sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

meia três quartos.

Depois de alguns anos escrevendo - seja para mim, seja numa agenda, no blog, enfim - compreendi o óbvio. Descobri que só consigo escrever algo puro quando me sinto incomodado por algum motivo nobre.

Na verdade, não é um simples incomodo, um jeito de desaprovar uma atitude qualquer; é um desgosto maior do mundo que nem sequer cabe no meu mundo.

Me prendo a coisas pequenas que estão, por sua vez, presas a mim, como também, em mim; as quais estão presas a outras pessoas que estão presas a outras coisas e que não findam os elos e a complicação demasiadamente humana.

O que estou tentando dizer nesse emaranhado de correntes é que.. que perdi o fio da miada. (mais uma vez, talvez).

São correntes de ferro ou linhas de lã, afinal?

Não sei diferenciar o peso real do que arrasto pelos pés, nem mesmo dizer o quanto planejo andar.

E boa parte daqueles que lerão essa confusão irão (man)ter a mesma opinião sobre minha digníssima pessoa: essa menina é uma menina, somente. Como se fosse menos trágico a minha resolução.

Não me ofendo por ser só uma menina. 
É trágico, é duro e extremamente profundo o que posso sentir.

virada.

"2011 foi foda". É  o único pensamento que vem à mente quando me perguntam sobre.

Posso dizer que houve inúmeras vitórias. Mudanças drásticas também. Coragem. Força de vontade. Encontros de alma para alma. Stress. Prazer. Arrependimento. Mais prazer que arrependimento.

Pouco importa a ordem dos fatores, pois me senti plena vivendo esse ano. Vamos aos fatos:

01. Mudei o local da minha escova de dentes (sim, agora a escova mora no meu quarto, disfarçadamente atrás de uma miniatura que ganhei de presente).

02. Fui promovida à aluna Ten. Coronel, mas também fui suspensa por criticar o desfile do 07 de setembro na beira-mar (desculpa ao comando! rs).

03. Assisti à consagração de uma pessoa muito especial, a mais linda que poderia existir; e sendo esta uma vitoriosa, me sinto tão vitoriosa quanto. Sou participante direta da glória da pessoa mais importante do mundo e me orgulho disto.

04. Tirei o all star e coloquei um dancing shoes.

05. Li o que pretendia ler.

06. Superei toda e qualquer expectativa no enem.

07. Reciclei várias pessoas e exclui tantas outras para o bem geral da nação.

E dentro da lista infindável de acontecimentos em 2011 nada, absolutamente nada equivale à sensação que me sucedeu poucos meses atrás.

Virei mulher, de fato. De forma inusitada, de surpresa, sem pretensão, mas sou uma mulher e com acanhamento, me orgulho disto também. Daqui para frente, mulher. É isso que posso compartilhar aqui.

Estou cada vez mais viva e satisfeita sendo quem sou da maneira que posso. Porém, agora meus limites não se restringem à linha do conforto. Descobri que sou amante dos desgostos e a eles agradeço por esse ano. Nada teria sido de extrema importância sem as dificuldades e meus dramas.

Espero e desejo tudo de lindo no ano que segue e que possamos sentir o perfume das rosas sim, mas também arrancar os espinhos coma boca.

indiferentemente.

Tenho tornado esse blog mais pessoal do que nunca. Nem as possíveis metáforas ou personagens que crio conseguem disfarçar meu eu aqui. Dane-se. Não é segredo para ninguém os relatos sobre as tamanhas frustrações, medos, vícios, dificuldades e alegrias que tenho.

Ultimamente tombo na linha tênue da satisfação pessoa e da derrota. Seria um processo natural se não tivesse tomado dimensão tão significativa.

Cobro o dever de exercer a liberdade plena acima de qualquer circunstância. Viver "em função de" é massante, me torna impotente frente as sobras de vida que alimentam o dia.

E por mais que eu queria, por mais forte que seja a ligação entre eu e os meus fantasmas, preciso desamarrar os laços.

Eu não nasci para ser sombra da minha própria memória.
Definitivamente (repare na ênfase do definitivamente daqui), não cresci e virei gente para seguir rastros de quem não olha para trás. E quando digo "olhar para trás", me refiro a olhar para mim, ali de joelhos dobrados esperando a piedade alheia.

A pior parte da história é que..tudo é criação da minha cabeça. Em nenhum momento foi dito que a dor, os questionamentos, a insegurança é recíproca. Nem lembrança, nem piedade; nada existe para o meu fantasma, só para mim.

Vivendo o verdadeiro fantasma da indiferença. fim.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

EU SOU E SINTO, QUE FIQUE CLARO.

Eu odeio perder. Perder a causa, perder a polêmica, perder o dia, perder meu jogo. E agora estou diferente: não consigo ao menos odiar; só me sentir mal, extremamente mal por tudo.

Para que tanta explanação sobre o que é certo ou errado se a única lógica que está ao alcance dos meus olhos é aquela que quero enxergar? Não há problema em desejar o distante. Ninguém pode me impedir de sonhar acordada. Nem o próprio objeto de desejo.

Estou ao ponto de explodir. Não dá para ter plena compreensão dos fatos que se sucedem comigo. É como se fosse uma derrota, mas é de mim para mim mesma.

É meio humilhante, meio frágil dizer o que sou capaz de sentir..e por não dizer, peco. Daí dou margem à criação de uma imagem deturpada da minha capacidade de ser.

EU SOU E SINTO, QUE FIQUE CLARO.

