sábado, 30 de maio de 2009

Por que não falar de amor?


A única verdade absoluta é que não existe amor. A paixão fulminante, carinho, respeito e fidelidade podem existir, mas amor, aqueles de cinema, não há. Os motivos que levam uma pessoa a buscar um outro alguém nunca são puros o bastante.

A obra machadiana, intitulada de A Mão e a Luva analisa exatamente esse ponto do relacionamento a dois: o que seria o amor, qual sua utilidade e o que leva as pessoas ao matrimonio. O livro é um romance sóbrio onde as personagens deixam bem claro que esse sentimento idealizado a vida inteira é simplesmente a união de interesses, estabilidade financeira e necessidade.

Procuramos por alguém que nos dê um nome e segurança, gostar ou não é detalhe. O homem é incapaz de amar algo ou outro indivíduo. Me coloco mal; o homem ama sim. Ele ama seu ego e isso basta.

Conheço um casal que vive sob o mesmo teto a 15 anos. Casaram sem amar, tiveram filhos sem amar, construíram uma história seca sem amor e até hoje a situação perdura, sendo que são relativamente felizes. Então, deve ser citado também a relação de pais e filhos. Ama-se (supostamente) os filhos, mas quando se observa bem a representação filial nota-se o real significado. A prole é só mais um pedaço, o reflexo perfeito do espelho dos pais, logo faz parte do ego humano também.
O tal amor é um jogo divertido onde louvamos o status. Nascer com uma nuvem de individuialismo sobre a cabeça e morrer do mesmo modo; é essa a regra univesal. A verdade é que na vida nada é recíproco.


* a foto representa o egocentrismo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Discriminar, humilhar, injustiçar.


Uma das coisas mais irritantes e dolorosas, no meu ponto de vista, é a humilhação. Qualquer tapa na cara dói, porém passa. Uma humilhação dói na alma e é remoída na memória por um longo tempo. É absurdo a submissão por falta de opção.

Tantas batalhas travadas, vitória sobre a Monarquia, queda da República da Espada, fim da República das Oligarquias (pelo menos aparentemente), revoltas internas, luta estudantil, por fim, houve (e ainda há) uma série de revoluções onde a massa manifesta seu valor, sendo que hoje somos obrigados a obedecer regras impostas por um governo falido, representantes hipócritas, necessitamos implorar assistência e informação, melhor dizer a piedade de poderosos que dormem tranquilos em suas mansões usufruindo da bondade da população. Bondade sim, pois somos nós, os tolos que votam nos tais. Somos nós que pagamos a vida de luxo deles.

Baixar a cabeça e humilhar-se. Ficar aos pés, pronto para acatar ordens. Sem direitos, sem condições de vida favoráveis, sem compreensão, sem opção, sem falar, sem pensar, sem querer. Lutamos por gerações e gerações com a finalidade de receber humilhação em troca.

Me parece que a acomodação geral virou uma regra também. A falta de comprometimento social é a base do problema, seguida da falta de caráter e responsabilidade dos três poderes. O tempo está correndo, as pessoas morrem pouco a pouco sem conhecer a felicidade ou no mínimo o papel de cidadão respeitado.

É assim que a vida está passando. Espero que possamos nos erguer e lutar pelos nossos ideais. Vencemos várias vezes, passos foram trilhados. Não podemos e nem devemos desistir dos direitos que possuímos. Não podemos desistir de nós mesmos. O poder real e digno sempre estará nas mãos dos sofredores.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Carpe diem!


Expressão em latim, escrita em "Odes" (I,11.8) do poeta romano Horácio.



''Carpe diem quam minimum credula postero. Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati. seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare. Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem quam minimum credula postero.''

''Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã . Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses
darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque. É melhor apenas lidar com o que se cruza no seu caminho. Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar Tirreno: seja sábio, beba o seu vinho e para o curto prazo reescale as suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós. Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.''



Confie o mínimo no amanhã.



Acredite nas possibilidades, não esqueça do poder que há em você e viva intensamente.

domingo, 17 de maio de 2009

bilhete de cinema.


Imagino o que pensarão sobre mim quando eu morrer. Todo dia reflito e tomo atitudes para que não descubram nada sobre o que fiz durante esses longos anos. Costumo escrever em códigos, largar mensagens pelos cantos, rasgo fotos, jogar no lixo as cartas... tudo com a finalidade de não deixar pistas sobre o que sou ou o que fiz. Nunca fui de encontro as leis e não tenho muito o que esconder. Porém detesto saber que um dia irão mexer no meu quarto e revirar minhas lembranças.

