quarta-feira, 26 de maio de 2010

Aquecimento Global - desde os primórdios


A primeira foto tirada da Terra é do ano de 1968, durante a missão Apollo8, na qual os contornos do planeta estão relativamente claros. Porém nós estamos enchendo de poluição a fina camada da atmosfera e de lá para cá a aparência da Terra vem em constante alteração.

Muitas pessoas pensam que o aquecimento global não é um problema real. São denominados “céticos” e raciocinam da seguinte forma: O planeta é tão grande que é teoricamente impossível haver algum impacto negativo de longa duração no meio ambiente devido a ação humana.

Essa ótica poderia ter nexo no passado, mas hoje em dia tal colocação é imperdoável. Uma das razões para deixar de crer nessa idéia é a vulnerabilidade do sistema ecológico da Terra em relação a atmosfera. A atmosfera é tão frágil que nós podemos alterar sua composição e por isso é tão atingida pelo desenvolvimento tecnológico e armamentista. Isso nos leva a questão básica do aquecimento global.

O aquecimento global é um processo natural, porém tornou-se o principal problema do século XXI. A problemática está na quantidade de poluição emitida e acumulada na atmosfera. A radiação solar na forma de onde de luz aquece a Terra. Parte da radiação absorvida volta para o espaço na forma de radiação infravermelha. Parte dessa radiação infravermelha fica presa na camada da atmosfera e isso é um ponto positivo, pois mantem a temperatura terrestre, tornando o ambiente propício a vida. Porém, esta camada fina está se “engrossando” devido a poluição que a alcança e mais daquela radiação infravermelha fica presa, assim; a atmosfera esquenta o mundo todo.

Al Gore se interessou no assunto por intermédio do seu professor universitário, Roger Revelle, que foi o primeiro homem a propor a medição do dióxido de carbono na atmosfera da Terra. Ele pode prever o fim da história, logo após ler os primeiros capítulos. Em 1957 Roger Revelle contratou Charles Keeling para fazer as medições durante décadas. Então começaram a mandar balões meteorológicos no meio do Pacífico e após alguns anos já obtiveram resultados. Revelle mostrou para a turma da universidade de Al Gore seus estudos. Eles traçaram a relação entre as maiores mudanças de nossa civilização e o padrão (agora visível) da atmosfera. Assim, Revelle fez uma projeção no futuro, onde observou o problema deduzindo o seu ápice se nenhuma atitude fosse tomada.

Nos primeiros 10 anos de observação (1980-1990) notava-se um padrão que estava se desenvolvendo. Al Gore se perguntava: Por que o padrão sobe e desce uma vez por ano? Revelle explicou que a massa da Terra está dividida entre os hemisférios. Há uma pequena parte ao Sul do Equador e o resto está ao Norte; além da maior parte da vegetação também se localizar ao Norte. Quando o hemisférios Norte se inclina para o Sol (como na primavera e verão) as folhas brotam e respiram o dióxido de carbono e sua quantidade na atmosfera diminui. Mas quando o hemisfério Norte se inclina para longe do Sol (como no outono e inverno) as folhas caem e exalam dióxido de carbono e a quantidade na atmosfera volta a subir de novo. É como se a Terra inspirasse e expirasse uma vez por ano.

Al Gore estava tão focado no aquecimento global que em meados de 1970 organizou as primeiras palestras sobre o assunto no Congresso. Em 1984 entrou para o Senado e continuou com conferências científicas na finalidade de discutir o assunto. Escreveu um livrou difundindo a idéia e em 1988 disputou a presidência para aumentar a visibilidade da questão. Em 1992 Al Gore foi para Casa Branca aprovar o imposto sobre o dióxido de Carbono e outras medidas. Em 1997 foi para Kyoto ajudar a criar um protocolo pelo EUA. Em 2000, o presidente Bush prometeu regular as emissões de CO2 (porém, não o fez).

Se for feita uma analise da temperatura num período de mil anos e compararmos com o nível de CO2 de mil anos, nota-se que há uma ligação. Quanto mais dióxido de carbono, mais a temperatura aumenta, pois há maior retenção mais calor do Sol.

