quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Último post de 2010.

2010 pode ser classificado como o ano mais complicado e circular de todos os anos desde que eu tenho vida. Foi muito difícil para mim distinguir o certo e o errado sem anestesiar as situações. É, sem anestesia local. Dessa vez eu não estava embebida por nenhuma substância que compromete os neurônios. As coisas se sucederam incrivelmente na flor da pele, como sempre deve ser, na verdade! E todas as pessoas (com caráter ou não) que eu conheci, os lugares, as noites, as sensações.. tudo me faz rir loucamente! Rir demais, porque eu adoro cruzar vidas alheias na minha nem que seja para dar uma grande merda!

É assim que a gente tece nossa história. Eu me sinto muito satisfeita com o que eu construí até aqui. Talvez alguns desvios notórios ou algumas palavras ditas em hora errada que não devem ser engolidas por ninguém ou até mesmo aquilo (e aqueles!) que foi deixado pelo caminho possam ter marcado 2010 de uma maneira negativa, mas apesar desses detalhes, valeu a pena.

Encontrei num livro que estou lendo, um trecho que se encaixa perfeitamente com o que quero expressar por aqui:

''(...) Aschenbach já dissera uma vez, expressamente, embora numa passagem de pouco realce, que quase tudo que existe de grandioso existe como um ''apesar de'', ou seja, algo que se realizou apesar de preocupações e tormentos, apesar da pobreza, do abandono, da fragilidade física, do vício, da paixão e de mil outros obstáculos. E isso era mais que uma simples observação, era uma vivência, era justamente a fórmula de sua vida e do seu sucesso, a chave de sua obra.''

Morte em Veneza - Thomas Mann
Cap. 2 - p. 19

O ano de 2010 fora grandioso no exato momento do ''apesar de''. Os pesares deram o brilho e a grandiosidade dos feitos nesse ano. Acho que fiz o meu melhor, da melhor maneira. Eu sei que o mundo não vai acabar, e depois do dia 31 o dia 01 segue de uma maneira usual, normal, sem nenhuma pausa. Ninguém vai voltar a fita, não vamos reiniciar como um computador; simplesmente, vamos dar continuidade ao que está sendo feito a anos. Mas o que custa celebrar a ilusão de vida nova, não é? Essa suposta reinvenção faz bem para a alma e para a mente, afinal.

Espero que todos tenham a mesma sensação nostálgica e feliz que eu estou tendo nesses últimos dias do ano. Satisfeitos ou não, desejo um 2011 da cor do sol e tão intenso quanto o próprio, leve como a brisa do vento e divertido como o mar!

p.s: Agradeço loucamente a todos os comentários, e-mails, mensagens, recados e similares, quais elogiavam o Decifra-me. Esse ano vocês foram muito lindos comigo! Obrigada por tudo! Que mais um ano venha repleto de enigmas para decifrarmos juntos! Beijo!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Duplicando.

- Eu estou puto com você!
- Tanto quanto eu estou com saudade de você?
- Tô falando sério. Tô muito, muito puto.
- E eu tô com muita, muita falta.
- Acho que a gente já sabe o que vai fazer por aqui..
- Beijar? Abraçar?
- Seguir rumos distintos...
- Então a saudade vai duplicar...

E cheia de boas intenções, Renata toma no cu mais uma vez.
São sempre os mesmos fins.

Mas pera aí, afinal; o que é o fim para mim?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Acho graça do meu próprio infortúnio.

- Mas então.. a gente tem que aproveitar as pessoas que cruzam nosso caminho e usufruir das oportunidades da vida, não acha?
- É, érr... então o que você aproveitou de mim durante todo esse tempo?

(pausa para pesar os dias)

- Você é um bom moço...
- Sabe por que é tão difícil dar adeus? Porque cada pessoa pelo caminho é um pedaço da gente arrancado; se desfazer de um pedaço nosso é doloroso. E você.. incrivelmente, é o meu maior pedaço...

(pausa para pensar como isso poderia ser bonito, se não fosse trágico)

- Porque você cismou comigo!?
- Nossa! Não é cisma! Você fala tanto de amor que até convence ser uma boa entendedora. Pelo visto, mente bem...

