quinta-feira, 30 de julho de 2009

A paixão segundo L.


A cada vez que ameaçava a garota com a garrafa quebrada, ela sentia mais e mais medo. Porém, quando ele fincava a ponta da garrafa nos braços, costas e seios de Manuella ela sentia mais e mais prazer. Manuela gostava de estar ali e ver os cacos de vidro com seu sangue. Ele não fazia por mal; na verdade, amava Manuella. Toda dor se transformava em gozo para os dois. Essas sessões de espancamentos constante não eram provas de perversão. A violência usada nesse relacionamento era a paixão a qual existia entre eles, que destruía a vida do casal.

Manuella tinha 15 anos e expermentou todos os pecados que possa imaginar. Ser torturada pelo namorado era o mínimo. Ela ficava satisfeita com os ferimentos que se acumulavam em seu corpo e às vezes, pedia para ele beijar cada corte, cada hematoma. Quando tudo acabava, ele tinha crises histéricas, e chorava ao abraça-la. Beijava a menina repetindo sem parar que a amava.

No fim, todos os amores são assim: sessões de espancamentos constantes, independente de como seja a forma da agressão. Qualquer misera paixão machuca...a diferença é que algumas são internas e outras explodem. A paixão dele por Manuella atravessa limites óbvios da sensatez. E ela... bem, ela aceitava tudo aquilo com um enorme sorriso. Ela era escrava sexual, usava drogas, praticava alguns furtos... já estava acostumada com esse mundo. Não acreditava em amor e exatamente por isso deixava ele cometer as agressões: queria sentir o que é amor, nem que fosse por algumas horas. O que acontecia entre eles era algo especial, e ela percebia isso.

Os olhos escuros que ele possui, hipnotizavam Manuella. A garota estremecia em lembrar daquele rosto sério e suado encarando ela, de forma singela e fria. Cada parte de seu corpo foi possuída por ele, e não havia como parar. Ela sonhava com aqueles olhos, todas as noites. Ela sonhava em tê-los para sempre. Talvez a grande paixão de Manuella não seja o seu seu namorado, mas os olhos escuros que ele tinha. A voz dele encantava também. E aquelas mãos... as mãos dele em sua cintura, era a coisa mais sexy que poderia haver. Se encaixavam perfeitamente, como num quebra-cabeça. Aquelas mãos já rasgaram o rosto fino de Manuella.

Houve uma vez que a menina estava inquieta de tanto esperar o tal amor. Implorou ao seu namorado que a matasse. Ele entrou em pânico, pois não conseguiria -la morta. Manuella fez ele cheirar algumas coisas, até ter coragem para tal. Ele sabia que seria o melhor para Manuella. Sabia que prejudicava a moça, e que mais cedo ou mais tarde chegariam a morte numa das torturas.

Foram longos 40 min...e o tiro foi certeiro. Naquele corpo lindo e nu que sangrava incansavelmente estava alojada uma bala com gosto de paixão. Ele beijava a garota com tanto carinho e atenção que Manuella tinha vontade de rir. Estava morrendo e ainda assim não conheceria o amor. A garota se foi sem senti-lo. Na maioria dos romances ao longo da vida a história se repete; não há amor: só agressão, paixão e dor.


p.s: dedicado ao LUCIANO OLIVEIRA *_*