quinta-feira, 3 de junho de 2010

Philia.

"eternamente é palavra muito dura: tem um T granítico no meio. Eternidade: pois tudo o que é nunca começou. Minha pequena cabeça tão limitada estala ao pensar em alguma coisa que não começa e não termina — porque assim é o eterno"

Eu não sei viver de momentos muito longos. Até na felicidade eu ponho defeito. O bom da felicidade é que ela é mais momentânea que eu e assim sendo, busco-a incessantemente para o tédio não me ganhar. Sou temporária até nos meus amores e isso me faz bem. Se meus estados físicos e psicológicos são diversos entre si, imagine meu coração? Ele brinca de faz-de-conta a toda hora. Meu coração não para de renovar amores e criar paixões. Isso me faz bem.

O desapego me rende experiências incríveis, coisas absurdas, surreais, tão intensas que canso ao tentar detalhá-las aqui. Prefiro assim, entende? Acho que meu coração tem medo de encontrar a paz e estabiliza-se numa felicidade longa, contentar-se com a sistematização do bem-estar, manter-se batendo em função de um único ser. Não me reconheceria em mim se me apaixona-se por um único homem. Eu gosto de amar vários, amar todos, amar os diversos.

Acho que amo o mundo inteiro dentro de mim e fora também. Transbordo de amores por todos os lados, mas nem assim consigo me manter amante por muito tempo. Às vezes eu sou a megera da história para não cair no abismo da eternidade. Sou infiel com minha alma para não ser dominada pelos suas fraquezas e ceder suas vontades. A vontade da minha alma é encontrar a serenidade, já a minha, é ser um vulto no tempo.

Minha confusão surge quando eu não sei diferenciar a voz que fala mais alto: a minha ou da minha alma. São vozes com a mesma nascente e tons parecidos. Vozes no mesmo corpo confundem, obviamente, concorda? Nem sempre sei quem quer o que e então vivo numa constante odisséia. Isso me faz bem, não acha? Pelo menos é odisséia, não eternidade.

4 comentários:

Leo'Brasil disse...

Philia: "os amantes novos".
Sabia que Aristóteles define de forma bem interessante e diria também oportuna? :D
Como: "querendo para alguém o que se pensa de bom, e por sua causa e não pelas nossas próprias, e assim estar inclinado, TAO TEMPO QUANTO PUDER, fazer tais coisas por ele". É interessante porque traduz o que uma pessoa sente (tu), e isso já é incrível...
Eu te entendo em certas coisas... Como colocar defeito até na felicidade... Se eu estou plenamente feliz, eu me pergunto o porquê, e sei que é apenas momentâneo, que a qualquer hora, qualquer coisa pode arrancá-la de mim.
Eu também me apaixono(ei) por varias... Mas entre uma delas, esta a qual sinto mais fortemente, o que a torna, de certa forma, a única paixão. Entende esse paradoxo? Hehe’

giu batista disse...

entendo, sim.

mas só uma correção:
não tô falando de mim no post.
rsrs.

Leonardo disse...

Tipo, fiquei na merda. :S

giu batista disse...

?