segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Definitivos.


11 horas da noite em seu quarto tão escuro e a mulher com o cigarro na mão direita ainda sentia a necessidade da libertação mental. Seus cabelos pretos e secos combinavam com aquele sadismo. A alma também escura, estava, talvez perdida entre os feixes de lembranças divinas que compunham sua vida. Dentro de algumas caixas de sapato escondia a vida da morte. Ou vice-versa.

Os quadros que ela infernalmente pintava retratando suas lembranças davam um pouco de calor e cor ao ambiente, mesmo ao negrume intenso. A cama também era só lembranças. E paredes, cortinas, travesseiros, tapete, janelas, portas, cinzeiro e cordões dourados. A mulher depressiva que fumava um Definitivos incessavelmente com ardor era a própria Lembrança.

1 hora da manhã. A Lembrança vagava na memória e queria desfazer-se do que rondava sua cabeça. Sentou na janela sentindo o vento fresco e seco, assim como seus cabelos, tão frio da madrugada. Era um lugar muito bonito onde morava. Havia plantas por todo lado e muitos quadros. A fumante mantinha olhos lacrimejantes e bem abertos. Esses olhos cor de mel andavam tristes pelo simples fato de existirem. Ela os fechou com imenso atordoamento, respirando fundo e tomando todo o ar que podia. Depois de longos segundos expirou o ar abafado, preso em seus pulmões... Fez mais uma vez. E outra, outra, outra. Foi-se a tensão. Agora ela estava toda em júbilo devido ao movimento que fazia com a caixa toraxica. Havia decidido o próximo passo.

Cortar. Cortar as lembranças que havia naquele pequeno quarto pintado e sem cor. Como uma boa artística plástica, entendia o quanto significava destruir, recomeçar pintar, descolorir, cortar, rasgar e fazer de novo. Tudo o que foi tocado pelas mãos finas ela destruíra. Desde os lençóis aos amados quadros. Pensou em mutilar-se por completo, pois não houve objeto mais tocado pelas mãos que ela. A mulher estava inteiramente suja, contaminada com aquelas mãos de criança. Seu rosto pálido fora marcado nesta madrugada. Não pensou duas vezes antes de agir; o Definitivos fumaçante encostou com alívio em sua palidez. A dor nem fora tão grande; gostou da sensação de estar viva. Passou o cigarro em brasa pelo pulso e pressionou-o com força e em risadas altas.

Ela destruíra o rosto e o pulso com felicidade. As mãos imundas já era esquecida em seu atordoamento. No quarto arruinado a luz começara a entrar; o dia aparecia com rapidez. Notou que o maço de cigarro acabara. Procurou qualquer roupa descente dentro do seu caos. Sentou de novo na janela que a aconselhava. Na verdade, não sabia o que fazer nem o que pensar. Voltava, olhava para o espelho e a marca latejante ainda permanecia forte.

Entrou em um banho longo e impulsivo, porém percebeu que nada fora válido. O perfume das mãos permanecera, mesmo com os cortes e recortes. Fugira então da realidade. As mãos consumiram sua vida, ser e mente. Ficara louca e não havia ninguém para ajudar. Entrou em pânico ao lembrar do cigarro. Queria-o com todo paixão e o ataque de loucura poderia ser amenizado com um novo maço. Viu o relógio. Tudo estaria fechado naquele horário, ainda. O coração acelerou pela falta da fumaça cinza dentro do organismo. Os minutos não passavam, o quarto girava, a janela chamava, o espelho gritava. Ela precisava da sua paixão, do seu companheiro de todas as horas. Jogou-se. A janela chamava com suave voz, então jogou-se como um pássaro em pranto. Assim terminou a melancolia de seus dias. Assim se fora a sujeira em sua alma. A mãos finas estavam, enfim, longe das lembranças.

6 comentários:

Caio disse...

Arriégua,toda texto teu acaba em morte!
Caraca muito massa,escreve um livro pow,depois tu diz que eu sei colocar detalhes neh?ai tá muito bem detalhado,muito profundo.
Poderia fazer um rap com essa sua imaginação toda,aí formaríamos uma dupla!kkkkkkkkk.Brincadeira,tá show,bjo!

'G i u. disse...

UAHUSHAUSHAUHS ::D cada ''autor'' tem sua marca, né. Machado sempre tem histórias infelizes no fim; Raque3l de Queiroz sempre fala do sertão do Ceara... e assim vai. E eu costumo falar de morte. Porque o fim é uma certeza. (:

pois é, d upla de rap ... ¬¬ pense ai no sucesso. UAHSUAHUSH ::D

vaaleeeu, baby *_*

Luciano Oliveira disse...

ela ja me matou em um monte de texto..
mais vale apena ter uma namorada escritoria
Amor meu!!

'G i u. disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk' te matei, ér? :o' ooooown não fala assim >.< namorada ? qqq. tu tá espalhando demais nosso relacionamento liberal. QQQ ;x UAHSAUAHUSHA.

Lilith disse...

Porque a vida, efêmera como costuma ser, não poderia acabar diferente...
(mas creio que seja melhor assim, =D)

'G i u. disse...

é sim... a vida é efemera, tão frágil e imprevisível (: