sexta-feira, 30 de abril de 2010

me explica!

A principal característica da criatura humana é a vunerabilidade temporal. Os relacionamentos são muito descartáveis, entende? você convive com uma pessoa diariamente e então, devido a algum problema externo, tal pessoa sai do seu cotidiano e fica por isso mesmo! sentimos saudade por algum tempo e logo cai no esquecimento.

As histórias escritas, por mais intensas que sejam, sempre ficam para trás. É o normal, pois viver significa estar em constante mudança de estado; mas é tão chato! não criar laços afetivos desgasta a mente e o coração. É como se tudo que você fosse fazer tivesse um prazo de validade, então, qual a graça de fazer se o fim é uma certeza? O fim rege o universo. Todo mundo quer chegar ao fim para ter aquela sensação de dever cumprido e poder se perguntar: e agora, qual o próximo desafio?

Acho que todo mundo quer o fim do mundo só para saber se Jesus vai voltar.
Acho que todo mundo quer o fim do mundo para ver no que vai dar.
Acho que todo mundo quer o fim do mundo para ter uma segunda chance no bilhar.

Eu, particularmente, me pego pensando nessas bobagens toscas e não acho respostas coerentes. Por que a vida é tão efêmera? Por que as pessoas são tão ''de longe'' com tudo? Por que tanta indiferença? As vezes eu tenho vontade de descansar minha mente, mas não consigo. Meu coração bate rápido e o tempo não para. Ainda diria mais: o tempo não para e arrasta consigo o seu equilíbrio. Por que é tão complicado viver em um mundo compartilhado, hein? me explica, amor. Me explica!

domingo, 25 de abril de 2010

questões em aberto.

Eu estou cansada de imaginar minha vida pronta; de planejar sozinha. Analiso perguntas simples que as pessoas me fazem e percebo o quanto sou inútil e o quanto me fazem de imbecil diariamente.

- O que você tanto faz em casa, hein?
- Olho pro teto e espero o outro dia chegar.

Na verdade, acho que todo mundo vive em função do dia seguinte. O amanhã não existe, então se pode fingir que teremos uma nova vida com o passar de 24 horas. Mas não é assim. A vida não se recicla, nem tão pouco volta para a primeira fase. Ininterrupta. A vida humana é uma só; é isso aqui. E ninguém sabe aproveitar, pois sempre acreditamos que o amanhã será melhor e novo. (e isso inclui a mim)

- Por que você se preocupa tanto com o que falam?
- Me induzem a pensar sobre o julgamento social. Mas não me preocupo.

Quem nos induz a perder tempo com comentários amargos são as pessoas podres que estão no cotidiano. É como uma cesta de maçã: um fruto podre e todo o resto será contaminado. Ainda mais se esse alguém for superior a você. Quem é você para desafiar o chefe da tribo? A única possibilidade de sobrevivência seria nos juntarmos ao chefe. Então, fortalecendo o mal e corrompendo nossos valores conseguiremos um lugar ao sol. (e isso inclui a mim)

- Por que você é tão inconstante?
- Me sufocam e assim, eu perco o sentido da vida.

Seria mais usual as pessoas se permitirem viver. Comprar pão, ir na praça, viajar em um cruzeiro, sair a noite, visitar a amiga. Nem sempre podemos fazê-lo; o mundo pede que a vida seja regrada. As vezes sinto até o cheiro do petróleo entre um abraço falso e outro. Ninguém precisa fingir ser algo para viver bem, entende? Pelo menos, penso assim. Eu não devo fingir ser feliz, ter uma família estruturada e gostar do meu meio social. Isso só rende status, mas onde fica o conceito de felicidade? Felicidade é o conjunto de momentos bons. Momentos Bons... automatizados pela sociedade! Então surge aqui um novo conceito de felicidade. A felicidade do século XXI é uma farsa que vivemos devido ao amanhã, ao chefe da tribo e as pessoas constantes! Então está tudo conectado numa grande mentira gerada por milhões de cidadãos inconscientes sobre a vida. Mas eu volto a ficar cansada de imaginar minha vida pronta...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

mediocridade


'' - Giu! tu cortou o cabelo? não acredito! sinceramente.. tá lindo... mas não tem nada a ver contigo! desculpa, mas é que... teu cabelo não tá longo nem curto, entende? tá tão.. meio termo! e vamos combinar: tu é muito radical pra usar algo meio-termo. Não tem nada a ver contigo. Contigo é 8 ou 80.''