(pausa para falar alguma frase mais óbvia e menos surpreendente no intuito de diminuir a tensão)

- Pelo visto eu não tenho gratidão com as pessoas que me estendem a mão..
- Érr.. ér.. eu, eu.. eu só queria passar mais tempo contigo. Eu te conheço. Te conheço pausadamente. Eu te conheço pouco o suficiente...
- Uhm.
- Foi errado eu dizer que te amo?


(pausa sem reação)

- Errado não. Nulo.
- Então, eu não estou no seu caminho?
- Nulo.
- Eu sou um inútil?
- Eu não disse inútil... entenda: Nulo.

E pela primeira vez a maior parte do diálogo veio do lado de lá e apesar do drama, as palavras fizeram o seu serviço. Com peso, com direção, convicção.

Mas ainda penso que não podemos ter tudo aquilo que desejamos...
Mas fatídico.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alice.

''Um grande amor não é possível. Talvez por isso, é que ele seja grande; para que caiba no impossível.''

Qual a diferença entre o dia e a noite no mundo de Alice?
Que mistério guarda aqueles olhos grandes?
E qual fantasia será realizada no país das maravilhas?
Quantos códigos preciso decifrar para tê-la menos em segredo?
É uma voz que ecoa pelos quatro ventos, viaja pelo mundo, e chega à mim. Chega em Alice, fazendo cócegas em suas orelhas, e volta para mim. Desvendar um amor tão profundo, além de exaustivo, é por lei universal e tridimensional, uma impossibilidade. Impossível, pois nenhum encanto pode ser desfeito pela lógica.

E eu mandarei cinzas de rosas...

Peço desculpas pela falta de competência quando me ponho em palavras faladas, susurradas em pausas sem uma ordem certa de frase com sentido real. Peço desculpas sinceras se não sei me expor em regras claras, sequenciais, óbvias para quem quer trabalhar com idéias mais explícitas.

Ridículo é ter que viver atrás de manuscritos antigos para se auto-afirmar. Viver do retrocesso; apesar do paradoxo. Então não sei em que tempo, em que ano participo; não sei se é realidade ou criação da minha mente; não compreendo o espaço real e assim, atraso o ponteiro dos relógios naturais.

Se confundo a ordem dos acontecimentos é por não ter o que dizer. Se me engano com trava-línguas é por insegurança de quem fecha os olhos para espelhos. Se eu não me encaixo em nenhum dos requisitos... deixa estar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Refrão de um Bolero...

Minha percepção é tão frágil quanto as pétalas das flores mais diversas. Eu, que ponho tanta firmeza e veracidade em cada palavra solta, por mais frouxa que seja, não sei viver dessa massa de concreto. Sempre acabo atirado aos braços de quem mais me convida ao pecado, como alguém não tão decidido e firme assim.

Certo ou errado, é sobre essa vontade; tentativas frustradas de fazer algo enfim dar certo. É um desejo descomunal que provoca rachaduras por todo meu corpo e pelas histórias que eu conto.

Vontade de não me esquivar dos acasos, das controvérsias, dos paradoxos que costumam rondar a vida de quem finge não querer se envolver com a fragilidade das rosas.

Eu não me entendo em palavras, em sonhos ou conversas com o psicólogo. Mas a cada esquina algo novo me acontece e eu questiono: preciso aprender quanto sobre mim para me sentir seguro?

Então vem o silêncio.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

oito de dezembro.



''You may say, I'm a dreamer, but I'm not the only one. I hope some day, you'll join us and the world will as one''

30 anos sem John Lennon.


''Tristeza não tem fim. Felicidade sim. A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala flor; brilha tranquila. Depois de leve, oscila e cai como uma lágrima de amor''

16 anos sem Tom Jobim.

A vida é curta demais, meu amor.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ataraxia.


Ataraxia vem do grego (ataraktos, "imperturbado", onde a = "não"; tarassein, tarak- = "perturbar") sendo traduzido como a ausência de dor. Uma paz de espírito, uma felicidade derivada da virtude que pode ser alcançada de três maneiras básicas:

  • Atendendo-se aos desejos naturais;
  • Ignorando-se os desejos superficiais;
  • Eliminando-se as paixões.

ELIMINANDO-SE AS PAIXÕES. Como manter o espírito em plenitude e arrancar o coração? São ângulos complementares, são coisas que não fazem sentido em mundos distantes. Até porque quando se ama, entregamos corpo, alma, peito e tudo aquilo que ainda tenhamos em mão. No fim, tudo é um só! ''Eliminar'' é um verbo ligado a uma obscuridão tamanha! Não posso por numa sentença duas palavras tão distintas e inimigas. Eliminar não serve acompanhado de paixão.

