terça-feira, 23 de março de 2010

um ano de decifra-me! o/



Hoje é dia de postar algo bem especial. Afinal, não é todo dia que se completa um ano de blog! A, exatamente, um ano atrás, por incentivo de alguns amigos, criei o Decifra-me ou Devoro-te só por diversão. Na verdade, criei sem grandes pretensões e sem saber o que escrever, porque ao meu ver, um blog só servia para brincar de menina fantástica contando as besteiras do dia-a-dia (e vamos combinar que não é do meu perfil expor minha vida pessoal na Internet, assim, sem mais nem menos). Mas daí rolou.

Começei a escrever por influência dos livros que lia (até o nome do blog foi tirado de um livro. Livro do Machado de Assis..era uma simples passagem, mas eu gostei muito do termo e assim ficou!) depois despertei o meu lado crítico/jornalístico e...e já se foi um ano dessa brincadeira! um ano muito legal, no qual eu pude gritar pro mundo mil coisas que pensava e sentia, recebendo elogios e grandes chutes também! UAHSUSHAUS;).

E isso não importa, o fato é que fico muito satisfeita em ter começado algo que virou uma das minhas prioridades, pois é esse o espaço que eu tenho para me expressar sem medo e ser julgada por pessoas que no mínimo se importam com o mundo, com a vida e especialmente, gostam daquilo que eu sou. Além da data, completo também 100 posts. Isso é muito bom! não sabia que tinha tanta coisa pra dizer! Sou muito grata aos seguidores, às pessoas que comentam, que sempre estão ligadas nos novos posts, que me elogiam quando me vêem, à galera do colégio, que inicialmente nem se importava com o decifra-me, mas hoje são os primeiros a divulgar, aos amigos virtuais que conheci através do próprio decifra-me ou não, enfim... a todos que contribuem direta ou indiretamente com isso aqui. Valeu por tudo!

"Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão, pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante." - Clarice Lispector.

Os Três Mal-Amados


Um trecho desse poema está no muro de um dos prédios da UFC, na avenida da universidade. Passo por lá todo dia, voltando do colégio e só hoje notei o que tinha escrito (e o quanto é lindo):

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


- poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Impostos


Imposto é uma quantia paga obrigatoriamente por pessoas ou organizações para um governo. A carga tributária brasileira é uma das mais elevadas no cenário mundial. Atualmente, corresponde cerca de 37% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor é arrecadado pelo Estado no intuito de custear gastos públicos como por exemplo a saúde, educação, cultura, conservação dos patrimônios históricos, segurança, salários de servidores públicos e transporte coletivo. O problema maior se revela a partir um questionamento simples: como se investe o dinheiro?

O que realmente vemos é um total abandono do governo e para isso não é necessário assistir noticiários; basta olhar ao seu redor. Podemos citar a cidade de Fortaleza-CE que sofre problemas com saneamento básico em pleno século XXI! A fiscalização tributária por parte da população deveria ser mais ampla, pois assim haveria uma facilidade maior em julgar a competência do governo. Afinal, somos nós quem indicamos determinado grupo de pessoas para cuidar dos nossos interesses, logo, nada mais justo que observarmos esse processo que requer respeito extremo com a população.

Outro dever do governo seria a segurança, porém em Fortaleza esse ponto é descartado. Chega a ser vergonhoso a cobrança de tantos impostos se o principal é esquecido. A paz em andar nas ruas já não faz parte do cotidiano do cearense. Nem mesmo o projeto “Ronda do Quarteirão’’ é respeitado pelos marginais. Se formos falar da educação pública encontramos diversas falhas, desde a estrutura física da escola ao ensino fraco; e claro que a desordem do ano letivo, devido as greves e problemas internos, deve ser lembrada. Além do mais a secretaria de educação não envia professores suficientes para as escolas, e os poucos profissionais que atuam nas mesmas são de baixa qualidade, em maioria. A saúde, fator preocupante está defasada; postos e hospitais sem estrutura e higiene para receber os pacientes, medicamentos em falta, equipe médica insuficiente e superlotação.

Andamos em círculos e voltamos a pergunta principal: E o dinheiro? Por onde anda o investimento da população na população? Como esse sistema tributário trabalha no bem-estar do povo? A nossa contribuição é usufruída em que aspecto, afinal?
Na verdade, conhecer nossos direitos é a melhor forma de investigar e responder tantas dúvidas. Para isso precisamos cobrar o Estado e escolher melhor nossos representantes; em suma, consciência social é o fundamental.

Para Jornal O Povo - Concurso de Redação.

Carta ao Sofrimento.


Fortaleza, 03 de março de 2010

Caríssimo Sofrimento,
Infelizmente tenho que confessar meu pavor em escrever-lhe. Eu não pretendo encontrá-lo em muitas ocasiões nesta longa caminhada que é a vida, mesmo sabendo que és persistente. Ontem conversei com um velho amigo que atravessa momentos penosos, quais eu jamais desejarei ao pior inimigo.

Esse amigo, razão da carta, me fez refletir sobre questões de responsabilidade, respeito consigo mesmo e com o próximo. Ele está com a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) causada pelo HIV, vírus que ataca as células de defesa do nosso corpo. Nosso organismo fica vulnerável a diversas doenças, podendo levar a morte. Segundo ele, a AIDS é o estágio mais avançado da infecção pelo HIV, ou seja, a situação está bem crítica.

Logo percebi que especula-se muito sobre tal moléstia, porém há poucas informações úteis sobre seu desenvolvimento, importância e tratamentos. Por exemplo, o senhor sabia que a AIDS pode ser considerada uma doença de perfil crônico? Em outras palavras, esse mal não tem cura, mas tem tratamento e uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus por um longo período, sem apresentar nenhum sintoma. O uso de combinação de medicamentos, denominado coquetel retarda o poder do destrutivo do vírus atualmente surte efeito. Esse coquetel é capaz de manter a carga viral do sangue baixa, o que diminui os danos causados pelo HIV no organismo e aumenta o tempo de vida da pessoa infectada.

Outro ponto importante são os cuidados na transmissão da doença: pode haver contágio por meio de relações sexuais com indivíduos infectados sem preservativo, uso de drogas injetáveis, compartilhamento de seringas e agulhas, transfusão de sangue contaminado pelo HIV e reutilização de objetos perfuro-cortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados.

A população mundial vem assistindo sentada o fim de inúmeras vidas sem adotar uma postura de efeito na prevenção da AIDS. Projetos informativos realmente são a base preventiva, mas não basta. O respeito a humanidade vale mais; sem a conscientização universal a doença tende somente a proliferar-se e para seu prazer (isso é, se é possível existir conforto em meio ao caos) mais e mais pessoas cairão em suas garras.

A partir de hoje mudarei de hábitos para viver com saúde e segurança. Penso que não encontrarei o Senhor tão cedo e fico feliz em exercer meu papel de cidadão e humano que preza pela vida infindavelmente. Peço com humildade que não abuse de meu amigo, pois o mesmo não merece uma dor tão profunda devido a um descuido ingênuo.

Abraços frios.


Para o Concurso de Redação dos Correios - correios contra a aids.