É muito incomodo apagar a metade da sua vida por não confiar em deixa-la aberta a todos; um dia. Guardo inúmeros bilhetes de cinemas, papéis de bombons, notas fiscais de lanches, cópias dos ingressos de shows... e sinto uma palpitação ao pensar que ''meus bens''estarão nas mãos dos familiares, dizendo:

- Como ela era infantil! guardava tantas bobagens... sempre foi um anjo!

(Independente da pessoa, quando esta vem a falecer, sempre vira um anjo. O maior bandido torna-se um anjo ao morrer no tiroteio). São tolices. E são a minha vida. São os recortes de jornais, pedaços de gente e migalhas de atenção que fazem minha suposta felicidade. Poderia trocar a palavra ''felicidade'' por ''dia-a-dia'', mas o que seria a felicidade se não viver o dia-a-dia ? Nesse caso, tornam-se sinônimos. É sempre assim: uma coisa liga a outra. Tudo vira sinônimo.

Ainda insisto em temer meus segredos revelados. Imaginem só, quando descobrirem minhas paixões platônicas e crises de identidade? Pensaram que sou louca, que tive uma vida de amarguras. Talvez seja isto. Quem sabe sou louca de pedra mesmo.

Talvez, talvez, talvez... amo possibilidades. Existe coisa melhor que a incerteza? Aquele frio na barriga, excitação, uma aventura a cada instante! Coisas definidas são irritantes, obsoletas... tão coerentes que ficam tolas. É pela incerteza que dedicamo-nos a estudar, trabalhar e amar. Eu estudo para garantir um futuro. Eu trabalho para garantir o sustento. Eu amo para ser amada. E isso é a vida; os recortes de jornais, os pedaços de gente e migalhas de atenção. Se a vida é essa incerteza óbvia e arcaica, diria até inventada;o que seria a morte, então? A paz eterna ? Poupe-me disso. Para que paz? quero queimar por toda eternidade. Preciso queimar para todo o sempre, na vida e na morte, sem esconder meus bilhetes de cinemas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Machado de Assis.

(...) Flora pediu -lhe familiarmente o obséquio de uma definição mais desenvolvida. Aires sorriu e pegou na mão da mocinha, que estava de pé.

Foi só o tempo de inventar esta resposta:

- Inexplicável é o nome que podemos dar aos artistas que pintam sem acabar de pintar. Botam tinha, mais tinta, outra tinta, muita tinta, pouca tinta, nova tinta, e nunca lhes parece que a árvore é árvore, nem a choupana. Se trata então de gente, adeus. Por mais que os olhos da figura falem, sempre esses pintores cuidam que eles não dizem nada. E retocam com tanta paciência, que alguns morrem entre dous olhos, outros matam-se de desespero.

Flora achou a explicação obscura; e tu amiga minha leitora, se acaso és mais velha e mais fina que ela, pode ser que a não aches mais clara. Ele é que não acrescentou nada, para não ficar incluído entre os artistas daquela espécie.

Esaú e Jacó, M.A

sábado, 2 de maio de 2009

Parasitas.


A busca pela liberdade é incessante. Mas o que seria liberdade ? 


Sempre é necessário alguém por perto, limitando os passos. A dependência de viver em conjunto vai de encontro ao desejo anarquico que invade a cabeça humana desde o início dos tempos. Não existe liberdade completa.

Assim como um parasita que retira os meios para sua sobrevivência de um hospedeiro, o homem precisa de um outro organismo latente para sua existência fazer sentido. Outra semelhança entre um parasita e o homem é o fato de que ambos mantêm uma relação desarmônica com o ser pulsante. Uma relação com fins prejudiciais, sem exceção. Repito: não existe liberdade completa.

É fácil passar certo tempo sem o ''seu hospedeiro'', porém não é duradouro.


Mais cedo ou mais tarde a falta desse leva a loucura. Liberdade só existe a dois, pois há troca de energia real e significativa. Então chegamos em um ponto delicado: liberdade a dois pode sufocar.


Só o ''parasita humano'' sabe o que é melhor; uma liberdade solitária temporária ou uma liberdade a dois sufocante.

Eis aqui o dilema de inúmeros guerreiros quase libertos. É melhor morrer pela falta ou pelo excesso ?