Mas se é tão necessário para o equilíbrio do ser... acato as ordens. Quer dizer, no mínimo tentamos fazê-lo. Por mais doloroso e cruel que seja se desfazer de um sentimento tão nobre que poucas vezes na vida nasce no nosso peito, fazemos para a salvação da alma. Se mãos divinas não alcançam as cicatrizes do interior, que eu mesmo cuide de mim, cure meus males, feche as feridas, como um fígado no seu processo de regeneração. Não faz sentido na minha cabeça começar uma vida por esses fins, porém que assim seja, pelo meu melhor.

A partir de hoje, em nome do Pai, do Filho e de todos os Santos, prometo não falar, em hipótese alguma, sobre paixão, saudade, vontade, sonhos e planos relacionados ao grande amor da minha vida. Para um resultado positivo dessa nova filosofia de vida, precisamos cortar o mal pela raíz. Eliminemos a paixão, então.

Tudo passa... sempre foi a lei da vida. Pelo menos, da minha.

sábado, 4 de dezembro de 2010

São as pequenas coisas que a gente nunca esquece.


Então sua foto no quadro dos melhores funcionários do mês se torna minha única companhia. É com ela que eu converso todos os dias na sua ausência; ausência essa que está mais presente do que nunca. Como posso me manter num lugar, sufocada pelas paredes amarelas, sem ter você sob meu alcance?

Agora num cargo melhor, agora num espaço melhor, me deixou para trás como se eu fosse uma roupa velha e surrada. Você não quis me dar nenhum ''tchau sorriso meia boca'' para eu guardar no bolso. Na verdade, se me mandasse rosas e declarações, ainda assim eu não saberia o que fazer com a despedida. Não quero aprender um tchau.

Se eu falar sobre isso com alguém, eu gaguejo. Se gaguejo, eu choro. Prefiro então afogar essa história nas minhas veias tão cheias de sangue e fazer cara de quem comeu e não gostou, como você mesmo disse uma vez! Ríamos tanto dessa suposta cara! Lembro bem quando pôs para fora essa frase épica!Eu havia colocado uma música apaixonante (ou apaixonada) da minha banda preferida na sua sala e você ainda na cozinha, gritava para abaixar a altura do som ''insuportável'', porque a voz daquele cara era de QUEM COMEU E NÃO GOSTOU! hahaha! Desde então, qualquer música romântica suficientemente para nos tirar o fôlego tem essa cara.

Desde então, qualquer coisa que me faça rir fácil tem a sua cara. Mas agora sinto a solidão me bater a porta num ritmo cada vez mais acelerado e eu acompanho, ao marcar o tempo dessa nova música ''cara de quem comeu e não gostou'' com o meu coração. Bate, bate, bate tanto que me faltar o ar! E você de tão longe nem consegue notar, não é!? Responda longinquamente e aí, as palavras vão se dissipar no ar que me falta e eu terei, enfim algo seu em mim! ah que delícia tal posse!

Acho que estou sentindo tanta sua falta que começo a ter um leve distúrbio, algum problema mental, algo relacionado a minha concentração. Se a saudade me tomar por completa, além da minha cabeça, espero que ela me leve a você num tele-transporte, como numa morte, mas que eu fique feliz. E se essa saudade transbordar, que ela seja suficiente e sirva para nós dois como um elo de ligação eterna. E se ela me enlouquecer deveras, que eu perca o emprego para poder ter mais tempo de pensar em você no dia!

Ah, caso realmente a última citação venha a acontecer, levarei a foto para que a conversação seja mais real; por mim e por ti também.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Abrir os Olhos.


Eu tenho cara de estrela de seis pontas e você tem cara de pôr-do-sol na beira mar. A gente se encontra num dado momento no céu ou foge um do outro nesse ciclo vicioso do dia-a-dia? Nem precisa responder; basta olhar o horizonte. Você sem mim, eu sem você, a gente sem uma parte do outro. Então a noite chega e tudo vira breu, não é?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Budapeste.


''E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, meu deu de beber a água com que havia lavado sua blusa.''



