um só. E o que acontece, me diz?
Eu sou Esfinge desde os primórdios. Nem sabia, mas me batizaram assim.
Você sabe o que esfinges fazem? Deixam a dúvida pairar no ar. Têm o poder nas mãos. Elas lançam perguntas ao fim de desafiar a sagacidade de um mundo inteiro.
Então vem você, um enigma que não criei, não saiu de mim, um fruto desconhecido que não fiz com palavras, mas me surgiu sem pudor algum em carne, osso e força com a audácia mor de peitar minha soberania!
Eu rio. Eu acho graça das curvas e das esquinas. Eu acho graça nas curvas e nas esquinas ao tentar entender como te deram a luz.
Pela primeira vez o Enigma me devora.
E eu acho isso o máximo. Não deveria, mas acho.
Eu era o ápice; depois de você; a queda.
No chão me sinto bem leve. Nele te observo de outros ângulos tentando te decifrar.
De fato, esse enigma ainda segue derrubando a moral da bruxa zombeteira que circula no interior da Esfinge. Quem sabe eu não te leio em entrelinhas, um dia não é?
Enquanto isso, nos divertimos na cidade de Tebas.