quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Último post de 2010.

2010 pode ser classificado como o ano mais complicado e circular de todos os anos desde que eu tenho vida. Foi muito difícil para mim distinguir o certo e o errado sem anestesiar as situações. É, sem anestesia local. Dessa vez eu não estava embebida por nenhuma substância que compromete os neurônios. As coisas se sucederam incrivelmente na flor da pele, como sempre deve ser, na verdade! E todas as pessoas (com caráter ou não) que eu conheci, os lugares, as noites, as sensações.. tudo me faz rir loucamente! Rir demais, porque eu adoro cruzar vidas alheias na minha nem que seja para dar uma grande merda!

É assim que a gente tece nossa história. Eu me sinto muito satisfeita com o que eu construí até aqui. Talvez alguns desvios notórios ou algumas palavras ditas em hora errada que não devem ser engolidas por ninguém ou até mesmo aquilo (e aqueles!) que foi deixado pelo caminho possam ter marcado 2010 de uma maneira negativa, mas apesar desses detalhes, valeu a pena.

Encontrei num livro que estou lendo, um trecho que se encaixa perfeitamente com o que quero expressar por aqui:

''(...) Aschenbach já dissera uma vez, expressamente, embora numa passagem de pouco realce, que quase tudo que existe de grandioso existe como um ''apesar de'', ou seja, algo que se realizou apesar de preocupações e tormentos, apesar da pobreza, do abandono, da fragilidade física, do vício, da paixão e de mil outros obstáculos. E isso era mais que uma simples observação, era uma vivência, era justamente a fórmula de sua vida e do seu sucesso, a chave de sua obra.''

Morte em Veneza - Thomas Mann
Cap. 2 - p. 19

O ano de 2010 fora grandioso no exato momento do ''apesar de''. Os pesares deram o brilho e a grandiosidade dos feitos nesse ano. Acho que fiz o meu melhor, da melhor maneira. Eu sei que o mundo não vai acabar, e depois do dia 31 o dia 01 segue de uma maneira usual, normal, sem nenhuma pausa. Ninguém vai voltar a fita, não vamos reiniciar como um computador; simplesmente, vamos dar continuidade ao que está sendo feito a anos. Mas o que custa celebrar a ilusão de vida nova, não é? Essa suposta reinvenção faz bem para a alma e para a mente, afinal.

Espero que todos tenham a mesma sensação nostálgica e feliz que eu estou tendo nesses últimos dias do ano. Satisfeitos ou não, desejo um 2011 da cor do sol e tão intenso quanto o próprio, leve como a brisa do vento e divertido como o mar!

p.s: Agradeço loucamente a todos os comentários, e-mails, mensagens, recados e similares, quais elogiavam o Decifra-me. Esse ano vocês foram muito lindos comigo! Obrigada por tudo! Que mais um ano venha repleto de enigmas para decifrarmos juntos! Beijo!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Duplicando.

- Eu estou puto com você!
- Tanto quanto eu estou com saudade de você?
- Tô falando sério. Tô muito, muito puto.
- E eu tô com muita, muita falta.
- Acho que a gente já sabe o que vai fazer por aqui..
- Beijar? Abraçar?
- Seguir rumos distintos...
- Então a saudade vai duplicar...

E cheia de boas intenções, Renata toma no cu mais uma vez.
São sempre os mesmos fins.

Mas pera aí, afinal; o que é o fim para mim?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Acho graça do meu próprio infortúnio.

- Mas então.. a gente tem que aproveitar as pessoas que cruzam nosso caminho e usufruir das oportunidades da vida, não acha?
- É, érr... então o que você aproveitou de mim durante todo esse tempo?

(pausa para pesar os dias)

- Você é um bom moço...
- Sabe por que é tão difícil dar adeus? Porque cada pessoa pelo caminho é um pedaço da gente arrancado; se desfazer de um pedaço nosso é doloroso. E você.. incrivelmente, é o meu maior pedaço...

(pausa para pensar como isso poderia ser bonito, se não fosse trágico)

- Porque você cismou comigo!?
- Nossa! Não é cisma! Você fala tanto de amor que até convence ser uma boa entendedora. Pelo visto, mente bem...

