quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pontuando..


Não sei por quantos pontos finais é necessário transpor até chegar no fim da linha. Só sei que aqui estou. ponto.

Imaginava ser mais difícil deixar no passado aquilo o que já a ele pertence. Pensei que seria impossível sair com sanidade das amarrações da própria mente e das mãos de terceiros. ponto.

Mas foi engano. ponto.
Foi equívoco. ponto.

Insisti piamente na irrealidade, e agora; por agora a realidade com a qual fui presenteada me faz mais feliz. ponto.

Não acredito no acaso da sucessão dos fatos. Se um dia eu sofri queimaduras tão graves que nunca largarão meu corpo, hoje estas são cuidadas por mãos divinas, mãos que já amo e que cobrem minhas marcas em forma de conchinha, me fazendo esquecer. ponto.

Já havia dito que toda dor é necessária e tenho mais e mais convicção disso a cada minuto de vida. Através dela, posso enxergar o valor de novos parágrafos, e esqueço o roteiro, e faço meu remake pessoal. ponto.

E essas novas mãos que me cercam também cobrem minha boca, meus olhos, passeiam entre minhas pernas, tomam por completo minha atenção. ponto.

Tenho poucos e pequenos resquícios  de quem fui antes de encontrar essas mãos. Hoje me limito a pertencer como objeto das mãos que me aparam, e assim, nunca estive tão segura. ponto.

Não tenho medo do fogo na minha pele mais uma vez. Pretendo me arriscar. Nunca apostara tão alto antes; agora, pago para ver as chamas, e apesar de desconfiar da qualquer má intenção vinda das mãos que me sossegam, confesso estar preparada para eventuais acidentes. ponto.

Hoje analiso o que vivi e sei o quanto as cicatrizes me tornaram mais forte, preparado para ser cria do toque leve que levo no rosto. Vejo que era então tudo um teste. Meus temores foram fundamentais para a construção do bem que faço e recebo das mãos que escolhi para mim, escolha esta que não poderia ser mais certa. E ponto não, continuação perpétua.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Carta de até logo..

Não sei ao certo o motivo da obsessão pelo fracasso infindo que me sustenta. Não tenho causa e evito as consequências sobre o que me sucedeu nos últimos meses, porém, ainda assim, sou vítima dessa nostalgia.

Outro dia, numa conversa informal com um amigo, percebi que eu não lembro de mais ninguém antes de você. É verdade: não tenho referência da própria vida antes de te conhecer. Uma história, um rosto, um nome qualquer, tudo e nada são um só e se mantêm sem representatividade depois que sai da zona de superficialidade humana e descobri um alguém real.

Sei que nunca seria tão feliz se o desenrolar dos fatos mudasse de curso. Tenho a certeza de que jamais desejaria outro rumo para a mais linda história de amor que eu poderia ter vivido.

Agradeço todos os dias à todas as noites as quais eu me permiti, sem nenhuma vergonha, ser somente eu, contigo.

Agradeço também à você, que me acolheu na sua história, que me abraçou em braços largos e lações apertados (e confesso; os quais são impossíveis de desatar).

Agradeço à intermediadora desse encontro tão Santo, quem abençoou, mas quem criou provações dolorosas para mim, pobre amante. E só aqui faço uma recriminação: deveria ter sido antes, muito antes de eu ser uma mulher, e ele, um homem. É como me peguei dizendo: eu gostaria, de fato e veracidade, de estar presente na história dele desde os primórdios.

Queria com todas as forças que disponho no meu ser, ter visto o seu nascimento e acompanhado seu trajeto, como um narrador observador que interfere na progressão textual só para dar um beijo na boca.

Eu queria ter sido a irmã, a prima distante, a vizinha, a melhor amiga, para ter o direito de estar por perto para sempre.

Eu nunca amarei uma pessoa a esse ponto; ao ponto do além homem, além sexo oposto, além pai dos meus filhos, além marido. Eu nunca amaria você além do ser humano que você é.

Hoje, agradeço até às lágrimas que derramei (e ainda derramo de saudade, como ao escrever essa carta), pois agora sei que toda a dor é necessária. Eu te falei isso uma outra vez, justificando minhas mágoas e você nem sequer notou que me referia a.. nós, com certeza e como sempre.