Se observarmos os 10 anos mais quentes da história, todos aconteceram da década de 1990 para cá e o ano mais quente de todos foi o de 2005. Muitas mortes ocorreram nesses últimos anos devido ao calor. Uma onde de calor em 2003 matou 35 mil pessoas na Europa. No mesmo ano a Índia chegou a 50 °. No oeste americano muitas cidades bateram o recorde com mais de 38° em média.

O clima da Terra é igual a um grande motor que redistribui calor do Equador para os pólos através das correntes marítimas e eólicas. A temperatura oceânica está sendo afetada, por isso houve tantos furacões, catástrofes naturais, enchentes e etc nas últimas décadas. Uma das catástrofes aconteceu em 2005, quando o furacão Catarina atingiu o Brasil e surpreendeu os cientistas que diziam jamais haver desastres do gênero no Atlântico Sul. Para se ter uma noção, se a Groelândia derreter (e está se encaminhando para isso) aumentaria 6 metros no nível do mar e assim, alagaria muitas cidades. Então, há perigos maiores que ataques terroristas?

Um dos efeitos menos notados do aquecimento global é que ele causa mais precipitações e a maior parte em forma de grandes tempestades localizadas. Como a evaporação dos oceanos mandam toda a umidade para cima, quando as condições de temperatura provocam um temporal, cai chuva em grande quantidade. O aquecimento global evapora os oceanos para “alimentar” as nuvens, mas isso suga a umidade do solo, então a evaporação do solo aumenta com as altas temperaturas.

O Ártico é a região que mais sofre impacto com o aquecimento global. Desde 1957 há medição de espessura e dimensão do local. Mas o resultado, infelizmente, é nada satisfatório. A partir de 1970 há uma diminuição de espessura e dimensão na calota polar do Ártico. Ela diminuiu 40% em 40 anos e estudos mostram que nos próximos 50 ou 70 anos, no verão, a calota terá derretido completamente. Como pode a calota derreter tão rapidamente?

Quando os raios solares atingem o gelo, 90% dele reflete direto para o espaço, como um espelho. Quando atingem o oceano mais de 90% é absorvido e como as águas ao redor esquentam, automaticamente acelera o derretimento do gelo. No momento, a calota polar do Ártico é um espelho gigante para manter a Terra mais fria, mas a medida que ela derrete, o mar aberto recebe energia solar e o acumulo de calor aumenta no Pólo Norte e no oceano Ártico, prejudicando a fauna local.

Nos últimos 25 anos já surgiram mais de 30 doenças causadas por mosquitos, besouros e parasitas que estão sofrendo com as alterações climáticas. As estações do ano estão em constante mudança e assim, influenciam na reprodução e cadeia alimentar das espécies.

Estamos testemunhando uma colisão entre nossa civilização e a Terra. Há três fatores causadores:

- crescimento populacional
- revolução científica e tecnológica
- acomodação
Acompanhe o raciocínio:

velhos hábitos + tecnologia antiga = conseqüências previsíveis.

Velhos hábitos + tecnologia moderna = conseqüências drásticas

Precisamos mudar de postura em relação a natureza. Nossas necessidades e luxos, as guerras bélicas, o crescimento populacional desordenado, a pressão por comida, água, desmatamento, tudo está influenciando o aquecimento global. Ainda há tempo de reverter a situação. Cada um de nós temos parcela de culpa nessa empreitada. Podemos começar dessa maneira:

- Usar aparelhos elétricos eficientes
- Usar produtos com outro tipo de energia
- Ter eficiência no transporte
- Ter tecnologia renovável
- Capturar e armazenar do dióxido de carbono

Segundo estudos, logo estaríamos abaixo da emissão de 1970. Temos tudo o que precisamos para dar o primeiro passo, exceto a vontade política. Nós somos capazes de reverter o problema. Nós somos capazes de lutar e assegurar o futuro. A crise climática tem solução. Está pronto para mudar o modo como você vive?

sábado, 22 de maio de 2010

Júlia




Júlia não queria sofrer pela abandono de Carvoliva. O violeiro vagabundo com seus cabelos encaracolados tão escuros quanto as águas que banham a cidade, fugindo de São Francisco: definitivamente, não era a imagem que ela queria guardar. Seu primeiro e único amor estava indo embora sem ao menos deixar um bilhete no costão. Júlia caia em depressão.

