quarta-feira, 26 de maio de 2010

Aquecimento Global - desde os primórdios


A primeira foto tirada da Terra é do ano de 1968, durante a missão Apollo8, na qual os contornos do planeta estão relativamente claros. Porém nós estamos enchendo de poluição a fina camada da atmosfera e de lá para cá a aparência da Terra vem em constante alteração.

Muitas pessoas pensam que o aquecimento global não é um problema real. São denominados “céticos” e raciocinam da seguinte forma: O planeta é tão grande que é teoricamente impossível haver algum impacto negativo de longa duração no meio ambiente devido a ação humana.

Essa ótica poderia ter nexo no passado, mas hoje em dia tal colocação é imperdoável. Uma das razões para deixar de crer nessa idéia é a vulnerabilidade do sistema ecológico da Terra em relação a atmosfera. A atmosfera é tão frágil que nós podemos alterar sua composição e por isso é tão atingida pelo desenvolvimento tecnológico e armamentista. Isso nos leva a questão básica do aquecimento global.

O aquecimento global é um processo natural, porém tornou-se o principal problema do século XXI. A problemática está na quantidade de poluição emitida e acumulada na atmosfera. A radiação solar na forma de onde de luz aquece a Terra. Parte da radiação absorvida volta para o espaço na forma de radiação infravermelha. Parte dessa radiação infravermelha fica presa na camada da atmosfera e isso é um ponto positivo, pois mantem a temperatura terrestre, tornando o ambiente propício a vida. Porém, esta camada fina está se “engrossando” devido a poluição que a alcança e mais daquela radiação infravermelha fica presa, assim; a atmosfera esquenta o mundo todo.

Al Gore se interessou no assunto por intermédio do seu professor universitário, Roger Revelle, que foi o primeiro homem a propor a medição do dióxido de carbono na atmosfera da Terra. Ele pode prever o fim da história, logo após ler os primeiros capítulos. Em 1957 Roger Revelle contratou Charles Keeling para fazer as medições durante décadas. Então começaram a mandar balões meteorológicos no meio do Pacífico e após alguns anos já obtiveram resultados. Revelle mostrou para a turma da universidade de Al Gore seus estudos. Eles traçaram a relação entre as maiores mudanças de nossa civilização e o padrão (agora visível) da atmosfera. Assim, Revelle fez uma projeção no futuro, onde observou o problema deduzindo o seu ápice se nenhuma atitude fosse tomada.

Nos primeiros 10 anos de observação (1980-1990) notava-se um padrão que estava se desenvolvendo. Al Gore se perguntava: Por que o padrão sobe e desce uma vez por ano? Revelle explicou que a massa da Terra está dividida entre os hemisférios. Há uma pequena parte ao Sul do Equador e o resto está ao Norte; além da maior parte da vegetação também se localizar ao Norte. Quando o hemisférios Norte se inclina para o Sol (como na primavera e verão) as folhas brotam e respiram o dióxido de carbono e sua quantidade na atmosfera diminui. Mas quando o hemisfério Norte se inclina para longe do Sol (como no outono e inverno) as folhas caem e exalam dióxido de carbono e a quantidade na atmosfera volta a subir de novo. É como se a Terra inspirasse e expirasse uma vez por ano.

Al Gore estava tão focado no aquecimento global que em meados de 1970 organizou as primeiras palestras sobre o assunto no Congresso. Em 1984 entrou para o Senado e continuou com conferências científicas na finalidade de discutir o assunto. Escreveu um livrou difundindo a idéia e em 1988 disputou a presidência para aumentar a visibilidade da questão. Em 1992 Al Gore foi para Casa Branca aprovar o imposto sobre o dióxido de Carbono e outras medidas. Em 1997 foi para Kyoto ajudar a criar um protocolo pelo EUA. Em 2000, o presidente Bush prometeu regular as emissões de CO2 (porém, não o fez).

Se for feita uma analise da temperatura num período de mil anos e compararmos com o nível de CO2 de mil anos, nota-se que há uma ligação. Quanto mais dióxido de carbono, mais a temperatura aumenta, pois há maior retenção mais calor do Sol.