E sinceramente?
me questiono, por vezes, o por quê da minha falta de caráter (vergonha na cara de ser quem sou seria mais justo como definição.)
Bem que um amigo me respondeu outro dia: é que, afinal, alguém tem que queimar no inferno. 
Estamos aí, então.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Distúrbio Multipolar Noturno.

Parte do lençol branco enfiado goela a baixo como grande parte da vida até aqui.

O lençol sufocando o choro baixo, reprimido, pausado como grande parte da caminhada até aqui.

As lágrimas graduais e mornas, tão difíceis de pôr para fora e depois que postas, difíceis de conter..como grande parte da história até aqui.

O quarto de paredes indiscretas assiste o pranto. Um de muitos... até aqui.

Um choro verdadeiro, não culpado, mas solene. É uma cerimônia dos perdedores. Perdedores de vergonha, de amor próprio, de luz branca, de dignidade. É o ritual da redenção, um pedido de desculpa para si mesmo após o arrependimento matinal.

O fôlego curto diz que você é mais criança do que poderia imaginar e que só sua mãe resolveria seus problemas.

A dor de tão aguda não pode ser compartilhada com ninguém; tem efeito "bomba atômica". Explode na mão.

O telefone vibra ao seu lado, agitando a cama que já se encontra em espasmos. É a vida real te tirando da introspecção. Então você ri, achando divertido ser salvo pelo gongo.

Responde a mensagem da amiga com humor e ainda com o lençol na boca, evita morder a língua, gritar e ranger os dentes firmes.

Alguém poderia dizer como se trata o distúrbio da multipolaridade?? Sorrir chorando na festa dos perdedores satisfeitos.. frase não coesa e não coerente sequencial.

Cai na calmaria, dorme um sono anestesiado. E no dia seguinte... morfina no subconsciente. Nada aconteceu.

Gerundiando.

Apaixono-me por pessoas e motivos diversos quase todos os dias. É que sempre há algo diferente que me encanta mais e se achar justo, me convenço de que amo; e amo no fim.

Se escuto The Strokes ou Bad Religion, estou amando do mesmo jeito. Assistindo novela ou filme água com açúcar, comendo frio, morno ou quente, sou o mesmo romântico. Um gerúndio, um contínuo, um amante do nonsense. 

E quer saber? Sendo incompleto, sou repleto de felicidade. Consigo ser um em um milhão e ter um milhão em um. Jamais cansarei de não manter um padrão para mim.

Nem X, nem Y; equação em curso. É assim que acho divertido.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

'viciando em quase tudo'


Nos últimos dias/meses ando afastada por não ter o que dizer. Nada me incomoda o suficientemente para escrever sobre minhas insatisfações. Meus dramas estão limitados à rotina.

Mentira.
Nos últimos tempos muita coisa me virou do avesso, tirou a cabeça do lugar. Posso dizer que nunca me surgiu tantas novidades atropeladas em tão curto espaço de tempo. Cruel demais para passar por cima. Forte demais para pôr em palavras.

Eu cheguei a odiar e amar no dia seguinte da maneira mais íntima que poderia amar. Apesar de alvos diferentes, são sentimentos oriundos de um mesmo corpo. Incompreensível.

Não consigo cessar meu desespero por vida. Como diria uma grande amiga: eu não gosto de quase nada, mas sou uma viciada em quase tudo.

Há pedaços meus espalhados por toda a cidade e eu não sei como pedir de volta o pouco de mim que joguei fora. (e essa frase contêm uma dose de arrependimento e três colheres de recordações).

Se cada pessoa que me circunda lesse o que está escrito aqui, teriam interpretações diferentes e direcionadas. E todas estariam certas.

Eu escrevo para você (olho para a direita)
e para você (olho para a esquerda)
e para você (balanço a cabeça)
e para você (aponto para o longe)
e para você logo ali (no longínquo)

Espero voltar a escrever para mim em breve. Porque escrever para o mundo anda comprometendo meu estado mental..

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Dia Internacional do errado.

Hoje é o dia internacional de achar que está tudo errado. Dia de se sentir pequenininho, do tamanho de uma formiga vermelha. Dia de ficar com as mãos geladas e de falar a coisa errada.

Hoje eu começo a desfazer da minha grandiosidade. Completamente humano, repletamente inseguro, imensuravelmente mundano.

Hoje estou mais fraco de mim mesmo. Isso não é bom nem ruim, é estranho por se tratar de cascas de laranja. No lugar errado da estante, do lado de fora da porta, no outro lado da rua. Fugaz é a minha capacidade de reter os amores e os desamores em pleno desgraçamento próprio. É assim que o dia internacional do improvável se consolida.

De tão errado, hoje se torna a coisa mais especial do mundo. Só perde para o amanhã e para o depois de amanhã... e o depois, e depois e depois e depois e depois e as reticências do amanhã. Acho que satisfeito estou, por ter a chance de me diminuir por uns tempos de lá pra cá até um amanhã, qui sá.

domingo, 11 de setembro de 2011

Tragédia Psicológica..


''Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 foram uma série de ataques suicidas coordenados pela Al-Qaeda aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. Na manhã daquele dia, 19 terroristas da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais a jato de passageiros. Os sequestradores intencionalmente bateram dois dos aviões contra as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque, matando todos a bordo e muitos dos que trabalhavam nos edifícios. Ambos os prédios desmoronaram em duas horas, destruindo construções vizinhas e causando outros danos. O terceiro avião de passageiros caiu contra o Pentágono, em ArlingtonVirgínia, nos arredores deWashington, D.C. O quarto avião caiu em um campo próximo de Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns de seus passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle do avião, que os sequestradores tinham reencaminhado para Washington, D.C. Não houve sobreviventes em qualquer um dos voos.
O total de mortos nos ataques foi de 2.996 pessoas, incluindo os 19 sequestradores. A esmagadora maioria das vítimas era civil, incluindo cidadãos de mais de 70 países. Além disso, há pelo menos um óbito secundário - uma pessoa foi descartada da contagem por um médico legista, pois teria morrido por doença pulmonar devido à exposição à poeira do colapso do World Trade Center.
Os Estados Unidos responderam aos ataques com o lançamento da Guerra ao Terror: o país invadiu o Afeganistão para derrubar o Taliban, que abrigou os terroristas da Al-Qaeda (ver: Guerra do Afeganistão). Os Estados Unidos também aprovaram o USA PATRIOT. Muitos outros países também reforçaram a sua legislação antiterrorismo e ampliaram os poderes de aplicação da lei. Algumas bolsas de valores estadunidenses ficaram fechadas no resto da semana seguinte ao ataque e registraram enormes prejuízos ao reabrir, especialmente nas indústrias aérea e de seguro. O desaparecimento de bilhões de dólares em escritórios destruídos causaram sérios danos à economia de Lower ManhattanNova Iorque.''
Seria mais trágico, caso não se tratasse de USA...

Sobre vestibular, escolas públicas e privadas

Como em muitos outros aspectos de âmbito nacional, o exame vestibular, qual  o estudante é submetido a fim de cursar o ensino superior, é uma farsa. 

As universidades públicas no Brasil são as mais concorridas, seja pela oportunidade do ensino gratuito ou pela reputação de um ensino de qualidade de que gozam estas instituições em relação às privadas.

Porém, em questão de nivelamento, alunos de escolas particulares têm o maior êxito frente à alunos de escolas públicas, que enfrentam diversos problemas devido a defasagem do ensino e a falta de investimentos do governo seja em infra-estrutura, material didático ou apoio no desenvolvimento do estudante.

Quem pagaria caríssimo mensalmente para não passar passar no vestibular? É obrigação da escola privada exigir o melhor de seus alunos (ou consumidores, como queria chamar) para a satisfação geral no fim. A escola-empresa ganha respaldo com o número de aprovações (e assim, mais alunos-consumidores), o aluno, espaço e os papais, a sensação que o investimento foi válido.

Nas escolas públicas, o jogo está ao avesso. Não há lá grande preocupação da instituição em manter número de aprovação, os alunos ao notar essa postura, acomodam-se e o acompanhamento dos pais se torna cada vez mais escasso. Resultado: caos na rede pública de ensino. Sem contar com desvios de verba dos governantes nas ''merendas-fantasmas'', nas obras infinitas de ampliação ou construção de mais e mais escolas falidas, nos livros inúteis etc.

O novo modelo de prova adotado (ENEM) não acaba com a concorrência nas universidades (públicas) porque o número de vagas continua limitado aos que forem melhores na prova. Mesmo que a famosa ‘decoreba’ realmente desapareça (pois o Enem tem como finalidade essa quebra de realidade), quem tiver disponibilidade para passar horas estudando e dinheiro para pagar os melhores professores continuará em vantagem. A atual exclusão dos estudantes de menor renda continuará.

O fato é que o ENEM ainda assim prejudica a classe popular. Digamos que um estudante pobre do Acre seja aprovado para a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele terá condições para estudar lá? Terá onde morar? Terá o que comer? Na prática, só quem tem dinheiro poderá participar dessa mobilidade. Além disso, e se acontecer uma ‘invasão’ de estudantes do rio de janeiro na Universidade Federal do Acre? Isso é facilitar o acesso? E pra onde vão os estudantes locais?

Em comparativo com demais métodos de seleção, temos:

Nos Estados Unidos
No ensino superior norte-americano não existe a palavra vestibular. O aluno escolhe as universidades nas quais gostaria de se graduar e envia para elas seu histórico escolar dos três anos de Ensino Médio. Isso faz com que a pressão nos estudos seja muito maior durante a high-school, e não apenas um ano ou alguns meses antes do ingresso em uma faculdade – como ocorre com os brasileiros. Essas diferenças significativas em relação ao padrão brasileiro tornam os currículos dos alunos colegiais cada vez mais competitivos e até a boa conduta e ausência de suspensões ou advertências durante os últimos anos na escola contam pontos – o que leva os estudantes a encarar esse período crucial com maior seriedade.

Na Europa
Bastante diferente do Brasil e dos Estados Unidos, a comunidade européia tem quase todas suas universidades sob o controle do Estado. Por serem públicas e essencialmente gratuitas, aceitam novos universitários de forma peculiar: todos os alunos procedentes de sistemas educativos da UE e que possuem o diploma do ensino médio europeu, podem entrar em universidades de diversos países do continente, sem a necessidade de realizar prova de acesso. Outra particularidade européia é que não é dada grande importância ao renome da universidade, pois todas estão niveladas em termos de qualidade de ensino e tradição.

No Japão
Já no Japão, assim como no Brasil e EUA, a “fama” da universidade pode fazer toda a diferença na vida profissional. Por esse motivo, é comum entre os estudantes japoneses a expressão "shito goraku", que significa: "Os que dormem apenas quatro horas por dia vão passar. Os que dormem cinco horas serão reprovados". Na terra do Sol nascente, as universidades surgiram em conjunto com o governo com a missão de formar líderes na sociedade, como empresários de sucesso e políticos. Algumas das instituições que mantêm essa proposta são a Universidade Imperial de Tóquio e Universidade Imperial de Quioto – que estão entre as mais disputadas no país.