Eu era um jovem louco e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Tereza. Ao ouvir cantar Tereza, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era meu, e foi na batata da perna de Tereza que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio, ela gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Tereza. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Tereza, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever em suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a outras colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saiam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.


Chico Buarque, Budapeste. P. 38-40
Romance, Companhia das Letras.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cela.



O vazio mais alto fala
Quando minha voz engasga no caminho.
O vazio se repete na alma
Quando não ponho para fora o meu riso.
Ele machuca meus tornozelos
Quando fico na cara do desprezo
Sem graça, sem choro,
Entre as grades frias
Observando o poente
Por mais um dia.


Um verso que não entendo como senti.



Tu perguntas: '' como andas? ''
E respondo-te: '' muito bem ''
porém, melhor seria se tu perguntasse: '' como se sente? ''
pois então responderia sem hesitar:
'' Me sinto querendo ser o seu bem.''
São desejos que me matam.
Saudades que me transbordam.


O que me consola é que..tudo passa.
é a lei da vida, não é!?

:)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Orgulho de ser Nordestino!




Vão a merda todos vocês!

Acho que nunca vi tanta barbaridade e tolice reunidos numa só página! É uma decepção como brasileira ver que tem gente com tal pensamento retrógrado reunidos para ofender e difamar uma parcela da população com o intuito de achar um culpado para o lixo que é nossa política.

Na verdade, eu não vou perder meu tempo expondo o que eu penso sobre essa atitude ridícula.
Não é necessário nenhuma palavra a mais para quem tem respeito ou consciência. Porém...

Não foram os Nordestinos que elegeram o Tiririca.
Foi mal ae.

#ORGULHODESERNORDESTINO


''De acordo com o sociólogo Paulo Décio, os comentários são herança da ditadura militar, quando a democracia não tinha vez. Décio classifica os autores dos xingamentos como "pessoas limitadas que apenas conseguem pensar em poucos caracteres". O sociólogo referiu-se ao fato de que no Twitter, apenas pequenos comentários são permitidos.

"Isso é um preconceito lamentável. A democracia se encarregará de extirpar esse tipo de coisa. É algo racional e absurdo. São comentários movidos pelo ódio de gerações que nem tem conhecimento da história política do Brasil", opinou o sociólogo.

Para Décio, os ataques xenofóbicos, na verdade, são uma nova versão do preconceito classistas contra os nordestinos que saem de casa para tentar a sorte em grandes centros, como São Paulo.
"Isso é uma aversão contra a autonomia das pessoas. A democracia tem que aceitar a derrota", finalizou.

Orgulho de ser nordestino

Contra os ataques xenofóbicos foi criado um fórum de discussão “Orgulho de ser nordestino”. Nele, não apenas nordestinos se mostraram contrários aos xingamentos, mas também pessoas de outras regiões do Brasil condenaram os ataques postados no Twitter.

Lei

A Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989, que trata de crimes xenofóbicos, em seu artigo 1º (com a redação determinada pela Lei nº 9.459, de 13 de março de 1997), diz que "serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

Os delitos tipificados por esta lei englobam a conduta de segregar estrangeiros, que vem a ser delito inafiançável e imprescritível (Constituição da República, artigo 5º, inciso XLII).''


FONTE: http://www.correiodopovo-al.com.br

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Coringa.

Eu ando com vontade de rasgar as folhas da minha velha agenda que me acompanha por todos esses anos de sol a sol. Sinto a extrema necessidade de me desfazer do meu passado, dos detalhes no rodapé dessa vida, das lembranças que só um papel pode eternizar.

Eu queria queimar tudo para me sentir mais nova uma outra vez, sem marcas do tempo, como se tivesse nascido ontem. Queria ser ainda um embrião frágil e puro, sem maldade, sem supostas verdades, sem ética e moral, tudo isso para recomeçar do zero. Renascer sem medo.

Pretendo escrever uma nova história em entrelinhas num mangá qualquer para me tornar o super herói inabalável das icógnitas. Imagine o Coringa. Imagine o Coringa num mangá. Imagine o Coringa num mangá em entrelinhas.

Agora imagine como seria se eu me tornasse alguém novo a cada vez que rasgasse o passado, nem tão distante, mas passado. Múltiplas personalidades a cada pedaço de papel ao chão, um espelho espatifado na memória dos amigos. Raciocine comigo: e se eu conseguisse realizar ao menos uma das fantasias de vilão ou herói por dia? Que estrago.