Não era uma mulher bonita, porém muito elegante e assim, atraente. Sabia tocar piano e escrevia poesias. Era a poetisa da cidade e publicava muitos artigos nos jornais. Talvez fosse a única mulher pensante de toda São Francisco e por isso, era tão temida pelos homens. Uma mulher que entendia sobre política, que escrevia poesias e críticas nos jornais, que ousava nas roupas e pintava os cabelos, que defendia ferrenhamente a monarquia e o imperador era uma ameaça a qualquer homem em sã consciência. Talvez Carvoliva pensasse assim. Talvez Carvoliva fosse um grande covarde.

Ele, por várias vezes, jurou amor eterno e dizia ser capaz de enfrentar os boatos da cidade maldosa para ficar com Júlia. Mentiras sinceras não interessam a Júlia. Ela era uma mulher firme, inteligente e não gostava de esperar e quando, por exceção, esperou Carvoliva por os riscos desse amor impossível no papel, decepcionou-se. Ele fugiu do destino como um rato. Patético e humilhante.

Júlia passou cinco dias de cama em seu quarto. Não comia, não falava e nem abria a porta. No terçeiro dia sua mãe começou a rezar e aglomerar amigos e vizinhos dentro da casa. No quarto dia aceitou alguns biscoitos e água. No quinto dia chamou sua melhor amiga para reunir as pessoas queridas ao meio-dia. Quando o sino da igreja tocou, preciso e certeiro, Júlia abriu a porta do quarto e surgiu com seu melhor vestido. Estava usando a gargantilha preferida. Estava fraca e pálida, tinha dificuldades de andar mas era resoluta.

- Digam ao Comendador que casarei com ele, assim como deseja.

E então se fez. O Comendador logo marcou a data da cerimônia com receio da desistência da noiva. Júlia casaria, para a felicidade de sua mãe, com o homem mais rico e admirado de São Francisco. Era um português que adotou o Brasil como verdadeira pátria. 30 anos mais velho que Júlia, amigo do Imperador, homem de negócios, político, monarquista e personalidade ilustre de toda Santa Catarina. Ele se deixou seduzir pela delicadeza dos versos da poetisa e pensou que seria fácil tornar aquele sentimento recíproco. O tempo poderia trazer o amor para o casal. Mas Júlia jamais deixou Carvoliva sumir de seu pensamento... Apesar de todos os mimos e portas que o Comendador lhe trazia, Carvoliva sempre foi a vida da jovem moça. Carvoliva, um dia, foi o motivo dos versos de Júlia... e hoje é a razão por qual ela não escreve mais. Ele destruiu a sensibilidade e beleza que havia em sua alma. Carvoliva viveu em Júlia e a matou logo em seguida, como um sanguessuga. Júlia morreu de solidão, desgosto e amor.

Sobre o livro:

" O romance se passa no século XIX, na Ilha de São Franscisco,em Santa Catarina. Apesar do livro ser mais introspectivo, centrado na protagonista Júlia e em sua vida, as informações históricas da época mostram as divergências entre monarquistas e republicanos em uma cidade pequena. Júlia, a íncrivel protagonista da história era tida como uma mulher a frente do seu tempo, famosa por suas poesias e sua personalidade forte. Casou-se com o Francisco, homem rico e respeitado, em virtude da decepção amorosa que teve com Benjamim Carvoliva – violeiro e republicano -, que apesar de amá-la, a deixou sem explicações. Carvolia define Júlia como dona de “olhos sempre carregados de uma profunda tristeza que ela procurava vencer com a vivacidade do espírito”. Júlia pode ser considerada uma mulher ingênua, por lutar por sua felicidade às cegas, mas com uma determinação admirável. O livro reserva muitas surpresas sobre essa mulher incrível e sua vida, já que a história de Júlia Maria da Costa é verídica. O livro apresenta os fatos sob o olhar de Júlia, do Comendador e de Carvoliva, entretanto, o último capítulo surpreende ao leitor que busca respostas, e nos faz imaginar como Júlia viveu aqueles 11 anos literalmente sozinha."

