domingo, 19 de dezembro de 2010

Acho graça do meu próprio infortúnio.

- Mas então.. a gente tem que aproveitar as pessoas que cruzam nosso caminho e usufruir das oportunidades da vida, não acha?
- É, érr... então o que você aproveitou de mim durante todo esse tempo?

(pausa para pesar os dias)

- Você é um bom moço...
- Sabe por que é tão difícil dar adeus? Porque cada pessoa pelo caminho é um pedaço da gente arrancado; se desfazer de um pedaço nosso é doloroso. E você.. incrivelmente, é o meu maior pedaço...

(pausa para pensar como isso poderia ser bonito, se não fosse trágico)

- Porque você cismou comigo!?
- Nossa! Não é cisma! Você fala tanto de amor que até convence ser uma boa entendedora. Pelo visto, mente bem...

(pausa para falar alguma frase mais óbvia e menos surpreendente no intuito de diminuir a tensão)

- Pelo visto eu não tenho gratidão com as pessoas que me estendem a mão..
- Érr.. ér.. eu, eu.. eu só queria passar mais tempo contigo. Eu te conheço. Te conheço pausadamente. Eu te conheço pouco o suficiente...
- Uhm.
- Foi errado eu dizer que te amo?


(pausa sem reação)

- Errado não. Nulo.
- Então, eu não estou no seu caminho?
- Nulo.
- Eu sou um inútil?
- Eu não disse inútil... entenda: Nulo.

E pela primeira vez a maior parte do diálogo veio do lado de lá e apesar do drama, as palavras fizeram o seu serviço. Com peso, com direção, convicção.

Mas ainda penso que não podemos ter tudo aquilo que desejamos...
Mas fatídico.

Um comentário:

Iago Barreto disse...

Imaginei concretamente como isso se procedeu..