É verdade; eu destesto meio-termo. Essa brincadeirinha infantil de ''quase lá'', do talvez, do ''tá quente, tá frio'' não me desce. Me causa cólera. Odeio gentinha mais ou menos; odeio homem bom moço e odeio palavras soltas. Nem se dirija a mim para falar um TALVEZ patético. Fala sério, isso é o cúmulo! Me mata na unha o fato de poder ser. Ou é ou não é; simples assim. Ou traz a vida ou a morte. Ou traga a tristeza ou a felicidade, meu bem, porque eu não gosto da alegria.

M-e-d-i-o-c-r-i-d-a-d-e: tem coisa mais suja? palavrinha rude, feia, mal desenhada. Sem gosto, sem amargo. Eu prefiro a v-e-r-a-c-i-d-a-d-e ou até mesmo a i-n-t-e-n-s-i-d-a-d-e. São mais fortes, entende? mais tocáveis! Essas são minhas palavras preferidas. Mediocridade me causa ojeriza! se torna tão cansativo decifrar o surreal que eu até desisto de brincar.

Eu gosto do SIM e do NÃO. Normalmente, como qualquer criatura autoritária, eu busco o SIM. As vezes eu prefiro o NÃO. As vezes NÃO é mais gostoso de se ouvir porque me faz querer transformá-lo em um grande SIM. ''As vezes'' não são frequentes. As vezes eu nunca digo SIM. As vezes não falo NÃO. Mas jamais digo talvez. Talvez é para os fracos. SIM e NÃO são para quem gosta de levar na cara e aprender com a vida.

Talvez eu não tenha medo de arriscar, mas ainda assim prefiro o SIM e NÃO; claros e limpos. Talvez eu precise da sua transparência para manter meu SIM. Talvez eu só queira ouvir um SIM da sua boca fria. Talvez... ah, eu não uso o TALVEZ.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

não eternidade!

''e tudo fica bem quando acaba bem'', já diz o ditado popular. Eu fico pasmo como a vida é. As vezes estamos aqui e depois, já estamos lá! e daqui a pouco... passou! Essa vida bandida é genial! O único problema é a ressaca moral, mas damos um jeito. Maior confusão interna, concorda? Maior briga consigo mesmo.

Converso sozinho, antes de dormir, e sempre chego a conclusão de que amo viver. Tem coisa mais louca? sensação mais gostosa? adoro, adoro, adoro! eu adoro esse barulho de buzina, de motor quente, adoro o sol brilhando, as garotas no calçadão, os meninos com a bola, a balada a noite, a rotina do trabalho e o beijo da morena! Eu estou falando do dia-a-d-ia, entende? simples dia a dia! Do patrão xingando, do cão latindo, do sorriso dos meus amigos. Sábado a noite, futebol e praia!

Eu quero mesmo é viver, sabe? viver, viver, viver! Na verdade, eu quero dormir com ela para o resto da vida. Ir na casa dela, olhar nos olhos dela, rir da cara dela, brincar com o corpo dela. Morena tão bonita... tão cheia de vida!

Eu gosto é daquilo que me deixa sem ar. Tenso, hein? intenso também! do riso dela junto ao meu, do hálito dela embaçando o vidro do meu carro, dos corações infantis desenhos com o dedo no espelho. Nossos passeios a tarde, a beira-mar, na velocidade da nossa comunhão.

Eu prefiro mesmo é a não eternidade. Eu prefiro mesmo, mesmo, mesmo! não eternidade, não eternidade, não eternidade! gritar aos quatro ventos que o eterno não é bem vindo! prefiro um momento de cada vez. Um riso torto, um sabor amargo, um prego na língua e a mão soada também. Clarice Lispector tem razão!

"Mas eternamente é uma palavra muito dura: tem um "t" granítico no meio. Eternidade: pois tudo o que é nunca começou. Minha pequena cabeça tão limitada estala ao pensar em alguma coisa que não começa e não termina - porque assim é o eterno. Felizmente esse sentimento dura pouco porque eu não aguento que demore e se permanecesse levaria ao desvario. Mas a cabeça também estala ao imaginar o contrário: alguma coisa que tivesse começado - pois onde começaria? E que terminasse - mas o que viria depois de terminar?"

E para que eternidade? se eu amo a vida, pouco a pouco, cada gole na sua vez...ordem cronológia e blá. Fim do drama contínuo. Eu preciso mesmo é da minha morena todo dia na minha onda, na minha brisa, na minha vida. E blá!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

(H) ermético.




na respiração rápida
no beijo intenso
na palma da sua mão
nos seus braços de irmão
nos olhos cor de mel
no sofá da sua sala,
sala escura, mesmo de dia.