Júlia da Costa - QUEM FOSTE TU?

Júlia Maria da Costa (Paranaguá, 1 de julho de 1844 — São Francisco do Sul, 2 de julho de 1911) foi poetisa e escritora de crônicas-folhetins brasileira.

Casada, em 1871, por conveniência e imposição familiar, com um homem rico e trinta anos mais velho, Júlia da Costa amou o poeta Benjamin Carvoliva, cinco anos mais novo. Correspondia-se com ele quase que diariamente durante o namoro e, quando casada, em segredo.

Em uma das cartas, que eram colocadas em esconderijos diversos, tais como o oco de uma velha árvore, Júlia sugeriu uma vez que os dois fugissem, mas quem fugiu foi Carvoliva perante a ousadia da poetisa. Desiludida, Júlia passou a escrever, febrilmente, poemas cada vez mais desesperançados e melancólicos, começou a freqüentar mais e mais serões e festas, a pintar os cabelos de negro (em uma época em que somente meretrizes e artistas o faziam), o rosto, a usar muitas jóias, a participar de campanhas políticas e a publicar em jornais e revistas, tornando-se uma lenda viva em sua pequena cidade.

A solidão se tornou cada vez maior depois da morte de seu marido, que a habituara a receber catarinenses ilustres em banquetes e saraus, em um dos quais esteve presente o Visconde de Taunay. Viúva, cansada das festas, Júlia da Costa fechou-se em casa com manias de perseguição. Durante o tempo em que permaneceu enclausurada, planejou escrever um romance e, para tanto, confeccionou painéis coloridos com cenas campesinas, interiores de lar e paisagens inspiradoras que espalhou pelas paredes.

O que é literatura para você?

Ler é uma arte. Saber escolher um bom livro é uma tarefa árdua e complexa. Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; é o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras. Literatura se sente na alma. Particularmente, eu destesto os livros da atualidade. Os livros novos são muito industrializados. Eu evito lê-los para não contaminar meu ponto de vista literário com o comércio que rola por de trás da arte.

Não compreendo quando uma pessoa diz: '' - eu amo ler! sou um leitor assíduo! Já li todos os livros da Talita Rebouças, da saga Twilight, do Harry Potter, do Dan Brown (porque ele é muito cool, claro), já li A Cabana e O Caçador de Pipas também, afinal, sou uma pessoa atualizada e culta.'' Não quero julgar as pessoas que gostam desse tipo de leitura e muito menos desmerecer os escritores que estão na lista dos mais lidos e vendidos do mundo, afinal suas obras são dignas desse status não à toa. Acho que cada obra tem seu valor, inegavelmente, porém, são livros enfiados garganta abaixo para movimentar a economia. São livros ficcionais e sem sentimentos, na maioria. São livros lançados para concorrer com os sucessos do ano passado e bater o recorde de vendas. São livros que não se importam como a riqueza de palavras e com a introspecção. São livros que têm a capa bonita, que vão virar filme com efeitos especiais inovadores, que não viram cultura, mas moda.

Mais uma vez repito: essas obras realmente são boas. São textos atraentes, criativos, com um grande trabalho de pesquisa envolvido. Mas são importados demais, frágeis demais. Os grandes Clássicos são deixados de lado devido a essa nova geração de livros ''que faz a cabeça do jovem e do adulto''. Quem já leu toda a obra literária de Machado de Assis? E quem já leu os livros do Dan Brown? Existe uma falta de consideração pelos clássicos, pelos escritos nacionais, pelos grandes autores do passado. Ao meu ver, qualquer tipo de leitura é válida, porém há muita coisa não valorizada pelo publico que deveria ser explorada.