Mamãe poderia ter me dado caráter, além de educação.
Mamãe poderia ter me deixado sonhar, mas não.

Imagine se mamãe tivesse realizado cada vontade minha; talvez hoje eu não teria com o que brincar, não teria nenhum personagem para criar e viver por esses dias de tédio.

Mamãe, sempre tão sábia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um caso de amor que não é do Érico Veríssimo.

Liberdade é um conceito muito vago para discussão. Ela não está embasada em leis formuladas pelo homem, mas na concepção de mundo de cada indivíduo e na sua respectiva condição.

Quando estou de frente com a liberdade me sinto em branco. Estou tão acostumada em receber diretamente forças externas que quando sou o foco, não tenho menor reação. Meus medos e fraquezas afloram entre meus dedos e escorrem por todos os lados. A cor cinza é uma fatalidade.

A questão sou eu e eu mesma. Eu e meu espelho. Eu e meu ego avassalador e explosivo que não engole nem mastiga ninguém. Começo a pensar que cansei da vida. Minha vida que agora é um eterno suicídio em tentativas frustradas de morte e dores pungentes num estado imutável de embriaguez.

Eu e uma liberdade que não está no mundo nem em mim. Ela está em cada ponto da cidade procurando um corpo vazio e sem sal, como o meu, dentro de um corpo menos fino e mais robusto, em qualquer ponto da cidade, esperando por mim.

Eu e essa liberdade.. um caso de amor que nem Érico Veríssimo saberia por em palavras.

sábado, 23 de outubro de 2010

''LIBERDADE DEMAIS SUFOCA''

Sempre achei que no dia em que eu encontrasse o conceito de liberdade absoluta, seria feliz. Todo aquele discurso sobre uma utópica reforma ética e moral, os valores cheios de sentindo e verdade no mundo de cada um, a lembrança do ''do it yourself'' e ''eu quero ver o oco'', os atos sem consequências que ninguém precisava se importar ou ver, tudo me veio como um tridente de Netuno rasgando o meu peito depois que dei de cara com a liberdade.

Essa liberdade é cruel, abusiva e burra. Extremamente burra! Porque eu procurei por ela por todos os dias da minha vida e quando a encontro, ela me quer mal demais. Ela me encarou de frente, disse que não se importava com o tempo que levei a vagar sozinha de esquina em esquina procurando-a, querendo-a. E isso foi um tiro na minha testa, uma rasteira que eu não esperava.

Essa liberdade brincou com a minha cara todas as vezes que atravessou minha vida e fugiu. Chutou minha bunda inúmeras vezes para mostrar que eu sou fraca demais e não consigo contê-la. Cuspiu em mim, xingou alto e eu não quis escutar. Não quis ficar para presenciar tanta humilhação. Mas quando eu me escondo dela, ela me acha. Quando eu procuro ela, ela some. Ela quer é fuder comigo que eu sei.

Da última vez que ficamos cara a cara ela me disse com os olhos: tenha calma e eu serei sua. E eu tive calma. E ela foi minha. E me arrasou de uma maneira sem igual. Descobri, então, que não nasci para ela.

Descobri que não nasci para liberdade depois de uma longa caminhada.
Descobri o inadimicível.

Ela não é aquilo que eu queria. Me enganei esse tempo todo ao idealizar o corpo e a alma liberta e feliz. Quando encontrei com algo que não pode partir sem mais nem menos com toda a liberdade, eu não consegui lembrar dos meus antigos valores. Eu não podia praticar o desapego com aquilo que era primordial para mim. Não podia me desfazer, nem posso. É um estado eterno um tanto quanto mutável. É minha outra face tomando forma e assustando o ego.

Com que cara eu posso dar adeus ao espelho e me enxergar nos olhos da alma de outro? E os meus discursos.. e meus valores.. é tudo uma confusão dentro do meu mundo. O passado e o futuro se enfrentam dentro da minha mente com a finalidade de me fazer escolher um rumo. O que eu quero versus O que eu sou.

E eu aceito, calo e assisto tudo como uma comédia romântica porque sou criança demais para negar um doce.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

''E que seja eterno enquanto dure'' ?


É normal cruzar com o inesperado e viciar nele? A gente gosta daquilo que é inusitado, que dá trabalho. Eu, mais ainda.