(pausa para falar alguma frase mais óbvia e menos surpreendente no intuito de diminuir a tensão)

- Pelo visto eu não tenho gratidão com as pessoas que me estendem a mão..
- Érr.. ér.. eu, eu.. eu só queria passar mais tempo contigo. Eu te conheço. Te conheço pausadamente. Eu te conheço pouco o suficiente...
- Uhm.
- Foi errado eu dizer que te amo?


(pausa sem reação)

- Errado não. Nulo.
- Então, eu não estou no seu caminho?
- Nulo.
- Eu sou um inútil?
- Eu não disse inútil... entenda: Nulo.

E pela primeira vez a maior parte do diálogo veio do lado de lá e apesar do drama, as palavras fizeram o seu serviço. Com peso, com direção, convicção.

Mas ainda penso que não podemos ter tudo aquilo que desejamos...
Mas fatídico.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alice.

''Um grande amor não é possível. Talvez por isso, é que ele seja grande; para que caiba no impossível.''

Qual a diferença entre o dia e a noite no mundo de Alice?
Que mistério guarda aqueles olhos grandes?
E qual fantasia será realizada no país das maravilhas?
Quantos códigos preciso decifrar para tê-la menos em segredo?
É uma voz que ecoa pelos quatro ventos, viaja pelo mundo, e chega à mim. Chega em Alice, fazendo cócegas em suas orelhas, e volta para mim. Desvendar um amor tão profundo, além de exaustivo, é por lei universal e tridimensional, uma impossibilidade. Impossível, pois nenhum encanto pode ser desfeito pela lógica.

E eu mandarei cinzas de rosas...

Peço desculpas pela falta de competência quando me ponho em palavras faladas, susurradas em pausas sem uma ordem certa de frase com sentido real. Peço desculpas sinceras se não sei me expor em regras claras, sequenciais, óbvias para quem quer trabalhar com idéias mais explícitas.

Ridículo é ter que viver atrás de manuscritos antigos para se auto-afirmar. Viver do retrocesso; apesar do paradoxo. Então não sei em que tempo, em que ano participo; não sei se é realidade ou criação da minha mente; não compreendo o espaço real e assim, atraso o ponteiro dos relógios naturais.

Se confundo a ordem dos acontecimentos é por não ter o que dizer. Se me engano com trava-línguas é por insegurança de quem fecha os olhos para espelhos. Se eu não me encaixo em nenhum dos requisitos... deixa estar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Refrão de um Bolero...

Minha percepção é tão frágil quanto as pétalas das flores mais diversas. Eu, que ponho tanta firmeza e veracidade em cada palavra solta, por mais frouxa que seja, não sei viver dessa massa de concreto. Sempre acabo atirado aos braços de quem mais me convida ao pecado, como alguém não tão decidido e firme assim.

Certo ou errado, é sobre essa vontade; tentativas frustradas de fazer algo enfim dar certo. É um desejo descomunal que provoca rachaduras por todo meu corpo e pelas histórias que eu conto.

Vontade de não me esquivar dos acasos, das controvérsias, dos paradoxos que costumam rondar a vida de quem finge não querer se envolver com a fragilidade das rosas.

Eu não me entendo em palavras, em sonhos ou conversas com o psicólogo. Mas a cada esquina algo novo me acontece e eu questiono: preciso aprender quanto sobre mim para me sentir seguro?

Então vem o silêncio.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

oito de dezembro.



''You may say, I'm a dreamer, but I'm not the only one. I hope some day, you'll join us and the world will as one''

30 anos sem John Lennon.


''Tristeza não tem fim. Felicidade sim. A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala flor; brilha tranquila. Depois de leve, oscila e cai como uma lágrima de amor''

16 anos sem Tom Jobim.

A vida é curta demais, meu amor.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ataraxia.


Ataraxia vem do grego (ataraktos, "imperturbado", onde a = "não"; tarassein, tarak- = "perturbar") sendo traduzido como a ausência de dor. Uma paz de espírito, uma felicidade derivada da virtude que pode ser alcançada de três maneiras básicas:

  • Atendendo-se aos desejos naturais;
  • Ignorando-se os desejos superficiais;
  • Eliminando-se as paixões.