Dentre todas as nações citadas, apenas no Japão e no Brasil existe a insistência nos vestibulares, ou seja, há candidatos que realizam a prova diversas vezes, até serem aceitos. A avaliação nipônica é bastante parecida com a nacional: na primeira fase aborda matérias diversas e quem passa para a segunda responde questões específicas, relacionadas com o conteúdo da carreira que pretende seguir.

As controvérsias do ensino brasileiro rendem muito pano para manga. A cada acerto, 10 erros são somados. Direito ao ensino superior gratuito é direito de ricos e pobres, ainda mais se analisarmos as falhas na educação pública como também a valorização da educação no país.

E vale lembrar: Educação é a base da prosperidade de qualquer nação, porém não é de interesse do governo a educação chegar ao povo. Quem pensa não é fantoche de político.


Aqui há uma matéria publicada em 12/09 com dados do enem 2010 e o ranking das escolas públicas e particulares e seu devido desempenho de notas (embasando melhor esse post do blog ;D)

http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/09/enem-2010-tem-somente-13-escolas-publicas-entre-cem-melhores.html

Ser outro ser

Poderia descrever quão cinza é a cor que tinge o ao redor dos meus olhos. Diria que nem meu sangue tem o mesmo fluxo intenso de antes. Falaria ainda de planos unificados, quais foram sonhados um dia.

Poderia sim, reaver desejos antigos se não fosse a qualidade do objeto. Se o mundo não fosse de plástico, se a oferta não fosse só restos, se as pessoas não fossem já corrompidas ou corrompíveis, eu gostaria de ter tudo outra vez.

Poderia sonhar com meu grande amor, caso ele não tivesse uma alma vazia. Filhos e uma história de vida se ao menos confiasse na estabilidade do conjunto.

Eu poderia sim, SER outro SER, talvez similar àquele que já fui antes. Construiria uma muralha para assistir do alto uma vida enganada na transversal. E quanto maior a muralha, maior a queda e maior a diversão para quem assisti comigo.

Poderia reatar laços com a indignidade e ser feliz, de fato. Porém grato sou por querer e não poder; por que querer não É poder.

Para dissolver..

Quantas estações esperarei para que suas formas se desfaçam no sofá?
Quando minhas lágrimas esfriarão no verão?
Em quantas vidas você andará até pedir para voltar para a minha?
Quando minha mente falhará ao esquecer seu rosto?
Quantidade, tempo, quantidade, tempo.
Menos de você, mais para dissolver.


Música de fundo:
Adeus é tudo o que eu preciso ouvir de você - Selvagens à procura de lei.

''Te encontro de novo como eu mesmo previ
Desfaço as promessas que escrevi
Gosto de me ver chorar e de mentir
Que essa é a última de muitas que estão por vir


Depois de um momento a sós
Me pergunto quem está limpando os teus lençóis
Quem vai desatar o fui que por anos fomos nós?


Te escuto dizer tudo aquilo que me rasga
Diga que não vai voltar e me espere pro jantar (...)''

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Pinkola


“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.”
- Clarissa Pinkola Estes.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Historiando

A organização política do Brasil é construída desde a presença da Família Real em 1808. Essa dialética é condutora da história até aos dias atuais em um processo contínuo de sobreposição de acontecimentos.

Para preservar a autonomia administrativa do país, o primeiro passo fora a proclamação da Independência em 7 de Setembro de 1822. Ao contrário das demais nações latino-americanas, o Brasil adotara a monarquia após  à independência.

Houvera o Período Regencial, no qual a instabilidade econômica e política fizeram-se presentes.

No segundo Reinado, Dom Pedro II tivera como tarefa manter a unidade política, a união das províncias e a ordem social.

No final dos século XIX houvera o declínio do Império devido ao fim da escravidão aliado à outros fatores internos. A monarquia caíra no Brasil e assim foi implantada a República, na qual estamos inseridos. 

Nova Constituição fora adotada, outra bandeira hasteada, a Igreja e o Estado foram separados. Mas em que espaço o povo atua? Quem transforma à nós?

A resposta vem no eco, atravessando o tempo: nós mesmos.

A atuação cidadão coletiva também é capaz de escrever a história. Somos indivíduos sociais, participantes do processo iniciado ainda por Dom João, que cada vez mais exige olhos abertos.

Direito cobrado, dever cumprido. Aqui fica a regra fundamental da formação cidadã como uma reflexão sobre a postura e a responsabilidade que deve-se ter com a nação brasileira, sendo você um simples estudante ou um Presidente da República.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vira pó.

Ao cria vínculo com outro alguém resulta-se no próprio somatório. E quando isso não ocorre? Quando o sinal negativo se sobrepõe ao amor ao próximo?

Das mil e uma características atribuídas a mim, a mais distinta sempre foi o desapego. Desfazer laços, pôr o ponto final em diversas relações humanas; por mais que seja doloroso, o faço. Se me diminuem, eu diminuo.

Talvez a solidão seja mais digna que o acompanhamento. No acompanhamento me engano, tropeço, crio expectativas.. depender de mim mesmo, é mais seguro e até prático.

Encaro o fim como um processo natural. O fim do sorvete, o fim da aula, o fim de algumas amizades, o fim do namoro, o fim da vida. O fim é a única certeza que rege a todos.

E as despedidas? Machucam, são duras, são frias, remoídas por muito tempo. Porém, com muita espera, há a dissolução da mágoa e depois que vira pó, corre com o vento e é esquecida, por sua vez.

Seguindo Rimando..