Eu. Eu e minhas impossibilidades.
Eu. Eu e minha cabeça dura.
Eu. Eu e minha ressaca moral.

Tão Eu, que só piso no chão para meus pés chegarem até ele.
Tão ele, que só pisa no chão para me esperar no outro lado da rua.

A gente, tão a gente, que a gente se esquece do resto do mundo em qualquer fim de tarde.
E a gente se leva assim, a gente se gosta assim, se encara assim.

E assim a gente passeia pelo tempo.
E que seja eterno enquanto dure.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Não sei gostar de ninguém.


Você me decompõe em partículas não tão mais indivisíveis e depois, como se fosse normal, segue meus passos, reclama dos meus atos, tenta aproximar-se dos amigos para saber do meu dia-a-dia e chega até à, ''acidentalmente'', esbarrar inúmeras vezes para trocar palavras comigo.

Você diz que enjoou da minha cara, da minha alma, mas não larga a manha de me ter por perto. Busca uma comoção absurda nos meus olhos, e eu digo o quanto é bizarro, porque é impossível, é inaceitável, eu me submeter a você.

Você insiste, observa de longe, procura na multidão, me faz tropeçar nas próprias pernas de nervoso, tenta me corromper com propostas baratas de bar de estrada e eu fico na corda bamba, prestes a me atirar. (para você ou por você? eis a questão)

Eu queria aprender a confiar. Eu gostaria de acreditar na possibilidade de você me segurar, depois que eu me jogar.

Você espera que uma conversa de 5 minutos num café imundo da cidade vai convencer meu coração?

Confesso que vai.

Mas ainda bem que a cabeça raciocina ao meu favor e não permite que você me enlouqueça com um sorriso.

Nem perseguições no parque, nem flores na porta do apartamento, nem recados com o vizinho, nem café amargo, nada me instiga a recomeçar. Peço a todos astros que você desista dessa idéia maluca de me procurar, de mentir que ama. Porque nós sabemos que é tudo ilusão. Nós temos a plena certeza de que isso é uma utopia, é viver na irrealidade, é um outro universo. Amar é um mito, então.


créditos fotográficos:
intextualidade:

domingo, 3 de outubro de 2010

Fotos.


Eu pego um papel e um lápis verde para desenhar seu nome com a minha melhor letra, aquela grande e pintada com delicadeza, como se fosse tatuagem. Eu suspiro ao fazer flores coloridas a partir da sua primeira letra e te imagino vendo essa cena, rindo do meu riso bobo só por escrever seu nome mil vezes seguidas.

Eu fecho os olhos e volto no tempo para alcançar sua boca e mexo os cabelos para simular a sensação de ter suas mãos comigo. Eu lembro do toque dos seus lábios finos beijando meu rosto, meus olhos, minha testa suada, meus seios pequenos. Sinto a luz do sol na nossa pele e fico vermelha ao pensar que você pode está notando minhas pernas que não sabem onde ficar, minhas mãos que não sabem por onde passear. Depois você me ensina que tudo isso é bobagem e que eu vou aprender com o tempo, que é natural.

Num instante mudo de temperamento e você pergunta o que diabos acontece na minha cabeça. É que eu cismo em achar que você é cruel comigo, que você exige demais das minhas possibilidades. Eu sou tão insegura e você não tem menor pena disso, não é verdade? Mas eu relaxo. No fim, saber que tenho você me faz esquecer todo o drama e com graça, seus olhos cor do sol fixados nos meus convencem qualquer anseio. Minha cabeça volta ao normal, tudo melhora e eu vejo que não é o fim, por que você sempre sabe o que me dizer.

Eu brinco com sua boca bem delineada tremendo, pingando sangue e saboreando meu queixo. Tiro fotos mentais de cada ângulo que compõe seu riso. Eu tiro fotos para guardar na memória o quanto você me fez feliz. Eu só tiro fotos para ficar assim, voltando no tempo quando sinto saudades do seu endereço.

Só preciso te ter dentro de mim e por isso, lembro.


créditos fotográficos:

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

É normal.

Cada fim é um recomeço e eu não me importo em voltar ao zero porque não é perca de tempo. Refaço toda a verdade, invento maneiras mais simples de me sentir bem e assim, chego até a pensar que seja uma fase de aprendizado.

É normal.

