domingo, 3 de outubro de 2010

Fotos.


Eu pego um papel e um lápis verde para desenhar seu nome com a minha melhor letra, aquela grande e pintada com delicadeza, como se fosse tatuagem. Eu suspiro ao fazer flores coloridas a partir da sua primeira letra e te imagino vendo essa cena, rindo do meu riso bobo só por escrever seu nome mil vezes seguidas.

Eu fecho os olhos e volto no tempo para alcançar sua boca e mexo os cabelos para simular a sensação de ter suas mãos comigo. Eu lembro do toque dos seus lábios finos beijando meu rosto, meus olhos, minha testa suada, meus seios pequenos. Sinto a luz do sol na nossa pele e fico vermelha ao pensar que você pode está notando minhas pernas que não sabem onde ficar, minhas mãos que não sabem por onde passear. Depois você me ensina que tudo isso é bobagem e que eu vou aprender com o tempo, que é natural.

Num instante mudo de temperamento e você pergunta o que diabos acontece na minha cabeça. É que eu cismo em achar que você é cruel comigo, que você exige demais das minhas possibilidades. Eu sou tão insegura e você não tem menor pena disso, não é verdade? Mas eu relaxo. No fim, saber que tenho você me faz esquecer todo o drama e com graça, seus olhos cor do sol fixados nos meus convencem qualquer anseio. Minha cabeça volta ao normal, tudo melhora e eu vejo que não é o fim, por que você sempre sabe o que me dizer.

Eu brinco com sua boca bem delineada tremendo, pingando sangue e saboreando meu queixo. Tiro fotos mentais de cada ângulo que compõe seu riso. Eu tiro fotos para guardar na memória o quanto você me fez feliz. Eu só tiro fotos para ficar assim, voltando no tempo quando sinto saudades do seu endereço.

Só preciso te ter dentro de mim e por isso, lembro.


créditos fotográficos:

2 comentários:

Lego disse...

Fazia tempo que não lia algo tão interessante em blogs. É um texto lindo e bem escrito (atribuições que nem sempre andam juntas). Por que você escreve? Quando você diz
"É que eu cismo em achar que você é cruel comigo..." parece tão natural e feminino. Faz lembra o Chico no leite derramado falando da esposa do Eulálio (não lembro o nome agora). Já leu? Ler seu texto, que parece ter temperatura, trás infinitos comentários à mente! E perguntas também. Ótimo blog!

giu batista disse...

eu não consigo colocar em palavras minha satisfação em ver esse comentário por aqui.

:)