Em tudo o que faço, exagero
Sou em excesso
Ou vazio ou completo
Participando do anti-ético

No contra-tempo, uma dança
Quase dá um samba
Criado para bambear as pernas
Ao cruzar com as dela

Em mim, o sem sentido
O oposto, o escondido
Sempre usando o artifício
de mistério nunca entendido

No dela, uma rosa branca
Cabelos longos de cigana
Calmaria, serenidade
E toda uma sabedoria que invade

No da gente, não tem rima
Não tem nada que se complete
Não há combinação de existência paralela
Não faz sentido, não tem métrica.
Assim sigo; isso é o caminhar sozinho.
Mas pelo menos eu vou rimando.

domingo, 14 de agosto de 2011

Opinião Colegial..

Sustentabilidade é o lema da sociedade contemporânea. O senso comum recriou uma política baseada numa conduta cidadã que favorece a preservação do meio ambiente. Ser ecologicamente correto está na moda.

O mais adequado, seria estabelecer o equilíbrio entre o homem e a natureza devido a sua própria interdependência de trabalho.

As ações humanas teriam finalidade mais rentável a partir de uma reeducação social. A idéia é trazer para o dia-a-dia da família, unidade fundamental na formação cidadão, as práticas básicas de respeito com a natureza; como por exemplo a coleta seletiva em cada residência, a rotatividade de placas de carros nas ruas, o uso de fonte de energia limpa, entre outras atitudes que já são comentadas e até mesmo ultrapassadas, porém não saem do conceito.

Somos parte desse todo. Por que não adotar uma postura consciente para melhorar nossa própria qualidade de vida, mantendo assim uma boa relação com o meio ambiente?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Se a carapuça servir, sirva-se.

Descartando os descartáveis do meu campo de visão, a sensação de liberdade se multiplica como num processo celular. Crio um espaçamento no qual posso me locomover sem dificuldade alguma. Ir e vir já não se torna tão massante assim e não há nada que poderia me prender na mesma estaca por muito tempo.

Seja para o bem ou para o mal, uso da habilidade dos homens do século XXI com destreza. Me livro fácil de coisas que considero sujas demais para levar comigo. Minha alma é branca, limpa de sentimentos pequenos, livre da mesquinhez do restante das pessoas.

Não importa com quanta estupidez vou esbarrar na vida, eu sigo alheio ao tentar preservar o pouco de dignidade que cabe a mim.

Gente que fala a mesma língua que a gente, mas mente
Gente que é repleta, mas vazia por inteiro
Gente que é como a gente, mas falta caráter.

sábado, 6 de agosto de 2011

Goethe.

Dei de ombros e concordei. "Mas, meu caro", prossegui, "mesmo aí há algumas exceções. É verdade que o roubo é um crime; mas e o homem que, para livrar a si e aos seus de morrer de fome, vai e comete um roubo; merece compaixão ou castigo? Quem lançará a primeira pedra ao marido ultrajado que, com justa cólera, abate uma mulher infiel e seu vil sedutor? E a essa moça que num momento de delírio se abandona às alegrias arrebatadoras do amor? Até mesmo as nossas leis, essas senhoras pedantes com sangue de lagarto, se deixam comover e contêm suas sanções."


"Isso é bem outra coisa", replicou Alberto, "porque um homem que se deixa arrastar por uma paixão violenta perde a faculdade de refletir e deve ser considerado como um ébrio, como um demente.""Oh, aí estais vós, os razoáveis!", exclamei, terminando num sorriso. "Paixão! Embriaguez! Demência! E permaneceis tão impassíveis, tão indiferentes, vós, os homens morais! Censurais o bêbado, detestais o insensato, passais ao largo como o padre e agradeceis a Deus como o fariseu por não vos ter feito semelhantes nem a um nem a outro. Mais de uma vez me embebedei, minhas paixões nunca estiveram longe da demência, e não me arrependi de nenhuma das coisas que fiz, pois graças a elas pude compreender, por experiência própria, como todos os homens extraordinários que levaram a cabo alguma coisa grande, alguma coisa reputada impossível, desde sempre foram declarados ébrios e dementes... Mas também na vida cotidiana resulta algo intolerável ouvir todo mundo gritar, sempre que alguém pratica um ato um tantinho mais livre, honrado, inesperado: 'Aquele homem está bêbado, está louco!' Tende vergonha na cara, vós, os pacatos! Tende vergonha na cara, vós, os discretos!""Essas são mais algumas das tuas extravagâncias", disse Alberto. "Exageras tudo e, por certo, cometes pelo menos o erro de aceitar o suicídio, que é do que estamos falando agora, como se fosse uma grande ação, quando não é nada mais do que simplesmente fraqueza. Pois, para ser sincero, é mais fácil morrer do que suportar com firmeza uma vida de tormentos."Estava a ponto de terminar com a conversa, pois nada me faz perder tanto as estribeiras como ver alguém me espicaçando com lugares-comuns dos mais insignificantes quando estou falando do fundo de meu coração. Mas contive-me, já ouvira aquilo tantas vezes e tantas vezes me irritara, que repliquei com certa vivacidade: "Chamais a isto de fraqueza? Peço-te que não te deixes enganar pelas aparências. Um povo que geme sob o jugo insuportável de um tirano, ousareis tachá-lo de fraco quando enfim se levanta e rompe os grilhões? Um homem que, no susto de ver as labaredas consumindo sua casa, distende os músculos e levanta com facilidade que a sangue-frio mal poderia mexer; um outro que, encolerizado por um ultraje, ataca seis homens e os subjuga, seríeis capaz de chamá-lo de fraco? E, meu caro, se o esforço é força, por que a energia extrema seria o contrário?

(...)

