quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fim.

A noite se prolonga por mais de uma madrugada e eu mergulho numa insônia descomunal. Percorro a casa de 3 andares a fim de tropeçar em algo maia encantador que... eu (em vão).

Ando pela casa e crio um filme retalhado de cenas baseadas em fatos reais que mais parecem um 3D infinito, um clipe sem nexo, um pierrot retrocesso na minha memória. Quando o filme está nos minutos finais a fita volta para o começo. Então, vai o recomeço daqui até o fim de mim.

Escrevo nas paredes alguns bilhetes que deveria mandar para os amigos ou para os amores já quase esquecidos. Algo do tipo: ''eu ainda estou aqui''. Ou melhor: '' Eu ainda estou aqui e quero você aqui também''. As imagens claras do que já se foi latejam nessa mente cansada e marcam o tempo de uma música que se repente ao fundo; é a trilha sonora desse sonho sem rumo, tão vago, sem ponto de chegada ou partida. É a falta daquilo que deixei partir, das coisas que larguei no meio do caminho e só eu bem sei o quanto pesam nos ombros.

Entro, então, num tom clichê qual não me pertence. É uma palavra existente só na minha língua, mas também é uma sensação dissipada pelo mundo inteiro. Saudade não pertence a mim assim.
Porém, por muitas vezes, por exemplo nessa noite, me parece que é por saudade que permaneço em vida. Por saudade do dia anterior celebro os acontecimentos do passado. Por saudade eu... eu continuo em reticências até o fim de mim.

2 comentários:

Marília F. disse...

me identifico com seus textos, Giu! parabéns! este aqui está lindo!

Caio disse...

Muito bom! O que a nostalgia não faz com as pessoas. Me identifico mais com sua forma de abstrair as coisas. Com a capacidade que você tem de conotar o tempo em imagens, sensações. Isso é um bom sinal, parabéns!