terça-feira, 4 de maio de 2010

lagartinha

Tão singela sobre o lençol branco, eu a encontrei. Era de delicadeza ímpar, corpo frágil, vida fracionária. Meus olhos rutilantes maravilharam-se ao notar os encantos desse ser que, como diz o poeta, é uma metamorfose ambulante, no sentido literal da palavra.

Nessa condição, senti meu instinto humano falar ao ouvido: Toque-a. Busque-a. E assim fiz. A sensibilidade de seu corpo sob meus dedos, a pressão que eu fazia no seu casulo, tudo assustava a pobre criatura. ''De onde tu surgistes?'' Eu me perguntava, pois agora a pouco, cá estava eu, na minha solidão incontida, desumana, desajustada e repentinamente aparece um ser vivo ao lado. Achei no mínimo estranho; no mínimo interessante.

Tão perplexo fiquei que não consegui segurar minha face curiosa e passei a brincar com a sua ingenuidade. A criatura desorientada permitiu meus atos maliciosos. Na sua cabeça não pensante surgiu o desespero do abandono, e eu, bom samaritano que sou, não titubeei: arremessei o corpinho no chão, dizendo: '' Mais uma morrera ao cair no precipício da minha cama''.

E assim se foi.

[\baseado em fatos reais.
-q

4 comentários:

Leonardo disse...

"baseado em fatos reais" HAHA' [zine,uhm}.

Gostei demais... Otima Metafora.

[L'B

Anônimo disse...

haha, ficou massa! de certa forma combina bem contigo, quase auto-biografico! haha
e ficou melhor que o meu, mesmo... :3
ass: lili-th

giu batista disse...

auto-biográfico? ALOKAAA HAHA.
nem é.... (eu acho).
e a tua versão também ta ótima, besta! não é a toa que tá no zine! :*

Sede ao conhecimento. disse...

as duas versoes estão otiiimas! hsushahsuahs, bem a tua cara msm como disse a lilith; ;DD