"A natureza humana", prossegui, depois de breve pausa, "tem seus limites; pode suportar até certo ponto a alegria, a mágoa, a dor, mas passando deste ponto ela sucumbe. A questão não é, pois, saber se um homem é fraco ou forte, mas se pode suportar o peso dos seus sofrimentos, quer morais, quer físicos. E eu acho tão espantoso que se chame de covarde ou de desgraçado àquele que se priva da vida, como acharia impertinente tachar de covarde ao que sucumbe a uma febre maligna''

''Paradoxo! Aí há um paradoxo!'' Exclamou Alberto.

Os sofrimentos do jovem Werther - Goethe

segunda-feira, 18 de julho de 2011

além dos olhos..

A sociedade enfrenta atualmente uma crise de fé diante à tal força superior que rege o universo. Talvez sendo fruto de uma educação liberal, de influência dos meios tecnológicos, da apatia ao ver as atrocidades estampadas nos jornais e até mesmo em sua própria casa ou o mix de toda citação aqui posta, o fato é que a juventude anda numa crescente cética quando trata-se de Deus.

Cabe a cada um ter a própria crença (ou não crença) e dimensão da realidade em que vive, porém tem-se aqui uma ressalva: há algo além dos olhos.

Contra a corrente religiosa, buscam outro respaldo, como por exemplo, a teoria da "força de atração do pensamento", na qual o universo conspira ao nosso favor caso mentalizarmos os nossos sonhos de maneira positiva. Então essa se torna a crença dos não crentes, voltando a estaca zero: há algo além dos olhos.

É impossível negar a soberania de uma força maior, seja Deus, Krishna, Buda, Alá, Força da atração ou qualquer outra tese. Existe outro mundo mais complexo que o nosso, ditador da realidade, qual nos deparamos. É ele quem impulsiona a vida, independente de acreditarmos ou não, até por que seria muito nulo viver por viver num plano tão mesquinho e indigno quanto o nosso. Há algo além dos olhos e estamos aqui pagando para ver.

Como demonstrar emoção através de atos de costume

"Como demonstrar emoção através de atos de costume’’. Ando em busca de aulas práticas sobre isso. Nos livros não aprendo, nos filmes, muito menos e até nos jornais não há quem se disponha à ensinar.

Tenho amigos que dizem que não sei abraçar. Tenho amores que dizem que sou frígida. Tenho mães que dizem que eu ainda não aprendi a rezar. Será que sou a derrota do mundo ao meu redor? O que aprendi em tantos anos, afinal? nada de expressar sensações, esboçar comoções, qualquer coisa que me torna humana.

Não tive o prazer de me conhecer desassociada a apatia. "Juliana, coração de pedra"; assim gritavam na rua quando criança. Daí, tiro um questionamento: o mundo me fez assim ou eu mesma me criei a esse modo? Coberta de penas, asas sobre o rosto ao lutar contra a luz do dia. Essa sou eu, vergonhosa de olhar nos olhos, impedida de transbordar algo bom e ainda por cima de tudo, tachada de não romancista.

Acorda e vê que sou uma louca sentimental! uma boba que não anotou na caderneta a lição número 01 de vida: Viver. Vê aí o quanto preciso voltar a escola e desamarrar os braços, os lábios e tudo mais até nunca mais querer parar!

domingo, 17 de julho de 2011

Dignidade pelo ralo e avante.

Fico por pensar de que buraco surgiu essa geração de pais retardados (ou sem caráter mesmo, como queiram chamar) que por infelicidade estão no controle da geração de 1990/2000. É contra os preceitos da dignidade se submeter a tanta canalhice de uma vez só.

Não são todos que têm sangue de barata correndo nas veias; sangue verde, de quem amadureceu num mundo de merda e se acomodou à isso. Também não são todos que dão continuidade à roda viva do mau caratismo. Há elos que quebram a corrente enferrujada, há vezes que a única vontade é vomitar na cara.

Se eu mergulhasse a humanidade no Mar Morto e por decantação, separar o bem do mal? Tão impossível como afundar no Mar Morto, tão impossível como suportar a cegueira alheia, tão doloroso como sobreviver sob os homens e calado, engolir a seco..

São histórias com percurso diferente e fim igual que se repetem em todas as casas da cidade. Sempre mais do mesmo, refletindo nos olhos de quem ainda não pode se mover e que com as próprias acrobacias permanecem em pé; não intactos, porém, em pé.

Em pé eu fico, em pé me sustento com força e habilidade
em pé eu me retorço de raiva, em pé eu sofro por nada
de pé não sei como dar o primeiro passo,
em pé, só penso em chutar a bunda de quem está na minha frente.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Filosofando com Platão.

O mundo só faz sentido se não pensarmos sobre as condições de existência em que cada indivíduo está estabelecido. Os questionamentos quais somos submetidos todos os dias nos reduzem ao pó, a degradação física e mental, partindo do princípio de que quanto mais nos mostramos seres pensantes, menos racionalistas somos.

A tentativa de confirmação das nossas próprias teses nos expõem a toda e qualquer antítese que em verdade, faz todo o sentido. Platão via a dialética não como movimento da realidade, mas como uma ''purificação'' da idéia. Assume-se a tese, contradizemos a idéia e na síntese desse processo reunimos os pontos positivos, excluindo os possíveis equívocos da tese.

O paradoxo se forma e nos vemos na estaca zero. Desse ponto de vista, a antítese já é uma outra idéia. Duas idéias confrontando-se são dois pólos de realidade que co-existem e logo, por só existir, fazem parte do mundo, do não-eu, do concreto e já não são questionáveis. Existem somente.