Acho que ainda prefiro os velhos livros velhos, amarelados, que depois de lidos, vão habitar o fundo do meu ser. Obras lindas, trabalhadas, não comerciais e palpáveis. Escritores que marcaram a história pela sensibilidade e não por manter uma certa alienação da grande massa ao seu favor.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pão de Queijo


Eu não sou uma pessoa pão de queijo; aquela coisinha fofa e meiga sempre, sempre. Talvez eu prefira andar por aí, pelos lugares mais sórdidos dessa cidade imunda, sem fingir está contente com as migalhas, sem me preocupar com os bons modos e a ética. Na verdade, a ética virou um queijo suíço. Aquela moralidade arcaica acabou. Voou pela janela. Minha conduta corretíssima, meus valores ímpares, minha decência, tudo fora queimado. A muito tempo.

Pessoas virtuosas e com qualidades de protagonista da novela das 8h conseguem sobreviver nesse joguinho de quem pode mais. Eu não. Desisto logo. Pessoas pão de queijo sempre atravessam as intrigas dos tempos modernos. São coerentes demais. Já eu, não sirvo para ser ator da Globo. Não sei controlar meu alvoroço e nem pretendo. Eu gosto de ser impulsivo e teimoso. Pães de queijo são imparciais para não ferir nenhuma das partes; preferem não tomar partido. Já eu, não consigo ficar em cima do muro. Sangue faz bem aos olhos de quem o vê. Pães de queijo são feitos de plástico. Eu sou carne e ossos bem frágeis.

Por mais que eu tente voltar a ser aquele moço distinto e pão de queijo que mora numa lembrança vaga, bem longe daqui, não consigo. Depois de um choque de realidade ninguém retorna ao tom ''normal'' da vida. Normal, aos olhos da hipocrisia e surreal, à minha ótica. Essa mesmice não me seduz. É tão vulgar, tão sem variação que chega a me induzir ao erro diariamente. Não sou perverso; sou vivo. Sou real. Sou humano. Sapiens, Sapiens no total.

(meu manifesto sobre o cotidiano)

No ventre




É o sopro da terra queimando lentamente
Minha introspecção
E tua vida latente,
Nossa sábia forma de enxergar os anjos,
Os tais sonhos ardentes
É a luz da tua alma ao invadir meu templo
Antro, masmorra, ambiente
Tão persuasivo é
um desejo eloquente de
Tê-lo a cada dia, a cada noite
A cada minuto excedente
Vida tua dentro de mim
No ventre.

sábado, 15 de maio de 2010

pseudo vida.

Ler me deprime. Eu me envolvo demais com os personagens e quando menos espero, já estou sofrendo por eles. É uma dor aguda que perfura pele, carne, músculo, ossos e alma. As vezes penso que sou masoquista mesmo, pois livros instigam o máximo da minha agonia e do meu prazer. Eu não consigo viver sem um livro; ciclo vicioso. Quanto mais, melhor. Me excita, me perpetua, me tira o fôlego e me leva a loucura.

Acho que o melhor fato de existir é saber como outras pessoas podem existir. Não. Me corrijo: O melhor fato de existir é saber como outras pessoas vivem. Existir é muito fácil. Existir é simplesmente estar. Eu sei que eu existo e ocupo lugar no espaço, mas VIVER, não. Eu não vivo. Eu vivo dos personagens que conheço, das pessoas que imagino, das palavras encadeadas. Eu vivo das sensações alheias. Sou reduzida a pó quando leio as aventuras (e desventuras) das grandes pessoas que vivem.

O herói que luta, a nordestina que sofre, a mocinha que chora, o poeta que ama, tudo me leva a crer que viver vai além de obedecer uma rotina óbvia e ceder às regras. Viver é mais que se entregar ao sopro do vento; viver é está vivo. Estar vivo é ser pulsante. Ser pulsante é... eu não tenho definição para ''ser pulsante''. Só sei que pulsa. E eu sei de alguma coisa, por acaso? Eu só sei que nada sei e que só estou aqui por um equívoco de Deus. Do mesmo modo que Deus errou em criar o rinoceronte em sua feirura tamanha, errou também em deixar-me existir por existir, sem menor pretensão de vida.