Encaro com naturalidade as idas e vindas dos meus sonhos, as suposições absurdas que faço sobre como tudo deve ser e me conformo com a regeneração dos desejos que afloram em mim. Eu viro a mesa, eu jogo um novo jogo de cartas com as regras de qualquer um.

É normal.

Tomo ciência de que preciso continuar, apesar do ''bem me quer, mal me quer'' que insiste em tirar minha sorte da roda. Nem importa. De qualquer forma eu sigo em frente, a fim de apostar mais alto.

E isso tudo é normal.

sábado, 25 de setembro de 2010

Molotov.


Eu não canso de correr riscos. Acho que sou alimentado pela adrenalina que cerca meus dias. Meu mundo tem um sentido, mas em direções contrárias. Nem sei como passar algumas horas sem desejar o próximo passo incerto, desajeitado, quase que indo para trás e tropeçando sobre si.

Nessa alma completamente fragmentada em pequenas lembranças absurdas eu perco a razão e me levo pela euforia de qualquer momento bom. Tem gente que diz que sou imaturo e irresponsável por querer levar a vida como um grande astro do rock. Ninguém compreende que a vida é uma só, é isso aqui, que sou eu aqui. Não entendem o quando é duro para mim seguir uma linha previsível. O óbvio não me interessa. O de sempre não me convém e nem adianta insistir. Eu gosto da singularidade dos objetos e das pessoas, gosto das exceções chocantes.

E caso se sintam incomodados com esse Molotov que sou, peço desculpas sinceras, porém a verdade que me interessa é aquela mesma criada por mim. Por que só sente quem sofre na pele e nesse caso o couro grosso é meu.

Cigano.

Eu fico na ponta do abismo todos os dias, esperando o vento me empurrar mais um pouco para o lado de lá. Nessa fração de segundos, nesse momento tão íntimo, quando eu me sinto indo para o horizonte o vento trava para o desespero me tomar. Sinto-me então indecisa, sem saber se fico, corro, me jogo de vez, espero outro sopro, desisto da idéia absurda.

O vento brinca com meu cabelo, faz cócegas na nuca, tenta me agradar, ganha confiança e com uma força bem definida vai arrastando, sem grande atrito, meus pés para a risca. Fico envolvida, encantada ao ponto de me deixar levar. Quando estou chegando ao limite, o sopro da vida para de me querer bem, soltando-me. Ele não dança mais comigo, ele não faz carinho na nuca nem susurra coisas bonitas no ouvido. Some para confundir minha mente, some para encontrar minha racionalidade e por mais que eu queria agir sob um delírio o vento me põe contra meu equilíbrio e eu dou um passo atrás no abismo.

Eu grito aos quatro ventos que não preciso escutar a consciência, mas o vento não se importa com esse drama. Ele sabe que eu só quero alguém para por a culpa dos meus equívocos. Ele é mais sagaz que eu e quer que eu decida com plena lucidez e sabedoria meu destino. A natureza se traveste de cigana e desvenda meu passado e presente, lê minha mente e aposta no meu futuro, pondo-o nas minhas próprias mãos.

Eu finco minhas unhas na terra, olho para baixo e penso quanta dor pode haver numa queda. Calculo meus giros e piruetas, todo e qualquer movimento que possa tomar conta do meu corpo nas condições de arremesso. O vento volta e me diz bem baixo:

- Você vai aprender a caminha com as próprias pernas.

Eu não creio com firmeza nessa sentença, porém o mago não erra. Vidente, o vento distrai minha loucura por alguns tempo, mas sabe que vai voltar. Ele rir dessa impasse como se fosse natural querer por fim naquilo que eu tenho de mais precioso. Eu sorrio de volta, sem saber para onde olhar e tenho um estalo súbito:

- Para começar a caminhar, preciso dar somente um passo a mais...

Fim da dança das estações.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Regra de uma Ordem Religiosa.


''Deus me escolheu para ser testa de ferro da humanidade'' - normalmente penso isso. Talvez seja filosofia de balcão ou ingratidão propriamente dita, mas não tem muita importância se eu sou um herege de nascença.

Eu. Herege. Posso até considerar um pleonasmo vicioso tal junção. E por ser tão pecaminoso, Deus me pôs na missão de pagar as dívidas do mundo com meu sangue, além de ouvir por toda eternidade os romances mais absurdos e emocionantes, deteriorando-me, sem poder tê-los, tocá-los ou vivê-los.

