quarta-feira, 7 de julho de 2010

Janelas.

Eu gosto das janelas alheias; são sempre baixas, altas, grandes, minúsculas, bonitas, sujas e ainda têm uma vista diferente dependendo do local. Eu me sinto melhor ao vento de outra janela que não seja a minha. É cena de filme, fim de novela, trecho de livro quando se ama. São caracterizadas por não serem iguais em hipótese alguma e assim sendo, expressam sensações diferentes o tempo todo.

Quando estou debruçada nas janelas que encontro no caminho fico leve ao ponto de sair do meu corpo encontrando nuvens bem cinzas mesmo não tão longe dali. Procuro essa impressão a todo custo por cada dia da minha vida coma a finalidade da libertação mundana. As vezes me perco nas ruas, propositalmente, para encontrar uma casa que me receba num tom diferente e que me ensine a me por sobre janelas mais altas.

Janelas com vista para o mar, com vista para a favela, para a rede elétrica. Não me importo em ter a paisagem mais agradável aos olhos por que só tenho olhos para o meu interior latente. Eu sonho em voar como Otto, mas sou Maga. Lúcia tão Maga. Sou de sonhos e carne e não posso voar como os passáros que admiro da janela daquele que eu amo. Aquele quem eu amo tem uma janela de vidro que me impede tocar no vento, sentir as estrelas e conversar com a lua. Aquele que eu amo só permite eu olhar para ele. Mas ele não tem cara de janela de beira-mar, não.

Um comentário:

Lego disse...

"De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas.

- Ou as perguntas que nos colocamos para nos obrigar a responder, como Tebas na boca da Esfinge."