Permanecer em estado de vida é um desejo ambicioso e fugaz. É demais para a minha pouca vontade de insistir. Fugaz, sim, pois não noto quando deixo de viver; é uma passagem natural e gradativa. Só percebo que não estou viva em alguns estalos de realidade sóbria. Mas a sobriedade passa e recomeça uma realidade embebida de fantasias, criações, sensações alheias.

Existir é longínquo e quase eterno.
Viver é muito breve e bem de perto.

ANTÍTESE. OPOSTO.

Eu absorvo a vida dos personagens, assim como um parasita faz com o hospedeiro. Eu consumo as entrelinhas, os parênteses, o climáx... eu consumo as vírgulas, mastigo devagar as reticências. Me jogo numa história que não é minha, num viver que não é meu, numa existência que não me pertence e fico muito contente. Satisfeita ao extremo, mesmo. Acredite. ''Vivendo'' dessa forma eu me sinto pulsante. Quer dizer, minha alegria só dura até a última página. Quando termino o livro me vem o vazio (que já conheço de longa data). Um oco irreconhecível. A dor aguda que tanto falo. Corrói meu sistema nervoso, minha saúde mental. Embrulha o estômago. Como podem me dar uma vida (a que eu tanto sonhei) e me tirar assim... em um virar de página!? Imperdoável! Então caio em pranto. Minha desgraçada existência tende a me puxar para a sobriedade que surge e eu teimo em viver a vida alheia. Inicia-se a briga com meu interior. Eu sempre perco para mim mesma. Eu me perco em mim e só me acho em livros. Eu perco a noção do que sou só para sentir o que o outro é. Eu.. eu.. eu... eu... eu... eu esqueço que eu só existo por existir e que meus personagens sempre vão me abandonar. Tenho que trabalhar o desapego. Aprender a esquecer minhas vidas paralelas e deixar minha existência tomar meu corpo.

Eu.
Eu.
Eu.
Eu simplesmente não vivo.

Existo.
(e insisto?)

domingo, 9 de maio de 2010

Forfun no CE e a marcha da maconha




Forfun é uma banda do Rio de Janeiro, formada em 2001 por Danilo Cutrim (guitarra e voz), Rodrigo Costa (baixo e voz), Vitor Isensee (guitarra e sintetizadores) e Nicolas Christ (bateria). No início, suas influências eram bandas de punk rock da Califórnia e reggae, como Blink 182 e Bob Marley. Atualmente a banda aprecia diversos gêneros musicais, mostrando no seu último CD "Polisenso" influências de diversos estilos como o Hard rock, Reggae, Dub e Música latino-americana.

Em 2003, gravaram um álbum com 12 faixas e começaram a produzir “Das Pistas de Skate às Pistas de Dança”, no estúdio Hanói, em Botafogo. Já com o CD lançado, continuaram com shows para divulgar o álbum. Começaram a produzir os primeiros vídeos da banda usando as cenas gravadas nos shows e nas viagens. Estava formada a “Na de Um Produções”. E no final daquele ano tiveram uma grande conquista: tocar fora do estado pela primeira vez, no Festival Extreme Nuts, em Curitiba - Paraná, com Food 4 Life, A-OK, Aditive, e Bad Car Crash, entre outras.

Em 2005 gravam "Teoria Dinâmica Gastativa", com produção de Liminha, em um excelente estúdio.O álbum foi lançado no final do ano, no Canecão, no Rio. Fizeram shows pra divulgação do novo álbum em todo o país Com o sucesso de "Teoria Dinâmica Gastativa" ficaram conhecidos por todo o Brasil. Logo foram convidados para participar do MTV ao Vivo: 5 Bandas de Rock, junto com outras bandas de rock formadas recentemente, como Fresno, Hateen, NX Zero e Moptop.