Tudo porque sou um herege. Herege? Eu sou pura maldade, puro terror! ácido sulfúrico banhando a mão, pleno anti-amor, anti-paz e como diria o Senhor Manson, um belo ''anti-papa''. Não estou tentando justificar o fracasso da minha vida e isso não é uma cartinha adolescente pré-suicídio , porém é um pedido de socorro ardente.

A revolta que há em mim não desatina à toa. Faz tanto tempo, foi por tantos momentos... e me faz continuar... e hoje em dia eu vivo de reticências, sem saber como agir ou o que esperar. Pelo Pai, pelo Filho, pelo Espírito Santo e por toda a Igreja Católica Apostólica Romana que já depravou inúmeros e matou milhares, peço paz. Quero me reerguer, me ter em mim e em Deus para estabilizar minha falta estrutural e psicológica. Dessa vez, eu pretendo voar bem mais alto.

Primícia - Primeira Colheita.


E se eu te achar na esquina amanhã, vou gritar bem alto num tom mais estridente e metálico possível:

- Vai se fuder, otário!

Porque ninguém merece ser tão certinho, tão bonzinho, tão... cheio de inho o tempo todo. Porque eu não suporto sua cara de sono, seu sorriso delicado no fim das manhãs. Eu estou completamente insatisfeito e decepcionado com sua nova máscara recém descoberta. Eu mal posso acreditar que você é assim de verdade!Não gosto de gente tão boa, logo não gosto da face ''Jesus Cristo pregado na cruz'' que você montou para me afastar. Esse seu pudor me cansa e sua bondade me enche de nojo. E se você não entender com clareza do outro lado da rua eu posso até repetir:

- Vai se fuder, otário! sai do meu rumo que eu quero ver é a peia!

A importância da Amazônia Azul para o Futuro do Brasil.



Qualquer digno patriota tem o dever de proteger os bens de sua nação. Sobre a Amazônia Azul, deve-se analisar aspectos econômicos, ambientais e relacionados à preservação da fronteira, pois são esses os pontos mais marcantes quando trata-se do legado brasileiro marítimo.

180 bilhões de dólares são movimentados anualmente pelos mares. A zona de exclusividade econômica estende-se por 370 km, a partir do litoral, rendendo um comércio dinamizado e lucrativo, além do turismo nos arquipélagos de Trindade, São Pedro, São Paulo e Fernando de Noronha que movimenta uma quantia significativa no Brasil. 85% do petróleo usado no território nacional é extraído dessa faixa, trazendo auto-suficiência e 90% das importações são realizadas através do mar.

Mas tal exploração pode acarretar sérios problemas ambientais e para diminuir a probabilidade de danos o Brasil deve ter uma fiscalização ímpar e projetos eficientes ligados à preservação da natureza, mais especificamente, oceânica.

Por fim, as fronteiras do Brasil com o oceano impõe um zelo especial, afinal essa zona pertence somente ao nosso Estado; faz parte do território nacional e para mantê-la o país conta com o trabalho das forças armadas que desempenham um papel exemplar e minucioso.

O desenvolvimento do Brasil tem estrita relação com a Amazônia Azul. Uma parcela desse crescimento está embasada nas nossas águas e para tal processo ser continuo deve-se dar seu devido valor e respeito.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

E por ser tão simples assim...

- eu te amo.
- o que?
- é, eu te amo e quero namorar contigo. Tu quer namorar comigo?
- namorar contigo?
- é. namorar, sabe. Só namorar. Namoro normal.
- e no namoro normal, tá incluso o quê?
- tá incluso te levar em casa, matar a última aula, ir no cinema aos sábados...
- tu quer namorar comigo!?
- é, menina! tu é louca por acaso?
- é que...eu não sou boa namorada, sabe. E nem sei se quero isso agora...
- Mas eu quero.
- eu não quero.
- e eu quero.
- não insiste! me escuta uma vez na vida, cara!
- a gente não se gosta? eu te amo. Tu diz que me ama, então a gente deve namorar!

E por ser tão fácil e simples assim eu deixei de amá-lo. Porque só queremos aquilo que nunca podemos ter e quando temos, por sorte ou azar, desprezamos fácil no intuito de buscar algo mais na fonte dos desejos. Fico satisfeita por tê-lo em minhas mãos. Fico mais satisfeita ainda por ter peito de te mandar sair da minha vida sem grande esforço.