ELIMINANDO-SE AS PAIXÕES. Como manter o espírito em plenitude e arrancar o coração? São ângulos complementares, são coisas que não fazem sentido em mundos distantes. Até porque quando se ama, entregamos corpo, alma, peito e tudo aquilo que ainda tenhamos em mão. No fim, tudo é um só! ''Eliminar'' é um verbo ligado a uma obscuridão tamanha! Não posso por numa sentença duas palavras tão distintas e inimigas. Eliminar não serve acompanhado de paixão.

Mas se é tão necessário para o equilíbrio do ser... acato as ordens. Quer dizer, no mínimo tentamos fazê-lo. Por mais doloroso e cruel que seja se desfazer de um sentimento tão nobre que poucas vezes na vida nasce no nosso peito, fazemos para a salvação da alma. Se mãos divinas não alcançam as cicatrizes do interior, que eu mesmo cuide de mim, cure meus males, feche as feridas, como um fígado no seu processo de regeneração. Não faz sentido na minha cabeça começar uma vida por esses fins, porém que assim seja, pelo meu melhor.

A partir de hoje, em nome do Pai, do Filho e de todos os Santos, prometo não falar, em hipótese alguma, sobre paixão, saudade, vontade, sonhos e planos relacionados ao grande amor da minha vida. Para um resultado positivo dessa nova filosofia de vida, precisamos cortar o mal pela raíz. Eliminemos a paixão, então.

Tudo passa... sempre foi a lei da vida. Pelo menos, da minha.

sábado, 4 de dezembro de 2010

São as pequenas coisas que a gente nunca esquece.


Então sua foto no quadro dos melhores funcionários do mês se torna minha única companhia. É com ela que eu converso todos os dias na sua ausência; ausência essa que está mais presente do que nunca. Como posso me manter num lugar, sufocada pelas paredes amarelas, sem ter você sob meu alcance?

Agora num cargo melhor, agora num espaço melhor, me deixou para trás como se eu fosse uma roupa velha e surrada. Você não quis me dar nenhum ''tchau sorriso meia boca'' para eu guardar no bolso. Na verdade, se me mandasse rosas e declarações, ainda assim eu não saberia o que fazer com a despedida. Não quero aprender um tchau.

Se eu falar sobre isso com alguém, eu gaguejo. Se gaguejo, eu choro. Prefiro então afogar essa história nas minhas veias tão cheias de sangue e fazer cara de quem comeu e não gostou, como você mesmo disse uma vez! Ríamos tanto dessa suposta cara! Lembro bem quando pôs para fora essa frase épica!Eu havia colocado uma música apaixonante (ou apaixonada) da minha banda preferida na sua sala e você ainda na cozinha, gritava para abaixar a altura do som ''insuportável'', porque a voz daquele cara era de QUEM COMEU E NÃO GOSTOU! hahaha! Desde então, qualquer música romântica suficientemente para nos tirar o fôlego tem essa cara.

Desde então, qualquer coisa que me faça rir fácil tem a sua cara. Mas agora sinto a solidão me bater a porta num ritmo cada vez mais acelerado e eu acompanho, ao marcar o tempo dessa nova música ''cara de quem comeu e não gostou'' com o meu coração. Bate, bate, bate tanto que me faltar o ar! E você de tão longe nem consegue notar, não é!? Responda longinquamente e aí, as palavras vão se dissipar no ar que me falta e eu terei, enfim algo seu em mim! ah que delícia tal posse!

Acho que estou sentindo tanta sua falta que começo a ter um leve distúrbio, algum problema mental, algo relacionado a minha concentração. Se a saudade me tomar por completa, além da minha cabeça, espero que ela me leve a você num tele-transporte, como numa morte, mas que eu fique feliz. E se essa saudade transbordar, que ela seja suficiente e sirva para nós dois como um elo de ligação eterna. E se ela me enlouquecer deveras, que eu perca o emprego para poder ter mais tempo de pensar em você no dia!

Ah, caso realmente a última citação venha a acontecer, levarei a foto para que a conversação seja mais real; por mim e por ti também.