No início do ano de 2009 a banda lança "Polisenso", o terceiro disco de estúdio, gravado entre os estúdio AR, Atemporal e no estúdio próprio da banda, a Casinha. O disco vem trazendo uma sonoridade bastante diferenciada dos outros álbuns, tendo agregado ao som muito elementos eletrônicos, e elementos dos mais diversos ritmos, como o reggae, o dub, o funk e ritmos latinos. O álbum, de início, foi disponibilizado inteiro para download no site da banda, alcançando em 5 meses a marca de 400 mil álbuns baixados, e hoje já se encontra também em seu formato físico nas lojas. O disco também traz uma mudança estrutural na banda. Devido à incursão pelo mundo dos timbres eletrônicos, o guitarrista Vitor Isensee trocou de vez a guitarra pelos sintetizadores e programações, tocando-a agora apenas nas canções antigas. O disco alcançou a glória na mídia televisiva ainda em outubro de 2009, quando a banda foi escolhida como 'A Melhor Banda De Rock' no Video Music Brasil (VMB), premiação da MTV. (prêmio esse que eu votei feito uma condenada para ajudar a banda, pois era algo merecido. Na concepção de grande parte do público, o Polisenso é o albúm mais maduro e politicamente correto. Com letras inteligentes, trabalhadas e mensagens positivas sobre a existência humana, Forfun tornou-se uma grande influência para os adolescentes no Brasil.

Durante o show do Forfun, no dia 07/05 em Fortaleza (CE), Danilo Cutrim tomou uma postura, que particularmente eu não esperava: fez apologia a maconha e seus BENEFÍCIOS. Com a casa cheia ele iniciou o maior discurso sobre a marcha da maconha na capital e sua legalização.

'' você pode fumar ou não maconha, mas todos nós temos que ter liberdade e ela deve ser legalizada! e a maconha só traz coisas boas, temos que lutar para isso!''

Além da banda principal, as bandas que abriram também apoiaram a idéia e pediram a presença de todos na marcha. A censura do show era de 12 anos de idade; logo havia maior gurizada ouvindo aquele discurso furado e o pior, idolatrando Danilo Cutrim ao falar tamanha barbaridade. Se a banda faz uso de drogas ilícitas, tudo bem, mas alienar a mente de inúmeros jovens a isso, é ridículo! Como pessoas publicas que são, a banda Forfun foi no mínimo inconsequente. VOCÊ pode achar exagero, mas quando uma idéia é difundida por um ídolo/pessoa publica a probabilidade de alcançar a grande massa é maior. A propaganda gratuita de Danilo Cutrim foi de baixo nível; e seus comentários sobre o benefício do uso não foram agradáveis.

Me pergunto eu: como uma banda que prega a positividade, saúde, consciência cidadã, vida, paz, sabedoria e etc pode abrir a boca para cuspir uma blasfemia de tal gênero? Então quer dizer que o conteúdo das músicas é uma farsa? O meio independente está super saturado de bandas do ''rock preto do cão'' e eles resolveram trazer algo diferente, só pra fingir que são de outra vibe.. é isso? Como podem pregar a sabedoria e respeito a vida se fazem apologia a uma droga auto destrutiva?

Vitor Isensee

''Não acho correta e não estou satisfeito com a maneira como a nossa sociedade se relaciona com o planeta, os bens naturais a ele pertencentes, e os outros seres ao nosso redor. Sobretudo, não consigo fechar os olhos e permanecer alheio à maneira como nos relacionamos entre nós mesmos neste início de século. Acredito sim, no amor prevalecendo sobre o individualismo, o dinheiro e o poder. Acredito que a música e todas as formas de arte podem expandir a nossa consciência para que, juntos, possamos buscar a felicidade, a plenitude e a evolução espiritual.''

Nícolas Christ
"Ao longo do caminho que começa no que se sente, passa pela curva da reflexão do que se sente e desemboca no que se escreve sobre aquilo que se refletiu a respeito do que se sente, a sensação que fica é a da certeza da cruel distancia entre o magnífico colorido do "viver" e o simples azul esferográfico que tenta traduzí-lo em palavras. Acreditando na alta probabilidade de que com quase todo mundo também seja assim, me encorajo a, em pouquíssimas palavras, tentar traduzir o que se pensa e se sente nessa caixola. Desde pequeno tenho a necessidade de tentar entender ou ao menos acreditar em alguma teoria que me diga o que somos, de onde viemos, pra onde vamos e, finalmente, ondeé que isso tudo vai chegar."