Quanto a referência de ''menos racionalistas somos'', focamos a questão de nunca chegarmos em um consenso sobre o que é realidade. Como seres pensantes, trabalhamos de inúmeras formas a idéia da existência, porém cada passo dado a frente torna-se um retrocesso. Os contras são incontáveis, distanciando-nos da razão, da verdade absoluta, levando-nos à loucura e a gerras internas. Sobre o ser ou não ser, ainda existem várias questões que não há como compreender nem discutir. Quem sabe melhor do mundo criando o próprio mundo?

terça-feira, 5 de julho de 2011

É fome de mundo, fome de gente!


Não sei ao certo o que me leva a crer nas impossibilidades. É risco de vida, assim como permanecer nos arredores da Faixa de Gaza. É divertido, assim como andar numa roda gigante.

A dose de adrenalina precisa ser cada vez mais alta para entorpecer minha mente. Os efeitos que procuro já não são tão eficientes no meu organismo quanto antes.

Eu quero uma outra droga de vida para mim. Vou montar e desmontar, revirar de trás para frente até descobrir o que realmente me preenche.

É fome de mundo, fome de gente!
E quero saber quem compreende!

Tô cansada de felicidade.

Eu não tenho o poder supremo de mudar a ordem dos fatos. Essa é uma realidade cabível aos mortais, assim como eu. Não posso mudar os demais, tão pouco criar um caminho menos tortuoso em rumo á felicidade, pois as pessoas trilham os próprios destinos e não há meio de interferir na roda viva.

De quem seria a felicidade, afinal? minha ou sua? possuída ou possessiva?

Felicidade se torna mais distante quando atrelada ao seu nome.
Felicidade pois, confundida com mágoa, escreve no meu corpo umas marcas que ninguém quer ver.
Felicidade que repete a mesma história, como a fita velha de filme francês no vídeo cassete que já não uso mais.

É uma agonia sem fim esperar por tamanha abstração em cada dia de sol. Estou cansada de felicidade. E se ela cansar de mim, que me tenha em seus braços e me engula para sermos um só.

F.R.I.E.N.D.S!


''e três amigas se abraçavam de se transbordar; agradecido, aplaudia o pôr-do-sol, por onde for terei seu fogo como o farol!''

''e o que quer que aconteça nunca cresça e não esqueça de guardar o amor no seu peito, a lembrança do tempo, a humildade na mão e OS AMIGOS NO SEU CORAÇÃO!''


Existem pessoas que surgem do absoluto nada, são uma surpresa boa que o Cosmo guarda e entrega na hora necessária e que arrancam para si uma parte do peito do outro. Se tornam donas dos lotes mais valorizados do coração, local onde os amigos fazem morada.

Não importa tempo ou espaço; o fato é que estas pessoas obedecem uma das leis mais importantes que regem o universo: dissipam o amor gratuitamente, contagiando o mundo inteiro!

E tem como não entregar meu amor de bandeja para os amigos? É algo tão forte que vai além da vontade própria. O plano mestre é mantê-los comigo pela eternidade. Escorre aos litros, o amor!

Só agradeço à sorte de tê-los por perto e espero cultivar a amizade de vocês em minha vida por longos anos!

E sim, esse post é mais que pessoal e especial :)
Dedico ao 2° ano 2011 do CMCB, aos momentos maravilhosos que tivemos até aqui e à Luciana Reis e Emille Moura que me fazem a pessoa mais feliz do mundo! Obrigada por tudo ♥


''Faço de mim

Casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria

Me cerco de boas intencões
E amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões
Chave que não se copia''

terça-feira, 31 de maio de 2011

you always think, always speak cryptically..

Quando escapa por minhas mãos me faço de louca de saudade para te encontrar no chão, na sarjeta a qual te encontrei outro dia. O que não tem final feliz é caminho de felicidade, afinal. O que se pode perder ao viver sem pretensões? Acho que nada. De limites, bastam os braços e pernas.

És um pedaço do que eu tenho para contar, mas também é a única parte que me contém agora. ''Entre o querer e o não querer, quantas possibilidades existem?'' Repito meu verso bem baixinho para gravar na alma. Eles delimitam o espaço que posso orbitar longe de sua estrela/satélite/planeta/pontinho reluzente no céu que cega os olhos.

Componho uma melodia todo dia que ainda não me leva à uma outra dimensão onde seu corpo tenha massa nula ao meu.

Não esqueço a música nem seu corpo. Como faz?

sábado, 21 de maio de 2011

when the sun goes down.

Agora os fins de semana são longos demais para mim. Mal cabe no meu destino passar tanto tempo em uma espera. Não gosto dessa sensação de vazio, de ausência de luz dentro de mim.

Quando as horas passam e eu não saio do lugar, quando não tiro o pé do chão um minuto se quer, me pego pensando no que resume-se minha vida. As pequenas coisas em que me ocupo não são o suficiente para preencher a alma. Fico sem saber para onde ir, apática ao ponto de esquecer meu próprio corpo em alguns lugares.

Mal completo frases, nem sei como explicar como vim parar aqui nesse pedaço de terra, do lado de cá do mar. Quem dirá como explicar a magnanimidade de outras criaturas mais complexas que eu mesma que se colocam na minha frente e me olham nos olhos, me encaram, me intimidam de propósito só parar sentir o sabor da minha insegurança.

Para que tanta insistência nos meus olhos? Um feitiço, talvez? Depois de você, perco os sentidos. Depois de você, os dias não passam. Depois de você, o vazio ganha forma. Depois de você o mundo fica numa pausa. Depois de você, eu não sei por onde recomeçar.

