sábado, 23 de outubro de 2010

''LIBERDADE DEMAIS SUFOCA''

Sempre achei que no dia em que eu encontrasse o conceito de liberdade absoluta, seria feliz. Todo aquele discurso sobre uma utópica reforma ética e moral, os valores cheios de sentindo e verdade no mundo de cada um, a lembrança do ''do it yourself'' e ''eu quero ver o oco'', os atos sem consequências que ninguém precisava se importar ou ver, tudo me veio como um tridente de Netuno rasgando o meu peito depois que dei de cara com a liberdade.

Essa liberdade é cruel, abusiva e burra. Extremamente burra! Porque eu procurei por ela por todos os dias da minha vida e quando a encontro, ela me quer mal demais. Ela me encarou de frente, disse que não se importava com o tempo que levei a vagar sozinha de esquina em esquina procurando-a, querendo-a. E isso foi um tiro na minha testa, uma rasteira que eu não esperava.

Essa liberdade brincou com a minha cara todas as vezes que atravessou minha vida e fugiu. Chutou minha bunda inúmeras vezes para mostrar que eu sou fraca demais e não consigo contê-la. Cuspiu em mim, xingou alto e eu não quis escutar. Não quis ficar para presenciar tanta humilhação. Mas quando eu me escondo dela, ela me acha. Quando eu procuro ela, ela some. Ela quer é fuder comigo que eu sei.

Da última vez que ficamos cara a cara ela me disse com os olhos: tenha calma e eu serei sua. E eu tive calma. E ela foi minha. E me arrasou de uma maneira sem igual. Descobri, então, que não nasci para ela.

Descobri que não nasci para liberdade depois de uma longa caminhada.
Descobri o inadimicível.

Ela não é aquilo que eu queria. Me enganei esse tempo todo ao idealizar o corpo e a alma liberta e feliz. Quando encontrei com algo que não pode partir sem mais nem menos com toda a liberdade, eu não consegui lembrar dos meus antigos valores. Eu não podia praticar o desapego com aquilo que era primordial para mim. Não podia me desfazer, nem posso. É um estado eterno um tanto quanto mutável. É minha outra face tomando forma e assustando o ego.

Com que cara eu posso dar adeus ao espelho e me enxergar nos olhos da alma de outro? E os meus discursos.. e meus valores.. é tudo uma confusão dentro do meu mundo. O passado e o futuro se enfrentam dentro da minha mente com a finalidade de me fazer escolher um rumo. O que eu quero versus O que eu sou.

E eu aceito, calo e assisto tudo como uma comédia romântica porque sou criança demais para negar um doce.

9 comentários:

Leo'Brasil disse...

Seja livre !
seja livre da propria Liberdade...

giu batista disse...

a gente até tenta, mas tem muita coisa que não permite.


'' é uma merda, eu sei, não dá pra ser gentil ''

Liz Gimenez. disse...

Se renda a alguma outra verdade que não a que essa tal liberdade foi a unica razão pra te deixar assim. Presa, de alguma forma.

Giu, sempre com seus belos posts. :*

Lili-th disse...

Hihi, Giuzinha achou um livro do Sartre na estante! Gostei do post... :3

giu batista disse...

acredita que eu nunca li nada dele!? Pelo menos, não lembro.

brigada, chewieeeee

nem acredito que tu tá visitando o decifra-me! tu é tão ingrata.. nunca visita nem comenta! :(

hahaha

mas eu te perdoo!

peeixa disse...

putz, garota tu se garante escrevendo. De onde sai tanta inspiração? :O
Parabéns.

giu batista disse...

peeixa, muito obrigada pelo comentário, moça!

muita gentileza de sua parte..

e inspiração!? mlr, nem eu sei de onde eu tiro tanta viagem! UAHSUAHUSHSAUS :XX

valeu, viu!

até mais!

peeixa disse...

oieoeioeioeieoie. denada.
ei percebi que tu é fã de Clarice Lispector. Também amo ela. *.*
Continue escrevendo assim viu? Quando sair teu livro que um autógrafo ok? ushuahsuahuas. ;;'

giu batista disse...

sou fã sim! minha musa! fatão! *-*

e pode deixar.. autográfo tudooo!

UAHSUSHSUSHSUSH

;)