Rodrigo Costa
''Acredito no Bem superior e no amor, no respeito à toda forma de vida, e no crescimento do ser humano, que deve conhecer antes de tudo a si mesmo, pra depois descobrir a melhor forma de se viver em sociedade, respeitando as diferenças e convivendo em harmonia. Gostaria de passar a minha vida assim, sempre do lado dos meus melhores amigos, na música, na amizade, sintonizando o que é bom e transmitindo pra quem também tiver nessa.''

Danilo Cutrim
"Acho que comecei a gostar de música lá pra uns 8, 9 anos, tocando junto com o meu irmão, num violão velho da minha mãe. É a arte que mais me emociona, e a melhor maneira de me expressar junto com os meus parceiros. Outro motivo que sempre me levou a querer viver dela é a ausência de competição e concorrência, embora para muitos não seja assim. Pra mim, é praticamente impossível dizer se uma música é melhor que outra, e por mais simples ou complexas que sejam, acabam sendo apenas diferentes. É um pensamento que tento levar para a minha vida em relação às pessoas, prezando acima de tudo a igualdade entre elas. No final, acho que a competição é comigo mesmo, sempre no desafio de fazer, junto com a minha banda, uma música mais sincera e original que a anterior!"

Mas será que a consciência é real?

terça-feira, 4 de maio de 2010

lagartinha

Tão singela sobre o lençol branco, eu a encontrei. Era de delicadeza ímpar, corpo frágil, vida fracionária. Meus olhos rutilantes maravilharam-se ao notar os encantos desse ser que, como diz o poeta, é uma metamorfose ambulante, no sentido literal da palavra.

Nessa condição, senti meu instinto humano falar ao ouvido: Toque-a. Busque-a. E assim fiz. A sensibilidade de seu corpo sob meus dedos, a pressão que eu fazia no seu casulo, tudo assustava a pobre criatura. ''De onde tu surgistes?'' Eu me perguntava, pois agora a pouco, cá estava eu, na minha solidão incontida, desumana, desajustada e repentinamente aparece um ser vivo ao lado. Achei no mínimo estranho; no mínimo interessante.

Tão perplexo fiquei que não consegui segurar minha face curiosa e passei a brincar com a sua ingenuidade. A criatura desorientada permitiu meus atos maliciosos. Na sua cabeça não pensante surgiu o desespero do abandono, e eu, bom samaritano que sou, não titubeei: arremessei o corpinho no chão, dizendo: '' Mais uma morrera ao cair no precipício da minha cama''.

E assim se foi.

[\baseado em fatos reais.
-q

sábado, 1 de maio de 2010

Definitivamente

Eu vejo brilho no teu semblante, mas dizem que você é opaco.
Eu crio expectativa nas tuas cores, na tua vibração.
Eu gosto do toque, da mão me devorando.
Gosto do teu perfume, do charme no andar.
As curtas palavras que você dirige a mim,
os gestos simples e vazios.

Eu compreendo a tua alma, mas dizem que você é insensível.
Seus olhos acompanhando meus passos ao esmo,
E você nem imagina que eu fico ali,
Estagnada,
Esperando ficar visível aos olhos claros e frios,
Sem menor progresso.

Eu estudo teu comportamento, mas dizem que você é incerto.
Tão vulnerável, tão cético.
Tuas oscilações de humor, teu terror, o timbre da voz;
Tudo em ti encanta e seduz meu ser.
Rapidez de quem é experiente,
Lentidão de quem tem medo de arriscar.

Acho que no fundo, eu gosto mesmo de você,
Mesmo que os outros condenem.
Sempre dizem exatamente aquilo que não
quero escutar;acreditar.
Não devo crer que alguém tão especial
Possa me faça tão mal.
Os outro, só são os outros. (definitivamente)


Ou não.