Se observarmos os 10 anos mais quentes da história, todos aconteceram da década de 1990 para cá e o ano mais quente de todos foi o de 2005. Muitas mortes ocorreram nesses últimos anos devido ao calor. Uma onde de calor em 2003 matou 35 mil pessoas na Europa. No mesmo ano a Índia chegou a 50 °. No oeste americano muitas cidades bateram o recorde com mais de 38° em média.

O clima da Terra é igual a um grande motor que redistribui calor do Equador para os pólos através das correntes marítimas e eólicas. A temperatura oceânica está sendo afetada, por isso houve tantos furacões, catástrofes naturais, enchentes e etc nas últimas décadas. Uma das catástrofes aconteceu em 2005, quando o furacão Catarina atingiu o Brasil e surpreendeu os cientistas que diziam jamais haver desastres do gênero no Atlântico Sul. Para se ter uma noção, se a Groelândia derreter (e está se encaminhando para isso) aumentaria 6 metros no nível do mar e assim, alagaria muitas cidades. Então, há perigos maiores que ataques terroristas?

Um dos efeitos menos notados do aquecimento global é que ele causa mais precipitações e a maior parte em forma de grandes tempestades localizadas. Como a evaporação dos oceanos mandam toda a umidade para cima, quando as condições de temperatura provocam um temporal, cai chuva em grande quantidade. O aquecimento global evapora os oceanos para “alimentar” as nuvens, mas isso suga a umidade do solo, então a evaporação do solo aumenta com as altas temperaturas.

O Ártico é a região que mais sofre impacto com o aquecimento global. Desde 1957 há medição de espessura e dimensão do local. Mas o resultado, infelizmente, é nada satisfatório. A partir de 1970 há uma diminuição de espessura e dimensão na calota polar do Ártico. Ela diminuiu 40% em 40 anos e estudos mostram que nos próximos 50 ou 70 anos, no verão, a calota terá derretido completamente. Como pode a calota derreter tão rapidamente?

Quando os raios solares atingem o gelo, 90% dele reflete direto para o espaço, como um espelho. Quando atingem o oceano mais de 90% é absorvido e como as águas ao redor esquentam, automaticamente acelera o derretimento do gelo. No momento, a calota polar do Ártico é um espelho gigante para manter a Terra mais fria, mas a medida que ela derrete, o mar aberto recebe energia solar e o acumulo de calor aumenta no Pólo Norte e no oceano Ártico, prejudicando a fauna local.

Nos últimos 25 anos já surgiram mais de 30 doenças causadas por mosquitos, besouros e parasitas que estão sofrendo com as alterações climáticas. As estações do ano estão em constante mudança e assim, influenciam na reprodução e cadeia alimentar das espécies.

Estamos testemunhando uma colisão entre nossa civilização e a Terra. Há três fatores causadores:

- crescimento populacional
- revolução científica e tecnológica
- acomodação
Acompanhe o raciocínio:

velhos hábitos + tecnologia antiga = conseqüências previsíveis.

Velhos hábitos + tecnologia moderna = conseqüências drásticas

Precisamos mudar de postura em relação a natureza. Nossas necessidades e luxos, as guerras bélicas, o crescimento populacional desordenado, a pressão por comida, água, desmatamento, tudo está influenciando o aquecimento global. Ainda há tempo de reverter a situação. Cada um de nós temos parcela de culpa nessa empreitada. Podemos começar dessa maneira:

- Usar aparelhos elétricos eficientes
- Usar produtos com outro tipo de energia
- Ter eficiência no transporte
- Ter tecnologia renovável
- Capturar e armazenar do dióxido de carbono

Segundo estudos, logo estaríamos abaixo da emissão de 1970. Temos tudo o que precisamos para dar o primeiro passo, exceto a vontade política. Nós somos capazes de reverter o problema. Nós somos capazes de lutar e assegurar o futuro. A crise climática tem solução. Está pronto para mudar o modo como você vive?

2 comentários:

Caio disse...

O ser humano já nasce com um poder imenso de destruição temos que saber controlar isso!
O que eu mais gostei do texto porque além de informar tu comentou e propôs solução e eu gosto disso de ti!
Escreve muito!

giu batista disse...

tudo baseado no filme ''Uma verdade inconveniente'' narrado pelo próprio Al Gore.