Eu devo ter falado uma coisa ou outra de ser sincera demais, entregue demais à todos aqueles que amo puramente. Falei também de nunca me arrepender por extrapolar amor assim, pois só fomos o que somos a partir do momento em que potencializamos o melhor de nossa essência.

Eu não sei se para você faz sentido o que ando dizendo por aí e por aqui, mas o fato é que para mim, tudo foi real. Fomos reais e iguais por um bom tempo, entretanto, se a vida tende à saudade para tornar ela própria uma poesia, me permito transcender a realidade que me basta.  Apesar de te guardar para sempre no peito, não sei se manterei a blindagem à corpos estranhos.

Agora, eu quero e vou te contar uma outra história. E dessa vez você terá que adivinhar do que estou falando.

E hoje eu te digo adeus, mas é só até amanhã, quando eu lembrar que é a ti que eu devo a origem da minha sensibilidade. E amanhã, com um pouco de dificuldade, você ainda será além de um grande amor passado, meu melhor presente do acaso.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Viveberância..


Qualquer que seja a mudança iminente, já sou viciada nela. É o que move minhas engrenagens, o que me instiga a relutar sobre o comodismo de viver.Se isso for algum tipo de patologia, uma fobia de "estar como sempre" ou um vício em "menos do mesmo", não tenho noção de cura.

E apesar de variar de curso 40 vezes ao dia, 280 vezes por semana, 1.120 vezes ao mês e exatas 13.440 vezes ao ano, confesso que tenho a habilidade de me prender a detalhes para guardar como uma saudade grande do que tenho a cada dia.

Sim, eu me prendo a sensações ruins, situações lamentáveis e dolorosas, mágoas continentais, e o faço para no fim do expediente estar exausta de mim e do mundo, pois depois da exaustão, vem o prazer, depois do prazer, vem a plenitude, e depois da plenitude, saberei eu que estou viva.

Tudo o que eu faço é para poder me sentir viva. Mudo, transcendo, retenho, prendo, tudo pelo trunfo de estar viva e ter essa certeza de.

A partir de hoje vou escrever um livro sobre cada dia que passa por mim, o qual me torna objeto desse, e o título será "viveberância" para combinar com o objeto dito. E eu prometo que vai ser divertido.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Maré alta..


Volta e meia me sinto como maré alta, indo e vindo com violência de um ponto a outro incessantes vezes. Parece que não aprendo a me arrepender disso. Seria minha punição estar eternamente subordinada aos meus próprios caprichos?

Se for, julgo como uma punição, a mais divertida que poderia me caber. Gosto de retornar ao zero depois de contar até 10. É para poder sentir a mesma excitação, tudo de novo.


Se não for capricho, mas sim um vício, uma necessidade fisiológica e mortal, eu diria que ser maré alta reduz meus riscos de vida. Assim sendo, uso do mesmo percurso até chegar na areia, sã e salva.

Essa semana, descobri que ser maré alta pode me levar muito longe, muito mais além do pós mar. Nunca fui tão fundo sendo eu mesma, maré alta e dúbia que sou, nunca precisei tanto contar de zero até ao infinito para poder retardar um pouco o caminho de ida, sendo mais feliz na volta. Quanto mais distante meu ponto de chegada, mais intensa é minha partida.

Eu poderia ser sempre onda cheia, pesada mesmo, não me importaria com a violência do quebra-mar que, por vezes, vem a machucar. Seria forte, cristalina, pronta para seduzir qualquer embarcação no meu levar. E sendo sincera, apesar de tantas ilusões marítimas e contos de pescadores, ainda assim eu permaneceria sendo maré alta submissa a um só capitão, pois afinal, meu destino é sempre retornar ao zero.

domingo, 16 de setembro de 2012

Pista..

Bom dia para quem algum dia deu a chance para si de se permitir. É simples: você percebe as coisas boas ao redor, você larga o medo dessas, você as aceita, e por fim, num suspiro último, você as abraça. É assim que devem ser as histórias de vida.

As oportunidades novas podem não ser aquelas que você tanto esperou e ambicionou, porém, talvez, quem sabe, sejam essas que farão sua felicidade completa. Abrir a porta para mundos novos é desestruturar velhas expectativas.