Já não fazia sentido algum resistir à própria existência. Depois de você.. mal espero pela segunda-feira.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Juliana Mente.

Juliana acredita na imensidão de sua força e que controla qualquer sentimento ou sensação dentro de si. Sabe que é mentira, falso testemunho, mas tenta convencer no papel de "fortaleza real". Ela não aceita as próprias fraquezas, que na verdade, não passam da sua face mais bela.

Quando morde a língua, fica tão humana, perdida numa cara de tola abobalhada, rosada, tão viva e ingênua! Juliana e seus detalhes mais delicados... É quando erra que a menina usa licença poética e diz que não erra; que tudo faz parte do seu espetáculo, incluindo as quedas.

Juliana diz por aí que nunca se apaixonara por ninguém. Que no máximo, ficara encantada pela cor dos olhos de alguns rapazes na rua. Mentira de novo. Essa menina vive de pregar peças! Queima a língua ao esquecer que cada palavra vazada de seus lábios vermelhos passeia pelas dimensões e ecoa na eternidade. Ninguém há de esquecer o que Juliana diz. Nada há de escapar aos ouvidos da humanidade.

Outro dia ela entrou em contradição:
'' - Eu não sei gostar pouco. Gosto por demais, amando ao avesso!''

Está vendo? Diz que não se apaixona e alega que ama! Essa guria é a melhor farsa já construída. Nem sabe o que é amor e fala como se compreendesse tudo! Quantas mentiras serão ditas por esse poço de fantasias? Ela realmente acha que a verdade, a realidade completa provem de sua imaginação? Ela acredita em si demais demais. Juliana cria a desordem numa sobreposição de sensações abiloladas! É o único detalhe puro que sabe-se sobre Ju. Do resto, nada se tem certeza. Ou é mentira ou é invenção de sua cabeça.

Ela me passa a perna, sorri e depois mostra a língua. Juliana recria demais demais demais. Ainda não se sabe o que seu coração de criança já sentiu. Mais sei que sentiu.

Agora tenho um urgência maior que a própria vida: Espero entender essa confusão em forma de gente antes que ela me prenda no mundo dela!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em Tebas rola isso e mais um pouco.

E quando a Esfinge se olha no espelho, o que acontece? Ela lança o enigma na própria imagem ou fica estupefata pela figura dos lindos olhos marcados?
Melhor: Se a Esfinge encontra mais do mesmo ao se ver com todas as cores possíveis, corre sem rumo ou estagna no tempo?
Ainda mais: e se a Esfinge se descobre o próprio Enigma? A Esfinge cria o enigma, cospe o enigma, se transforma numa codificação quase genética e vira O Enigma.
Eu tenho a habilidade de passar horas a fio descrevendo minha curiosidade sobre tal encanto. Dois pesos tão únicos serem um só. E o que acontece, me diz?
Eu sou Esfinge desde os primórdios. Nem sabia, mas me batizaram assim.
Você sabe o que esfinges fazem? Deixam a dúvida pairar no ar. Têm o poder nas mãos. Elas lançam perguntas ao fim de desafiar a sagacidade de um mundo inteiro.
Então vem você, um enigma que não criei, não saiu de mim, um fruto desconhecido que não fiz com palavras, mas me surgiu sem pudor algum em carne, osso e força com a audácia mor de peitar minha soberania!
Eu rio. Eu acho graça das curvas e das esquinas. Eu acho graça nas curvas e nas esquinas ao tentar entender como te deram a luz.
Pela primeira vez o Enigma me devora.
E eu acho isso o máximo. Não deveria, mas acho.
Eu era o ápice; depois de você; a queda.
No chão me sinto bem leve. Nele te observo de outros ângulos tentando te decifrar.
De fato, esse enigma ainda segue derrubando a moral da bruxa zombeteira que circula no interior da Esfinge. Quem sabe eu não te leio em entrelinhas, um dia não é?
Enquanto isso, nos divertimos na cidade de Tebas.

domingo, 24 de abril de 2011

Juliana recria.

Quem se prende na sua teia costuma relatar detalhes que nem Ju sabe sobre a existência. Uns dizem que ela é o próprio enigma da Esfinge, outros, que fala sereno, mas que se atropela em pensamentos, e há uns que notam suas sobrancelhas de trigo. Também dizem sobre sua cara de praia, sua pouca idade, seus amigos estranhos, porém fiéis. O mundo inteiro gira por Juliana, que ainda dita a sincronia.

Somente de uma coisa tem plena convicção: Consegue o que quer antes mesmo de desejar. E quando não consegue o que quer, não tem outra alternativa além de se apaixonar. Ela tem a mania do improvável e ainda não sabe disso. Segue o coração que diz que não sabe, mas é segredo.

Em outras palavras, quero dizer que estamos de frente à uma dualidade. Temos a incerteza dentro da certeza e o improvável dentro das mil possibilidades que Juliana cria. Ela se completa com o próprio reflexo no espelho. Essa menina une os opostos na boca, mastiga com os dentes de ouro e com vontade.

Desce tudo para o seu estômago pequeno que digere a massificação rapidamente. Juliana degrada a realidade em pedaços bem distintos, os quais põe na ordem que bem entender. Busca o pedaçinho premiado, onde deixou escapar o último sorriso. Nele, há uma lembrança de um outro par. Essa história é para mais tarde, quando a compreendermos melhor (se isso for possível).

O fato é que as tardes correm enquanto Ju faz escolhas e se apaixona por coisas sem sentindo algum. E se não ficar de bom agrado, ela recria toda a realidade num piscar de olhos.