quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pele.



A minha pele toca na tua, que é só tua, para tentar transformar em minha e tua pele toca involuntariamente na minha sem saber do meu desejo de fazer tudo em um só. Nesse atrito, dentro desse vai-e-vem infinito e desajeitado a gente se toca, a gente troca células mortas, a gente abusa do magnetismo das palmas das mãos para me fazer feliz.

E quanto mais eu puder ficar em contato com sua pele branca, limpa, nobre, cheia de vida, mais eu acredito que posso fazê-la minha e assim aproveito todas as situações, desde de um ''bom dia'' até um ''adeus'' sem graça, sem gosto. Tento pegar e acariciar entre meus dedos finos tua epiderme que se torna cada vez mais alcançável à minhas mãos.

Tudo teu escorrega nas minhas palmas que não têm muita habilidade em te ter por inteiro, porém, eu tento. Invento maneiras de ficar por perto e abarcar esse lindo saquinho de ossos a toda custa. Eu namoro teu revestimento de longe na iminência de te tocar pelo tempo que for necessário e me convenço que sua vida é vital para mim também.

A singularidade do teu corpo me instiga a te alcançar, mesmo que demore, mesmo que venha a doer em mim, mas eu acredito cegamente que vou te ter em pele por todos os dias da minha vida.

2 comentários:

Joao B disse...

O mais profundo é a pele! Talvez dissesse Cortázar. Belo texto.

Agora venho sempre visitar o teu Blog, a essa hora hedionda, até que minha edição de O jogo da amarelinha, encomendada há tempos, não chegue.

giu batista disse...

rsrsrs!

e eu fico muito satisfeita com isso! ;) hehehe

a gente se conhece?? ;O

beijão!

obrigada!