quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Abrir os Olhos.


Eu tenho cara de estrela de seis pontas e você tem cara de pôr-do-sol na beira mar. A gente se encontra num dado momento no céu ou foge um do outro nesse ciclo vicioso do dia-a-dia? Nem precisa responder; basta olhar o horizonte. Você sem mim, eu sem você, a gente sem uma parte do outro. Então a noite chega e tudo vira breu, não é?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Budapeste.


''E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, meu deu de beber a água com que havia lavado sua blusa.''



Eu era um jovem louco e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Tereza. Ao ouvir cantar Tereza, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era meu, e foi na batata da perna de Tereza que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio, ela gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Tereza. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Tereza, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever em suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a outras colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saiam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.


Chico Buarque, Budapeste. P. 38-40
Romance, Companhia das Letras.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cela.



O vazio mais alto fala
Quando minha voz engasga no caminho.
O vazio se repete na alma
Quando não ponho para fora o meu riso.
Ele machuca meus tornozelos
Quando fico na cara do desprezo
Sem graça, sem choro,
Entre as grades frias
Observando o poente
Por mais um dia.


Um verso que não entendo como senti.



Tu perguntas: '' como andas? ''
E respondo-te: '' muito bem ''
porém, melhor seria se tu perguntasse: '' como se sente? ''
pois então responderia sem hesitar:
'' Me sinto querendo ser o seu bem.''
São desejos que me matam.
Saudades que me transbordam.


O que me consola é que..tudo passa.
é a lei da vida, não é!?

:)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Orgulho de ser Nordestino!




Vão a merda todos vocês!

Acho que nunca vi tanta barbaridade e tolice reunidos numa só página! É uma decepção como brasileira ver que tem gente com tal pensamento retrógrado reunidos para ofender e difamar uma parcela da população com o intuito de achar um culpado para o lixo que é nossa política.

Na verdade, eu não vou perder meu tempo expondo o que eu penso sobre essa atitude ridícula.
Não é necessário nenhuma palavra a mais para quem tem respeito ou consciência. Porém...

Não foram os Nordestinos que elegeram o Tiririca.
Foi mal ae.

#ORGULHODESERNORDESTINO


''De acordo com o sociólogo Paulo Décio, os comentários são herança da ditadura militar, quando a democracia não tinha vez. Décio classifica os autores dos xingamentos como "pessoas limitadas que apenas conseguem pensar em poucos caracteres". O sociólogo referiu-se ao fato de que no Twitter, apenas pequenos comentários são permitidos.

"Isso é um preconceito lamentável. A democracia se encarregará de extirpar esse tipo de coisa. É algo racional e absurdo. São comentários movidos pelo ódio de gerações que nem tem conhecimento da história política do Brasil", opinou o sociólogo.

Para Décio, os ataques xenofóbicos, na verdade, são uma nova versão do preconceito classistas contra os nordestinos que saem de casa para tentar a sorte em grandes centros, como São Paulo.
"Isso é uma aversão contra a autonomia das pessoas. A democracia tem que aceitar a derrota", finalizou.

Orgulho de ser nordestino

Contra os ataques xenofóbicos foi criado um fórum de discussão “Orgulho de ser nordestino”. Nele, não apenas nordestinos se mostraram contrários aos xingamentos, mas também pessoas de outras regiões do Brasil condenaram os ataques postados no Twitter.

Lei

A Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989, que trata de crimes xenofóbicos, em seu artigo 1º (com a redação determinada pela Lei nº 9.459, de 13 de março de 1997), diz que "serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

Os delitos tipificados por esta lei englobam a conduta de segregar estrangeiros, que vem a ser delito inafiançável e imprescritível (Constituição da República, artigo 5º, inciso XLII).''


FONTE: http://www.correiodopovo-al.com.br