Seria "desapegar de sonhos antigos e substituí-los por outros"? Sim, talvez. Seria "descartar realizações devido a algumas dificuldades"? Quem sabe. Prefiro ficar no time de quem prefere ter o coração livre para experiências não programadas.

Quão difícil é deixar passar os próprios desejos e se jogar na pista apostando em qualquer negócio..

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sobre conquistas..


Talvez eu não pudesse ser tão feliz de uma vez só, porque faz mal ao ego, mas confesso que também não haveria sensação melhor dentro de mim.

2012 me reservou os melhores presentes. Ganhei umas 10 vezes no mesmo cassino, rodada por rodada, bati o lance alto e apostei sem duvidar. Estou milionária e o prêmio é satisfação pessoal.

Sabe quando você olha para trás e toma para si a consciência de ''então quer dizer mesmo que tudo valeu a pena''? Pois é. Essa percepção também faz parte do meu prêmio.

Eu que um dia já chorei no ombro de (poucos) amigos ao lamentar quão mesquinha a vida fora comigo por tantos anos, estou aqui, queimando a língua devido à tantas voltas vitoriosas na roleta.

Só em 2012, veja bem, adiantei meu 3° ano do ensino médio e não precisei nem concluí-lo. Passei no vestibular duas vezes numa universidade federal. Terminei a eternidade do meu curso de inglês para o TOEFL (e pode apostar que estou orgulhosa disto), estou concluindo, enfim, o cansativo e custoso curso de francês. Vou me formar em 2 áreas que me encantam, e por conseguinte, ter 2 diplomas, no mínimo, até meus 21 anos de idade (o que é extremamente excitante e tentador à minha ambição!!). Vou completar 18 anos em 2 dias (sabem quão significativo isso é para mim????? eu cheguei a esperar uma vida por essa data..hahaha).Vou tirar minha carteira e comprar meu carro. Emagreci tri loucamente e mudei por completo meu estilo de vida ao ponto de ter plena satisfação e felicidade pelo corpo que tenho. Em dezembro vou ter a tradicional formatura do colégio no qual estudei e que sempre sonhei em ter. O melhor e mais belo vestido, no melhor e mais amado corpo, na melhor e mais branca paz de espírito.

Talvez quem leia esse post pense: ''nossa, quanta soberba, quanta besteira.''. Pouco me incomodo com os possíveis julgamentos e dedos apontados e sabe porquê? Porque eu olho para trás, lembro de todo as dificuldades e inseguranças e penso: Então quer dizer mesmo que tudo valeu a pena? Pois é.

Realmente eu não poderia ser mais feliz.

domingo, 26 de agosto de 2012

acreditando..

Sabe, eu dediquei um semestre inteiro em acreditar que tomaria posse da pessoa mais especial desse universo. Sim, sim, falo de posse mesmo. Ele pertenceria a mim, e eu pertenceria a ele como encaixes simétricos e ajustados; como uma vida só. Não importa o tempo corrido: poderia ser hoje, amanhã, 10, 15, 20 anos; acreditei que reencontraria minha pessoa especial e me tornaria uma só com ele.

Eu nunca fui uma pessoa muito convencional, não é? Banquei a pose de rebelde sem causa e consequência por anos a fio e agora, imagine você que transmutei ao ponto de pensar (e desejar com todas as forças) em casar, ter filhos, ser feliz com essa criatura.

Não sei se foi ele quem mudou minha percepção (abrindo espaço para dúvidas sobre a firmeza da minha personalidade) ou eu que topei com a pessoa certa, aquela que revolucionaria minha visão reta (abrindo espaço para comentários sobre a superioridade desse ser).

Acreditei plenamente em tudo o que eu não confiava até 6 meses atrás. ''Fui sincero como não se pode ser'' N vezes e seria de novo e de novo, repetidamente porque eu acreditei e ainda acredito no que quero. Não só quero; preciso.

E por mais distante que possa ser (e confesso que é), eu não consigo desacreditar em mim. Não tem meio de desacreditar numa coisa tão certa (na minha cabeça, claro).

Acreditando cegamente em mim, por mais doloroso e difícil que seja.